Guilherme Fontes volta à televisão no papel de um jornalista de conduta duvidosa

Série Pacto de sangue, cuja trama é ambientada no Pará, estreia neste mês no canal Space. Ator tem planos de voltar a dirigir

por Ana Clara Brant 05/08/2018 10:34

O ator Guilherme Fontes volta à TV neste mês, como protagonista da série Pacto de sangue, que tem estreia prevista para o dia 27 no canal Space. Ele interpreta o repórter Silas Campello, que trabalha numa emissora de TV do Pará e cujos métodos profissionais são apresentados ao espectador logo no início da trama. Numa região pobre de Belém, acompanhado de uma câmera, ele vai atrás de um criminoso conhecido como Marley. “Estava ansioso para te conhecer. Conheço teu passado, tua história, sei de onde tu vieste... História boa pra TV. Vão te respeitar. Conta teu ódio para a câmera”, pede o repórter.

Neto Dias/Divulgação
(foto: Neto Dias/Divulgação )

Esse “personagem cheio de possibilidades” atraiu Fontes. “Silas Campello que ir longe e vai se tornar uma das pessoas públicas mais polêmicas e influentes da cidade. Acho que uma das questões que mais me seduziram foi o lado obscuro do personagem. Um cara que fica posando como paladino da moralidade, mas que, na verdade, está de conchavo com o crime. Ele tem uma ética absolutamente particular, uma ambição desmedida, que o leva para os lugares mais sombrios”, ressalta. Por outro lado, o jornalista tem uma vida íntima complicada. “A filha dele está internada em uma clínica de reabilitação. Quando você o observa de perto, vê que ele tem sua problemática.”


O ator diz não ter se inspirado em ninguém para criar Silas Campello, embora comparações com figuras como José Luiz Datena já pipoquem nas redes sociais antes mesmo da estreia da série. “Não é difícil imaginar e enxergar muitos Silas por ali, mas o caráter é específico do personagem, é ficção. Eu me lembrei de alguns apresentadores, mas no jeito de conduzir o programa ou pelo estilo, como Flávio Cavalcanti (1923-1986). Mas não me inspirei em ninguém”, diz.

A maior parte das cenas foi gravada no Pará, e os atores fizeram imersão na cultura local. “As externas foram todas lá e é um lugar maravilhoso. O Brasil é um país realmente fantástico. A gente estudou detalhadamente o sotaque, toda a prosódia para que não soasse falso. Tudo foi feito com muito esmero e cuidado. Não poderia estar mais feliz com esse trabalho e com o encontro com pessoas tão bacanas como o Tomás Portella (diretor brasileiro), o Adrián Caetano (diretor uruguaio). Essa mistura do Mercosul foi muito interessante”, declara.

ARGENTINOS Pacto de sangue é uma criação do uruguaio radicado na Argentina Lucas Vivo, com roteiro do argentino Patrício Vega e colaboração do brasileiro Ricardo Grynszpan. A primeira temporada tem oito episódios e conta no elenco com Fulvio Stefanini, Adriano Garib, Mel Lisboa, Ravel Cabral, Gracindo Jr. , André Ramiro e Paulo Miklos.


Por seu lado, Fontes comemora o ingresso no “admirável mundo das séries”. Na verdade, esse é seu segundo trabalho no formato. No ano passado, ele participou de Edifício Paraíso (GNT), que tem roteiro de Fernanda Young e Alexandre Machado e conta a história de casais que vivem num mesmo prédio de paredes finas. Quase tudo pode se ouvir entre os vizinhos, especialmente as brigas noturnas. “Já tinha feito minisséries na Globo (Desejo, O pagador de promessas), mas é diferente. É outro tipo de narrativa. A série é fechada, mais hermética, ao contrário da novela. É um universo novo para todo mundo aqui no Brasil e estou muito animado.”


A empolgação é tanta que o ator está preparando alguns argumentos para futuras séries. A ideia é não só escrever, mas produzir e dirigir. Quem pensa que Guilherme Fontes esmoreceu depois da controversa experiência com o longa Chatô, o Rei do Brasil, que levou quase 20 anos para ser concluído, engana-se.


“Imagina se eu ia desistir de voltar a dirigir. Jamais. Levei, sim, um tempo razoável, mas um épico leva isso mesmo. A TV Globo, quando vai fazer qualquer filme, também não faz por menos de quatro, cinco anos. Mesmo com todos os problemas que enfrentei, sigo em frente, porque sou apaixonado pelo meu ofício”, afirma. Fontes diz que esperava de tudo quando decidiu produzir o filme sobre o magnata da comunicação Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados. “Imaginava que ia ganhar muito dinheiro, que ia ser sucesso de bilheteria, mas a última coisa que esperava, sinceramente, era ser elogiado como diretor. As críticas foram praticamente unânimes, e isso me deixa muito orgulhoso.”

 

O longo caminho de Chatô

 

A saga de Chatô começou em 1994, quando Guilherme Fontes comprou os direitos do best-seller Chatô, O rei do Brasil, do escritor mineiro Fernando Morais. O projeto multimídia completo – previa filme, série e documentários – foi orçado em R$ 12 milhões. Ele captou R$ 8,5 milhões com benefício das leis de renúncia fiscal. Em 1999, começou a dirigir o longa. No mesmo ano, as filmagens foram suspensas quando a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, com base numa prestação parcial de contas, suspeitou de irregularidades no uso dos recursos para a produção do filme e dos 52 vídeos sobre a história do Brasil previstos no projeto.


Em 2001, o TCU (Tribunal de Contas da União) inocentou Guilherme Fontes da acusação de aplicação irregular de parte dos R$ 8,5 milhões. Em 19 de novembro de 2015, finalmente o filme foi lançado. No fim do ano passado, o Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou o ressarcimento de de R$ 1,484 milhão aos cofres públicos. O valor pedido é referente a contratos assinados com a Rio Filme, distribuidora vinculada à Prefeitura do Rio de Janeiro.


Segundo o MP, a falta de pagamento estabelecido nos contratos gerou prejuízos ao patrimônio público cultural. O órgão alegou ainda prejuízos causados ao patrimônio público histórico e cultural, constitucional e legalmente protegido, devido ao “pouco caso com a produção e, principalmente, com a distribuição de uma obra que versava sobre a vida de um importante personagem da história nacional”.


“Já ganhei uma ação parecida sobre o mesmo assunto em esfera federal. Não sou funcionário público para cometer crime de funcionário público. Sou autônomo. Ator, produtor e diretor. Mas OK, vou me defender novamente. Mesmo sem qualquer oxigênio para isso. A Riofilme atrasou o filme em 10 anos ao não me pagar como devia. Também assinou e me liberou para distribuir sem qualquer apoio, nem um real, zero. Durante a produção, desviou recursos de produção sem minha autorização e ainda sugere me processar?! Mas eu não posso dizer muita coisa, não fui notificado”, afirma Fontes.

Neto Dias/Divulgação
Ravel Cabral interpreta o policial Roberto Moreira na trama (foto: Neto Dias/Divulgação )

"Na memória de todos"

Guilherme Fontes estreou na televisão na primeira versão de Ti ti ti, em 1985. Mas o primeiro papel de destaque veio três anos depois, como Rei, em Bebê a bordo, recentemente reprisada no Canal Viva, com cortes. “Essa novela foi um barato. Na época, em 1988, ela já foi considerada moderna demais”, conta. Em 1990, ele interpretou um personagem real, Dilermando de Assis, na minissérie Desejo. O militar ficou famoso pela tragédia amorosa vivida com a esposa do escritor Euclides da Cunha.


Mas talvez seu personagem de maior repercussão tenha sido Alexandre, na segunda versão de A viagem (1994). Pela força do papel e das inúmeras reprises da trama de Ivani Ribeiro, o espírito atormentado até hoje é lembrado pelo público. “Várias gerações conhecem e adoram o Alexandre. Outro dia mesmo uma criança ficou superempolgada em me ver. É bacana isso. Alexandre é um personagem tão forte que quero levá-lo para o cinema. Tem um projeto de filme para ele”, comenta.


Marcos, de Mulheres de areia (1993); Tony Salles, de Estrela guia (2001); Jeff Wall Street, de Bang bang (2005) e Mário Silva, de Boogie Oogie (2014), sua última novela, fazem parte de um currículo televisivo do qual Guilherme Fontes se orgulha. “Quando um artista consegue carregar uns três, quatro clássicos na carreira, ele já está realizado. Acho que consegui isso. Tenho trabalhos que estão na memória de todos.”

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