Varizes estão ligadas à herança genética, hormônios e obesidade

Se não tratadas, podem deixar sequelas, algumas graves e fatais

por Iracema Amaral 11/02/2018 13:00
Luda311/Divulgação
(foto: Luda311/Divulgação)

É mito, as varizes não são decorrência de uso de saltos altos, nem por cruzar as pernas por longos períodos, muito menos por subir ou descer escadas. Quem garante é o diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), Daniel Mendes Pinto. Em contrapartida, ele esclarece que essa doença está relacionada à herança genética, que é a principal causa da enfermidade, ao uso de hormônios, em especial anticoncepcional, e à obesidade.

Prevenir e atenuar o surgimento de varizes tem a ver com o uso de meias elásticas e a prática de atividade física. Nesse último caso, o médico recomenda exercícios que priorizam a força muscular na região da panturrilha (vulgo 'batata da perna'). Daniel destaca que ginásticas desse tipo na água são as mais eficazes, seguidas de musculação, caminhada e corrida. Dependendo, é claro, de avaliação caso a caso.

Essas recomendações e esclarecimentos não se trata de alarde. Ao contrário, destaca o médico, tendo em vista que o percentual mundial da doença gira, em média, na casa dos 20% da população adulta. Também de acordo com o especialista, esse índice fica entre 20% e 25% das mulheres. No caso dos homens, entre 15% e 20%.

Daniel explicou ainda que “varizes não matam”, porém deixam sequelas e são janela para outras enfermidades. Ele lista flebite (inflamação venosa), tromboses - que, dependendo da gravidade, podem levar a uma embolia pulmonar e pode ser fatal - e a úlceras (feridas). Isso sem falar no incômodo do inchaço e da dor nas pernas.

As varizes podem causar ardência, dores, sensação de peso e inchaço nas pernas. Em alguns pacientes pode haver mudanças na tonalidade da pele.

GRÁVIDAS

No caso das mulheres gestantes, as varizes podem ser uma ameça se estiver presente a questão genética associada ao excesso de peso. Esse último fator aumenta consideravelmente a compressão do útero sobre a região pélvica. O médico reforça a recomendação de controle do peso, atividade física e uso de meias, que, conforme ele, as mais indicadas para todos os pacientes, não só gestantes, são as que vão até os joelhos.

Arquivo Pessoal
Daniel Mendes Pinto, diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, recomenda o uso de meias elásticas e a prática de atividade física (foto: Arquivo Pessoal)
A novidade dos últimos três anos, segundo o especialista, são os remédios livres do efeito colateral da gastrite. “Também estão mais eficazes”, assevera Daniel. De acordo com o médico, o tratamento indicado vai depender dos sintomas. No caso de veias pequenas, as escleroterapias são as mais indicadas. Veias grandes, a prescrição é a cirurgia.

No caso da escleroterapia, há desde aplicação de remédios para redução do calibre das veias, passando por laser, radiofrequência, para secar os vasos, resultado que também pode ser obtido no tratamento com espumas, que é um tipo de medicamento assim denominado.

Daniel alerta que os pacientes de varizes não devem adiar o tratamento. Ele lembra que dores crônicas podem levar a quadro de depressão e outras alterações de humor, que, por sua vez, levam à baixa produtividade e/ou pouca ou nenhuma sociabilidade dos enfermos.

CIRURGIA NO SUS

Apesar disso, levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que a fila para cirurgia de varizes no SUS é a maior entre as cirurgias eletivas em três estados dos 16 que encaminharam a demanda para o Sistema Único de Saúde (SUS). Minas Gerais lidera a estatística, seguido por Mato Grosso do Sul e Paraná. Em Minas, são 31.440 pacientes aguardando; no Mato Grosso, 4.787; e no Paraná, 1.359.

De acordo com Daniel Botelho, dependendo da doença, o paciente corre risco de agravamento do quadro, o que aumenta o potencial de complicações quando a cirurgia for realizada. “No caso específico das varizes dos membros inferiores, principalmente nas fases mais avançadas da doença, a população permanece com queda da qualidade de vida determinada pela doença, com elevado índice de afastamento do trabalho e riscos determinados pelo agravamento progressivo do quadro clínico”, afirma.

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