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Feito com fosfoetanolamina produzida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), trata-se do sétimo estudo com resultados pouco animadores sobre o potencial da substância no tratamento do câncer. A reportagem apurou que o resultado foi considerado tão desanimador que, em reunião realizada com o grupo de especialistas no MCTI, foi sugerida até a interrupção dos trabalhos.
A proposta, no entanto, não foi aceita. Parte dos integrantes do grupo considera necessária a realização de outros estudos para indicar se a fosfoetanolamina tem de fato algum tipo de ação no organismo. "Pode haver até uma ação anti-inflamatória ou analgésica. Mas os trabalhos mostram que, para os tipos de câncer avaliados até agora, ela não é eficaz", afirmou um integrante do comitê, sob condição de anonimato.
Diretor-geral do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo, o oncologista Paulo Hoff afirma que o resultado, por si só, não é suficiente para interromper os estudos. "Temos de construir um prédio, estamos ainda nos alicerces", avaliou.
Sem milagres. Hoff reconheceu, no entanto, que os resultados até agora reunidos indicam que o produto não é milagroso como alguns pacientes avaliavam ser. "O debate sobre essa substância é ainda muito carregado de emoções. Precisamos dar um passo atrás. E observar que, estudos pré-clínicos, laboratoriais, em animais, apresentam limitações", completou.
Consultados, Ministério da Saúde e MCTI afirmaram que pesquisas com a "pílula do câncer" vão continuar e os resultados obtidos até o momento são iniciais. O governo federal não é o único a fazer pesquisas.
Hoff, por exemplo, deverá conduzir uma avaliação, um misto de exames fase 1 e fase 2, para avaliar o impacto da substância em pacientes com câncer. O trabalho será com um número pequeno de voluntários. "O grupo já está formado", contou. A pesquisa aguarda apenas a chegada da fosfoetanolamina, sintetizada pelo laboratório PDT Pharma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.