Exposição ao cigarro afeta a cognição de crianças

Especialistas defendem a interrupção do contato de meninos e meninas com as substâncias tóxicas do cigarro

por Correio Braziliense 08/02/2016 10:00
Reprodução Internet
Alerta está em maços de cigarro brasileiros (foto: Reprodução Internet)
Crianças expostas regularmente à fumaça do cigarro têm o risco maior de aumento da circunferência abdominal e de comprometimento cognitivo. A conclusão veio de um estudo norte-americano com 220 meninas e meninos que tinham entre 7 e 11 anos e apresentavam um quadro de obesidade ou sobrepeso. “A mensagem para levar para casa é que, para essas pessoas, a exposição à fumaça está ligada a dois importantes resultados adversos para a saúde, um acima do pescoço e outro abaixo”, alerta Catherine Davis, psicóloga clínica de saúde do Medical College of Georgia e participante do estudo.

Para chegar a dados precisos, os pesquisadores coletaram relatos dos pais e filhos sobre exposição à fumaça do cigarro e mediram os níveis sanguíneos de cotinina, o principal metabólito da nicotina e frequentemente utilizado como um teste definitivo de tabagismo ou de fumo passivo. Os garotos e as garotas com taxas maiores tiveram desempenho menor nos testes cognitivos a que foram submetidos. “São deficiências que podem se traduzir em baixa capacidade de atenção e em desempenho em menor grau na sala de aula. Estamos falando de crianças (...) que não conseguem atingir o seu pleno potencial”, alerta Martha S. Tingen, coautora da pesquisa.

Também foi detectado que a porcentagem de gordura em crianças em contato com a fumaça do cigarro é substancialmente mais elevada do que a dos seus pares também com problema de peso. A condição, explica Davis, implica em maior suscetibilidade a doenças cardiovasculares e ao diabetes. Além disso, os pequenos fumantes passivos apresentaram quase todas as medidas de adiposidade — incluindo barriga e gordura total — maiores. “Todas as coisas ruins que a gordura causa nas pessoas ficam piores se elas forem fumantes passivas”, complementa Tingen.

Os resultados, segundo os pesquisadores, independeram do peso e da condição socioeconômica dos participantes. A equipe defende a adoção de cuidados nutritivos e de combate ao sedentarismo, além da interrupção do contato com as substâncias tóxicas do cigarro. “Se você está respirando a fumaça de segunda mão, é quase tão ruim quanto se estivesse fumando o cigarro mesmo”, ressalta Tingen. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o tabagismo passivo a terceira maior causa de morte evitável no mundo.