Plástico que parece brinquedo, mas é assassino?
Assim como o xarope de milho rico em frutose, o Bisfenol-A (BPA), também não está livre de polêmica. Composto usado na fabricação de policarbonato, presente em grande parte dos plásticos rígidos e transparentes, o BPA pode ser encontrado também no revestimento interno de embalagens que acondicionam bebidas e alimentos, como as latas de alumínio para refrigerantes comercializadas no Brasil. O uso do BPA em mamadeiras está proibido no país desde janeiro de 2012, mas ele continua fazendo parte de nossas vidas sob outras formas. E por que ele é perigoso?
Pesquisa da Universidade de Colúmbia (EUA) apontou ainda que o BPA pode ser transmitido ao feto durante a gestação e alterar as funções cerebrais do embrião, motivando inclusive mudanças de comportamento no futuro. Um outro trabalho, desta vez da Universidade Goethe, de Frankfurt, constatou a presença de desreguladores endócrinos na água mineral engarrafada. O estudo incluiu amostras de água acondicionadas em plástico na França, Alemanha e Itália. Das 18 marcas analisadas, 61,1% (ou seja, 11) apresentaram resultados que indicam uma resposta ao estrogênio significativa no ensaio biológico. Ainda segundo os pesquisadores alemães, a mesma água na embalagem de vidro apresentou um terço da atividade estrogênica.
Os riscos apontados por milhares de investigações científicas motivaram a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) a criar a campanha “Diga não ao bisfenol A, a vida não tem plano B” e também uma Comissão Nacional de Disruptores Endócrinos.
Mantovani salienta que o principal estímulo para a contaminação do alimento pelo BPA são as mudanças de temperatura, porque o bisfenol é um elemento instável. “Um hábito corriqueiro que é perigoso: utilizar vasilhame de plástico para guardar a comida na geladeira e depois aquecê-la no microondas nesta mesma vasilha”, ensina. O médico explica que hoje existem produtos plásticos no mercado com o selo BPA Free (livre de BPA), que devem ter a preferência na hora da compra.
Proibido para uns, liberado para outros
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Segundo a Anvisa, no entanto, a resolução RDC n. 41/2011, que proibiu a comercialização de mamadeiras em policarbonato no Brasil, foi estabelecida ‘por precaução’, ‘considerando a maior exposição e susceptibilidade dos indivíduos usuários deste produto’. A Agência informa ainda que, segundo os especialistas, devido à considerável incerteza relacionada com a validade e relevância de observações referentes a baixas doses de BPA, “seria prematuro afirmar que estas avaliações fornecem uma estimativa realista do risco à saúde humana”.
Embora reconheça que os resultados de milhares de estudos devam orientar mais pesquisas, a fim de reduzir as dúvidas, a Anvisa reforça que, para as demais aplicações, o BPA ainda é permitido. A legislação estabelece o limite máximo de migração específica desta substância para o alimento - 0,6 miligramas por quilo, mas as indústrias não são obrigadas a especificar seus índices no produto. O órgão federal utilizou alguns desses argumentos para se posicionar diante de uma ação civil pública apresentada pela Procuradoria da República no Estado de São Paulo, em 2011. O juiz concedeu liminar, mas a Anvisa entrou com agravo de instrumento para suspendê-la.
- Jamais esquente no microondas bebidas e alimentos acondicionados no plástico. O bisfenol A é liberado em maiores quantidades quando o plástico é aquecido.
-Evitar levar ao freezer alimentos e bebidas acondicionadas no plástico. A liberação do composto também é mais intenso quando há um resfriamento.
-Evite pratos, copos e outros utensílios de plástico. Opte pelo vidro, porcelana e aço inoxidável na hora de armazenar bebidas e alimentos.
-Descarte utensílios de plástico lascados ou arranhados. Evite lavá-los com detergentes fortes ou colocá-los na máquina de lavar louças.
Para saber mais sobre os disruptores endócrinos, acesse: www.desreguladoresendocrinos.org.br