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Já quem apenas assume um papel gentil, como no Natal e réveillon, Geraldo Caldeira enfatiza que a tentativa vai acabar nas conhecidas brigas e desentendimentos familiares típicos das comemorações e reuniões de fim de ano. “O gentil esporádico traz a esses encontros a hostilidade do ano, de viver às turras, e será mais comum ter atritos nesses festejos. Tudo aborrece quem não é gentil. Ser social, dar presentes e desejar boas-festas vão soar vazio. É a gentileza ilusória. Repetição. Se não é, melhor não fazer porque a expressão falsa vai se mostrar o contrário, e com frequência.”
DESARMA
Aposentada depois de mais de três décadas de atuação, a psiquiatra Mary Ávila Abrahão Reis é mestre ao interpretar e praticar a gentileza. Ela ensina que “nas emergências as pessoas têm dificuldade de ser gentis por causa de uma necessidade imediata. Ao levar meu filho à escola pela manhã, o horário, o trânsito, o ímpeto é furar tudo. Mas é nessa hora que tenho de ser gentil. É difícil e é um exercício.” Ela lembra que somos postos à prova a todo momento. “É preciso exercitar. Acredito que as pessoas querem ser gentis, mas muitas vezes não se controlam diante da sua urgência.”
Mary concorda que, infelizmente, justo no fim do ano a gentileza some das relações ou fica escassa. “É triste. A pessoa corre para confraternizar, mas antes de chegar perde todas as chances de ser gentil. Vai buzinar, xingar, reclamar… É preciso ser gentil na vida e não só com data e hora marcadas. É gostoso, agradável e tão bom.” Ela conta que outro dia estava no supermercado com a sogra e percebeu uma senhora com dificuldades para colocar as compras na sacola. “Fui ajudá-la e ela se assustou, disse que não precisava. Mas aceitou. Quis levá-la até o carro, mas não deixou. Então, recuei. Outra situação é dar lugar a alguém no ônibus e receber olhares como se tivesse feito algo absurdo. A falta de prática assusta as pessoas, tanto para quem recebe ou observa a gentileza. Não deveria ser assim.”
Para Mary, a gentileza também tem a ver com educação. “Por respeito, dedicação e carinho, chamo os mais velhos por senhor e senhora. Mas, às vezes, me olham e sinto que soa como indelicadeza.” Nas percepções da psiquiatra, ela conta que notou que quando a gentileza é exercida num ambiente ou situação de tensão ou estresse “desarma as pessoas”. Por isso, ela a vê também como “generosidade, de não julgar ninguém e continuar sendo gentil”. E, ainda, que “a gentileza está presente na palavra, no ato de ligar para alguém que passa por um momento difícil para conversar.” Mary ensina que nada a impede de praticar a gentileza. “Ser gentil é fazer o bem com o outro e para você também. Gentileza é a disponibilidade que existe para a vida.”
Você cumprimentou seu vizinho hoje de manhã? Desejou bom-dia ao porteiro ao cruzar com ele no saguão? Se respondeu positivamente, você está fazendo bem a sua saúde e a das pessoas que o cercam com ações gentis. Para premiá-lo, a Associação dos Empregados da Copasa (Aeco) promove, com apoio institucional da Copasa, o 3º Concurso de Redação e Desenho voltado para crianças e adolescentes. Das 527 redações e desenhos recebidos foram selecionados 120 por uma professora de português do Núcleo de Estudos Orientados e por Glauco Moraes, artista da Maison Escola de Artes. Na categoria Desenho, os participantes foram convidados a atender ao subtema “Gentileza urbana – o que podemos fazer para viver em um mundo melhor?”. Os 12 vencedores serão conhecidos nesta segunda.