Contraste de obscurantismo e prosperidade moldou a vida e a obra de Dostoiévski e Tolstói

Conquista da Sibéria, que virou prisão-colônia e transformou o Principado de Moscou no Império Russo, trouxe dualidade que influenciou escritores russos

por Paulo Nogueira 13/07/2018 09:30

Wikicommons
(foto: Wikicommons)
‘‘Aqueles cinco minutos lhe pareceram uma eternidade. Nada foi mais difícil para ele naquela hora do que o pensamento insistente. ‘E se eu não tivesse de morrer? E se pudesse ter a minha vida de volta, que infinita seria? E seria toda minha! Transformaria então cada minuto numa vida inteira, não perderia nada, nada desperdiçaria em vão’. Essa ideia por fim se transformou numa fúria tal que ele quis que o fuzilassem o mais rápido possível. Mas os disparos nunca foram feitos. Na última hora, o ajudante de ordem chegou trazendo o perdão do czar, que mandou trocar a pena de morte pelo exílio na Sibéria.”

A narrativa dramática está incluída na extensa obra-prima O idiota (1868), de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), que tem como protagonista um dos personagens mais impressionantes da literatura mundial, o príncipe Míchkin, um humanista epilético. É baseada na experiência do escritor, então com 28 anos, condenado à morte por participar de reuniões “subversivas” na casa de um revolucionário. Ele seria o próximo da fila a ser fuzilado, mas escapou da morte para ser sentenciado a trabalhos forçados e depois ao serviço militar vitalício na Sibéria pelo czar Nicolau I (1796-1855).

Naquele dia, devolvido à sua cela na fortaleza de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo, que estava cheia de estudantes, funcionários públicos e escritores, todos prisioneiros, Dostoiévski escreveu carta febril ao seu irmão Mikhail: “A vida é uma dádiva, vida é felicidade, cada minuto poderia ser uma era de sorte! Agora, mudando minha vida, renascerei de uma nova forma. Irmão, juro que não perderei a esperança, manterei o ânimo e o coração puro. Estou renascendo como algo melhor. Essa é a minha grande esperança e meu grande consolo”.

Quando os relógios deram a meia-noite de 24 dezembro de 1849, Dostoiévski teve as pernas agrilhoadas e, em companhia de dois revolucionários, tomou assento numa caravana de trenós vigiada por gendarmes e partiu de São Petersburgo para a Sibéria, a prisão-colônia, em meio a uma tempestade de neve. “Aquilo era tão triste, que chorei rumo a um mundo desconhecido”, escreveu.

DOSTOIÉVSKI, ‘UM NOVO DANTE’

Dostoiévski é um dos personagens reais do livro A casa dos mortos – O exílio na Sibéria sob os Romanov (The house of the dead: Siberian exile under the tsars), do professor Daniel Beer, do Departamento de História da Universidade de Londres, que mostra como a conquista da Sibéria, a partir do fim do século 16, transformou o modesto Principado de Moscou, isolado num canto da Europa, no gigantesco império russo ao longo dos séculos seguintes, mesmo fazendo do novo território uma prisão-colônia. Ele conta que Dostoiésvski chegou à cidade de Tobolski, então capital  da Sibéria, em 9 de janeiro de 1850, e seguiu para a inóspita Omski, onde, com outros deportados, chegou 11 dias depois. Mas não foi em O idiota que Dostoiévski contou seu drama em detalhes. Durante quatro anos no cativeiro, o escritor fez as anotações que formariam a base do livro mais influente publicado sobre o exílio siberiano. Recordações da casa dos mortos (Zapiski iz Mertvogo Doma – 1861-2)  causou sensação como obra literária e como olhar sobre o mundo de horror ignorado pela maior parte dos russos instruídos”, lembra Beer.

A obra tem como narrador o personagem Goriantchikov, artifício para driblar a censura, porque é semiautobiográfica. O escritor foi apontado por críticos da época como novo Dante (1265-1321), que desceu ao inferno, ainda mais terrível porque existia não apenas na imaginação, mas na realidade. Sobre a obra, Liev Tolstói, outro gênio da literatura russa, comentou: “Não tenho notícia de livro melhor em toda a literatura moderna, e isso inclui Púchkin, igualmente gigante na poesia russa.”

MODELOS PSICOLÓGICOS
Recordações da casa dos mortos foi a primeira de várias publicações durante o reinado de Alexandre II (1855-1881) e os de seus sucessores para apresentar à opinião pública a triste realidade do fracassado exílio que tentava reabilitar milhares de almas, ao mesmo tempo em que tentava explorar as riquezas naturais da região. Goriantchikov descreve: “Homens que tinham cortado o pescoço de famílias inteiras para roubar quantias irrisórias se ombreavam com vítimas inocentes de erros judiciários. Um vasto pátio de 200 passos de comprimento e 150 de largura. Uma paliçada feita de altos mourões, encravados fundo no solo, ligados com firmeza uns aos outros, e talhados na ponta, rodeava por todos os lados o nosso presídio.”

Eram as casernas, onde ficavam os condenados. “Vivíamos amontoados uns sobre os outros. Imagina uma construção de madeira velha e deteriorada. No verão, insuportavelmente abafada e no inverno intoleravelmente fria. Os pisos tinham três centímetros de sujeira e havia três centímetros de gelo nas vidraças. Todos amontoados, não havia espaço para nada. O fogão consumia seis toras de uma vez, mas não produzia calor algum, só uma fumaça repulsiva. Não podíamos sair da caserna para nos aliviar do anoitecer até a aurora porque estávamos trancados. Os condenados fediam como porcos. Dormíamos sobre tarimbas nuas e estendíamos peles de carneiro sobre nós. Tremiámos a noite toda e haviam pulgas, piolhos e baratas aos montes. Uma casa para mortos-vivos.”

Cristão ortodoxo, Dostoiévski tinha 34 anos quando foi libertado da fortaleza de Omsk, em 1854. Daniel Beer explica: “O cativeiro faria de Dostoiévski outro homem. A vida entre criminosos o obrigou a repensar a fundo sua moral e suas convicções políticas. Marcou para toda a vida e foi determinante no desenvolvimento de sua prosa e de sua filosofia. Os homens com quem partilhou o cativeiro lhe proporcionaram atrativos modelos psicológicos para os ladrões e os assassinos que enchem as páginas dos seus romances pós-siberianos: Crime e castigo (1866), O idiota (1868), Os demônios (1871) e Os irmãos Karamazov (1880). As observações do escritor na Sibéria sobre os impulsos mais obscuros da psique humana desembocaram numa incontrolável obsessão pelo crime, a responsabilidade e a moralidade.”
A CASA DOS MORTOS - O EXÍLIO NA SIBÉRIA SOB OS ROMANOV De Daniel Beer Companhia das Letras 78 páginas R$ 84,90 (livro) e R$ 39,90

O INÍCIO DO IMPÉRIO RUSSO
Daniel Beer baseou sua obra em extensa documentação tirada de relatos policiais, petições, atas de julgamentos e correspondência oficial compilados pelo Estado policial czarista. “Esses documentos, atados em maços e arquivados em grosseiras pastas de papelão nas empoeiradas e deterioradas coleções dos ministérios czaristas, se encontram hoje em arquivos de Moscou, São Petersburgo e diversas cidades siberianas. Foi desse conjunto de provas de arquivo e da massa de memórias e diários publicados que esse livro recuperou as experiências de revolucionários e criminosos comuns na Sibéria, desde a coroação de Alexandre I, em 1801, à deposição de Nicolau II, em 1917. Suas vozes contam a história da luta da Rússia para governar seu império prisional quando o regime czarista colidia de maneira violenta com as forças políticas do mundo moderno”, ressalta Beer.

A conquista da Sibéria, na verdade, ganhou força com Ivan, o Terrível (1530-1584), o primeiro líder coroado czar. O Principado de Moscou se dedicou ao projeto de expansão ao perceber o declínio de quase três séculos de domínio mongol na Ásia. Em 1582, o aventureiro cossaco Iermak Timofeievitch, em nome de Ivan, atravessou os Montes Urais com exército gigantesco e fez ataque audacioso ao poder decadente do líder mongol Kuchum Khan, descendente de Genghis Khan. Daí em diante, o avanço russo sobre a Sibéria foi implacável, graças à ação de soldados, mercenários, estrangeiros, mercadores e cossacos.

s russos chegaram à Sibéria como guerreiros, caçadores e mercadores, mas durante o século 17 passaram das peles para a agricultura e da coleta de impostos aos assentamentos para exploração de recursos minerais. Só para dar um exemplo, em meados do século 18, peles de esquilo, raposa, arminho, marta e a mais valiosa, zibelina, alcançavam preços astronômicos. Uma única pele de raposa-negra-do- ártico bastava para comprar uma propriedade rural de bom tamanho, com cavalos, bovinos, ovelhas e aves.

NARINAS RASGADAS E DEPORTAÇÃO
A expansão russa na Ásia tem grande dicotomia entre a pujança e opressão. Para a Sibéria eram mandados criminosos, dissidentes políticos e religiosos, prostitutas, mendigos, bêbados, acusados de vadiagem e de conduta obscena, deficientes físicos e mentais, servos desobedientes ou ineficientes e servos de quem os senhores de terras não gostavam. “Era ao mesmo tempo terra de oportunidades e um reino penal, uma terra de imigrantes livres e de exilados não livres. Nos governos dos czares se tornou claro que existia uma contradição fundamental entre esses dois papéis que dominaria a Sibéria e o sistema de exílio nos séculos seguintes”, conta Beer. Quem era mandado para lá como força de trabalho deveria fazer a região gerar riquezas, mas era vitimado pelo frio e pelas condições desumanas de trabalho e se tornava pouco produtivo.

“A expulsão de malfeitores da sociedade russa era encenada em público numa cerimônia brutal que ao mesmo tempo destacava a gravidade do crime e o poder do soberano. Os culpados de crimes mais graves eram açoitados em praça pública. “O carrasco, antes de cada chicotada, recuou alguns passos, ergueu para trás a mão que segurava o cnute e depois, se inclinando para a frente, aplicou o golpe da tira com toda força nas costas nuas do criminoso. Não parou até infligir 333 chicotadas, o número prescrito pela sentença. Ao fim dessa terrível operação, as narinas do criminoso foram rasgadas com uma tenaz e o rosto marcado com ferro em brasa. E ele foi devolvido à prisão, de onde seria levado às minas da Sibéria.” O relato é do historiador inglês William Coxe, que viajou pelo Império Russo e testemunhou a punição a um condenado por assassinato no mercado central de São Petersburgo, conta Beer.

MULHERES LEILOADAS E ESTUPRADAS
As caravanas para a Sibéria reservavam tormentos especiais para as mulheres. Embora a maior parte delas não tivesse antecedentes, as autoridades partiam do princípio de que muitas condenadas eram prostitutas. O exilado polonês Justynian Rucinski registrou no século 19 que toda mulher exilada era obrigada a aceitar um amante na caravana. A escolha do parceiro não era dela, mas dos condenados, que leiloavam as mulheres e as concediam ao “pretendente” que desse o maior lance. Se rejeitasse a união, a mulher “era submetida a terríveis represálias”. O polonês presenciou “horríveis estupros à luz do dia”. A impossibilidade de separar o pequeno número de mulheres de grandes grupos de homens criava ainda um redemoinho de paixões, luxúria e ciúme que desembocava em violência. As mulheres das caravanas competiam pela oferta de favores sexuais em troca de proteção e assistência material, e havia ainda a proliferação de doenças venéreas.

Os milhares de exilados eram despachados de uma entre cinco cidades do império russo: São Petersburgo, Byalystok (Polônia), Kamenets-Podolsk e Kherson (Ucrânia) e Tbilissi (Georgia), e a maioria passava por triagem na Prisão Central de Encaminhamento de Moscou. De lá partiam para caminhadas de meses ou até o ano inteiro até o destino final. A desidratação e a insolação faziam com que muitos desmaiassem ou morressem durante a marcha. As chuvas do outono traziam alívio apenas temporário do calor, até transformar a estrada em lamaçal em que os exilados afundavam até o joelho. No inverno, muitos tinham graves necroses causada pelo congelamento e perdiam dedos das mãos e dos pés. Exilados podiam percorrer 3.570 quilômetros até o extremo leste da Sibéria – distância entre Rio de Janeiro e Porto Velho (RO).

TRABALHOS FORÇADOS ERAM ‘CLEMÊNCIA’
O mais incrível era o fato de que o exílio demonstrava a “clemência imperial” por poupar a vida do condenado. O poder do czar de não apenas tirar a vida, mas concedê-la com rituais de “execução civil” ou “morte política”, que despojavam os condenados de seus títulos e direitos jurídicos e confiscavam suas terras e suas riquezas numa assustadora demonstração de poder do Estado russo, se estendeu principalmente de Pedro, o Grande (1672-1725) a Nicolau II (1868-1918). Um número incontável de pessoas marcharam agrilhoadas da Europa para a Sibéria.

A Sibéria torna pequena a Rússia europeia. Com 15,5 milhões de quilômetros quadrados, corresponde a uma vez e meia o continente europeu (quase o dobro do Brasil, com 8,5 milhões). Ao contrário do que se pensa, a Sibéria não fica imersa em neve e gelo o ano inteiro. A paisagem de solo congelado coberta de tundra (vegetação baixa, sem árvores) existe apenas acima do paralelo 60, latitude que passa pela Suécia e o Alasca. A maior parte da Sibéria é coberta pela taiga, cinturão de coníferas e florestas de mil a 2 mil quilômetros de largura. Ao Sul da taiga está a estepe, território plano, sem árvores, coberto de gramíneas ou deserto. A maioria dos siberianos vive abaixo do paralelo 60, em climas semelhantes aos dos europeus. No verão, a temperatura na maior parte das cidades siberianas pode chegar aos 30 graus. Mas o inverno é rigoroso, com temperatura de até 40 graus negativos.


LABORATÓRIO DE REVOLUÇÕES

A deportação de revolucionários para a Sibéria, em tese uma vitória dos czares, acabou virando laboratório das revoluções que derrubaram os Romanov em 1917. Entre os exilados havia gerações de rebeldes. Muitos lutavam por uma Constituição liberal, outros pela independência e outros ainda por uma utopia socialista. “A Sibéria se tornou desolada passagem obrigatória na história do republicanismo europeu e do movimento revolucionário russo. No fim do século 19, o governo czarista deportava milhares de revolucionários para prisões e minas remotas da Sibéria. Com todo o isolamento, eles debatiam, planejavam e publicavam tratados para entusiasmar e coordenar os revolucionários que atuavam na clandestinidade nas grandes cidades da Rússia”, lembra Beer.

No fim do século 19, os czares perderam o apoio das potências europeias devido às torturas e massacres na Sibéria, retratados inclusive em charges em jornais. Foi assim que líderes como Lênin, Stálin e Tróstki planejaram com êxito a destituição do czarismo, primeiro no exílio siberiano e depois no exterior. Mas, depois de 1917, o exílio e o trabalho forçado foram restituídos pelos bolcheviques e os castigos foram reformulados. “Os bolcheviques herdaram um dilema prático do czares: como extrair os imensos e valiosos recursos minerais da vastidão remota e como conter a criminalidade e a subversão dentro do Estado soviético”, aponta Daniel Beer.

 

ILYA REPIN (1844-1930)

Autor das duas pinturas que ilustram estas páginas, Ilya Repin nasceu em Chuhuiv (atualmente na Ucrânia), filho de um militar e uma professora. Aos 20 anos, ingressou na Academia Imperial de Artes. Mais tarde, tornou-se o maior nome do realismo russo do século 19. A grandeza de Repin na pintura é comparada na literatura à de Tolstói, de quem foi amigo por 30 anos. Dedicou-se a registrar pessoas comuns como forma de denunciar as injustiças do Estado czarista e as contradições da sociedade da época, o que despertou o comentário de Dostoiévski: “É impossível não amá-los, estes inocentes”. A tela Retorno inesperado (ou Não esperado, traduzido literalmente do russo), retrata com dramaticidade o impacto da chegada, sugerindo uma densidade psicológica digna de Dostoiévski. Depois de consagrado, retratou personagens da elite política, mas era crítico do regime e, em 1917, recebeu a Revolução Russa com entusiasmo. Foi convidado oficialmente por Lênin para morar em Moscou e servir de mestre à arte pretendida pelos revolucionários, o que viria a se tornar o realismo soviético, mas optou por viver em Kuokkala, onde morreu em 1930. Posteriormente, a cidade foi renomeada em sua homenagem como Repino.

 

AS LÁGRIMAS DA IMAGINAÇÃO

“Quando tento me lembrar de mamãe, tal como ela era naquele tempo, tudo que vejo são seus olhos castanhos, que sempre exprimiam a mesma bondade e o mesmo amor, um sinal de nascença no pescoço, um pouco abaixo do lugar onde os cabelinhos mais finos se enroscavam, a gola branca e bordada, a mão terna e seca, que tantas vezes me acariciava e que tantas vezes eu beijava, mas a fisionomia geral me escapa. Por mais vivas que sejam as recordações, quando tentamos ressuscitar na imaginação as feições de uma pessoa querida, só a vemos de modo vago, como se fosse através de lágrimas. São as lágrimas da imaginação. Com a morte de mamãe, teve fim o período feliz da minha infância e começou uma idade nova: a idade da adolescência.”

Décadas antes de escrever suas obras-primas (Guerra e paz e Ana Karenina), Liev Tolstói (1828-1910), com menos de 30 anos, produziu três joias literárias e filosóficas da literatura mundial: Infância (1852), que inclui a bela narrativa acima, Adolescência (1854) e Juventude (1857), suas primeiras publicações, transformadas em trilogia que chega ao mercado brasileiro com tradução de Rubens Figueiredo. É uma obra inconclusa, porque ele pretendia continuá-la, mas nunca o fez por achar que era uma produção menor por misturar realidade e ficção.

INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA, JUVENTUDE 2022 De Liev Tolstói Todavia 496 páginas R$ 69,90 (livro) e R$ 39,90 (e-book)

GENIALIDADE PRECOCE
A trilogia mostra a genialidade precoce de Tolstói, que traça um curioso perfil psicológico e filosófico de si mesmo na pele do garoto protagonista Nikólienka, enquanto descobre o processo de amadurecimento atravessando a infância e a adolescência até o início da juventude. Quando começou a escrever Infância, Tolstói tinha 24 anos e estava no Cáucaso como soldado voluntário do Exército do Império Russo para lutar contra montanheses da região. Pouco depois de chegar à região, ele escreveu em seu diário: “Como vim parar aqui? Não sei. E para quê? Também não sei”. Na verdade, herdeiro de uma propriedade rural, Tolstói queria aventuras e experiências fortes. De lá, inclusive, se transferiu para as tropas que travavam a emblemática Guerra da Crimeia, onde, por várias vezes, quase perdeu a vida.

Tolstói foi de início admirador do Império Russo, mas crítico na maturidade. O czar Alexandre III (1881-1894), por exemplo, que nomeou seu primo Dmitri Tolstói ministro do Interior, considerava Guerra e paz uma obra-prima, mas chamava Tolstói de “um niilista sem Deus” e vetou suas obras posteriores, conta o historiador Simon Sebag Montefiore no livro Os Romanov. Segundo ele, após a morte de Dostoiévski, em 1881,Tolstói passou a ser o homem mais famoso da Rússia, mas seu socialismo cristão puritano em favor dos assassinos do czar Alexandre II (1818-1881) convenceu Alexandre III de que ele era um “maluco perigoso” e suas obras foram proibidas no ocaso do império dos Romanov.

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