Impostos cumulativos pressionam valores de autopeças importadas da europa

A taxa de câmbio Euro-real, o custo do transporte marítimo pelo Atlântico, tarifas alfandegárias, impostos e atrasos são algumas das razões dos altos preços

Euro valorizado, frete marítimo e impostos cumulativos ajudam a explicar por que autopeças europeias chegam mais caras ao consumidor brasileiro Divulgação
Euro valorizado, frete marítimo e impostos cumulativos ajudam a explicar por que autopeças europeias chegam mais caras ao consumidor brasileiro
clock 11/02/2026 16:01
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Uma peça europeia no Brasil custa mais caro do que na Alemanha, e a razão é a taxa de câmbio Euro-real, o custo do transporte marítimo pelo Atlântico, tarifas alfandegárias de 10% a 35%, impostos IPI e ICMS, além de atrasos nos portos durante períodos como o carnaval e as estações chuvosas.

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Para os proprietários de veículos brasileiros neste ano, isso significa que o preço é formado por várias camadas. O fortalecimento do euro aumenta automaticamente o custo da importação, mesmo que o preço na Europa não tenha mudado. 

 

A logística marítima ainda adiciona frete e seguro e a alfândega brasileira aplica impostos em vários níveis. Além disso, os picos sazonais, como a Black Friday e as estações chuvosas, criam atrasos que aumentam os custos operacionais dos fornecedores.

 

A moeda afeta a margem de compra do comprador

 

A maioria das peças é produzida na Europa, sendo assim, o custo de matérias-primas, produção e salários são em euros. Quando o real enfraquece, o comprador brasileiro automaticamente paga mais pela mesma peça. Isso é especialmente notável em marcas premium e componentes OEM.

 

Logística e armadilhas sazonais

 

De acordo com dados da DHL eCommerce (2025), a entrega entre países europeus leva de 1 a 9 dias sem contar a alfândega. Para o Brasil, os prazos dobram ou triplicam. 

 

Dentre os fatores de atraso nas entregas no Brasil estão o carnaval (fevereiro-março), a Black Friday e as festas de fim de ano, que sobrecarregam toda a cadeia logística de armazéns lotados, e a prioridade é dada a produtos de massa. As estações chuvosas (de dezembro a março no sudeste) também inundam estradas e atrasam a "última milha". Os portos de Santos e Rio enfrentam regularmente congestionamento de contêineres.

Quando um contêiner é atrasado, os custos de armazenamento aumentam e é necessário buscar rotas alternativas. Esses custos são incluídos no preço.

 

A plataforma europeia AUTODOC inaugurou em 2025 um armazém em Ghent (Bélgica) perto dos principais portos para reduzir a volatilidade. Alexandru Lazariuc, Technical Specialist in Auto Parts Selection, explica em post no LinkedIn: 

 

"Quando a cadeia de suprimentos está sob pressão, a proximidade dos portos salva. Uma rede distribuída permite enviar peças mais rapidamente do centro mais próximo e controlar melhor os picos sazonais." Mas ele reconhece: "Os prazos de entrega não são uniformes, a qualidade dos serviços de courier varia. A 'última milha' depende de transportadoras locais."

 

As tarifas alfandegárias se somam em efeito cumulativo

 

Segundo o Trade.gov, o imposto de importação no Brasil varia de 10% a 35%, dependendo da classificação da mercadoria pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Mais o imposto federal IPI (0 a 15%) e o imposto estadual ICMS (7 a 25%, em São Paulo 7 a 18%). Os impostos são calculados cumulativamente: o IPI é cobrado sobre o CIF mais a tarifa, o ICMS sobre tudo isso mais o IPI.

 

Com exceção a categoria preferencial: a Solução de Consulta nº 3 de fevereiro de 2024 confirmou que peças não produzidas no Brasil e classificadas como bens de capital ou equipamentos de TI podem ser importadas com alíquota de 2%, mesmo para o mercado aftermarket. 

 

Isso é regulamentado pela resolução GECEX nº 284 de dezembro de 2021. Segundo o escritório de advocacia Tozzini Freire, a decisão eliminou a incerteza: agora está claro que o benefício se aplica não apenas à produção de carros novos, mas também ao reparo.

 

O que os proprietários de veículos podem fazer

 

Uma peça percorre o seguinte caminho: fábrica na Europa, armazém europeu, contêiner marítimo, alfândega brasileira, serviço de courier local. Cada etapa adiciona um custo, sejam as taxas de câmbio, tarifas ou atrasos sazonais, e tudo isso explica a diferença de preço entre a Alemanha e o Brasil.

 

Dicas práticas para compradores em 2026 é evitar pedidos em períodos de pico (carnaval, Black Friday, dezembro-janeiro). Verificar se a classificação da peça se enquadra na categoria preferencial com tarifa de 2% e considerar a taxa de câmbio euro-real ao planejar grandes compras.

 

O aumento dos preços das autopeças europeias no Brasil em 2026 é determinado pela taxa de câmbio euro-real, pelo custo do transporte marítimo pelo Atlântico, por tarifas em vários níveis (de 2% a 35% mais IPI e ICMS) e por atrasos logísticos em picos sazonais. Compreender esses fatores ajuda a planejar compras levando em conta os mecanismos reais de precificação.

 

Fontes de informação: Artigo baseado em dados da DHL eCommerce (2025), Trade.gov, Privacy Shield, Tozzini Freire, Solução de Consulta nº 3 da Receita Federal (fevereiro 2024), Resolução GECEX nº 284 (dezembro 2021), AUTODOC, Alexandru Lazariuc (LinkedIn) e Laws of Brazil. 

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