Gravadoras americanas fazem 'greve' contra o racismo

Nesta terça, indústria musical dos EUA faz 'apagão' em apoio à onda de protestos pelo assassinato do segurança negro pela polícia, em Minneapolis. Estrelas da música e do cinema exigem justiça

AFP 02/06/2020 07:36
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Artistas americanos se uniram para pedir justiça e protestar contra a violência policial e o racismo, juntando-se à onda de manifestações que se espalharam pelo mundo depois do assassinato de George Floyd, homem negro de 40 anos, pelo policial branco Derek Chauvin em Minneapolis, nos Estados Unidos. O crime ocorreu na última quinta-feira.

As gravadoras mais importantes dos Estados Unidos farão “greve” nesta terça-feira (1º/6) em solidariedade aos manifestantes contra o racismo, que reivindicam mudanças estruturais na sociedade americana e o fim da brutalidade policial.

Atlantic Records, Capitol Music Group, Warner Records, Sony Music e Def Jam, entre outras empresas, aderiram à campanha #TheShowMustBePaused (o show deve parar), que surgiu no calor dos protestos que tomaram as ruas dos Estados Unidos.

“É difícil saber o que dizer, porque tenho lidado com o racismo a vida toda. Dito isso, ele está levantando a cabeça feia agora e, por Deus, é hora de enfrentá-lo de uma vez por todas”, afirmou o lendário produtor Quincy Jones, de 87 anos.

“Como guardiões da cultura, é nossa responsabilidade não apenas nos unir para comemorar vitórias, mas também nos apoiar durante uma derrota”, disse Quincy.

A Columbia Records enfatizou que a paralisação desta terça-feira não significa “dia de folga”, mas uma forma de encontrar maneiras de avançar em pautas solidárias. “Talvez com a música desligada, possamos realmente ouvir”, afirmou a empresa, por meio de comunicado. Vários selos fonográficos se comprometeram a fazer doações para organizações de direitos civis.

“Estamos com nojo, não podemos normalizar essa dor”, afirmou a cantora Beyoncé. “Chega de assassinatos sem sentido de seres humanos, chega de dizer que pessoas negras são menos que humanos”, declarou. Em um vídeo, a estrela pede assinaturas para a petição #JusticeForGeorgeFloyd., que a plataforma change.org vem divulgando.

“Nos últimos dias, a magnitude da devastação, raiva e tristeza que senti foi esmagadora, para dizer o mínimo! Ver meu povo sendo assassinado e linchado dia após dia me levou a um lugar sombrio”, desabafou a cantora Rihanna em sua conta do Instagram.

HINO 

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O ator e cantor Jamie Foxx publicou uma foto que relembrou o protesto do jogador de futebol americano Colin Kaepernick, que se ajoelhava quando o hino nacional dos EUA tocava em jogos como forma de protesto contra o racismo no país.

“Não podemos mais ficar calados”, disse Foxx, que relembrou casos de vários negros mortos policiais nos últimos anos. “Desta vez, não deixaremos que seu nome (George Floyd) seja apenas uma hashtag. Seu espírito se ergueu com os gritos de todos nós que pedem pela justiça em seu nome”, disse a apresentadora Oprah Winfrey.

“Como muitos disseram, não basta não ser racista, devemos ser antirracismo”, afirmou a cantora Céline Dion. “Meu coração se parte por George Floyd, sua família e o povo de Minneapolis. Assassinato é assassinato”, protestou Lady Gaga.

“É isso que significa ser negro nos Estados Unidos. Acusado. Julgado. Morto por ser negro. Por centenas de anos, somos determinados por políticas que restringiram a nossa existência”, destacou a atriz Viola Davis.

“Só vencemos quando conseguimos normalizar a igualdade”, defendeu o ator Dwayne Johnson, criticando a atuação policial e ressaltando a necessidade de mudança na sociedade norte-americana.

O rapper Jay-Z, nome de ponta da indústria fonográfica norte-americana, exigiu justiça e a punição dos envolvidos na morte de Floyd. O empresário e músico ligou para Tim Walz, governador de Minnesota, estado onde o crime ocorreu, para exigir providências urgentes.

Jay-Z elogiou a nomeação do procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, para cuidar do julgamento do caso Floyd. “Sou um ser humano, um pai e um homem negro com dor... Estou mais determinado a lutar por justiça do que qualquer luta que aqueles que tentam me oprimir possam empreender”, avisou o rapper.
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“Peço a todos os políticos, procuradores e autoridades dos Estados Unidos que tenham a coragem de fazer a coisa certa. Tenham a coragem de nos olhar como humanos, pais, irmãos, irmãs e mães”, enfatizou.

Ariana Grande, Jennifer Aniston, Selena Gomez, Kevin Hart, Justin Bieber, Dr. Dre, Cardi B, Billie Eilish e Killer Mike expressaram sua raiva e solidariedade à família de Floyd.

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TRUMP 

A cantora Taylor Swift questionou a posição de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em relação à onda de protestos desencadeada pelo assassinato em Minneapolis. “Depois de alimentar o fogo da supremacia branca e do racismo por toda a sua administração, você tem o poder de fingir superioridade moral?”, disse ela.

A jovem compositora Billie Eilish postou em seu perfil no Instagram: “Neste momento, temos que lidar com centenas de anos de opressão dos negros. O slogan #BlackLivesMatter não significa que outras vidas não importam. Está chamando a atenção para o fato de que a sociedade pensa claramente que vidas negras não importam!”.

LANÇAMENTOS CANCELADOS

Sony e Google adiaram a apresentação de novos produtos devido aos protestos contra o racismo que tomaram as ruas dos Estados Unidos. “Não é o momento de comemorar lançamentos. Agora, principalmente, devemos permitir que vozes mais importantes sejam ouvidas”, publicou a Sony na conta @PlayStation, no Twitter. Novos títulos do console de videogames da Sony chegariam a público na quinta-feira. O Google, que apresentaria amanhã a nova versão do sistema operacional para smartphones Android, adiou o evento. “Não é o momento de comemorar”, informou a empresa.

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