Pabllo Vittar volta à juventude em novo álbum Não para não

Cantora presta homenagem aos ritmos do Maranhão e Pará, influências caribenhas e faz fusão de gêneros sem perder a pegada dançante

por Débora Anunciação* 11/10/2018 09:00

Pedrita Junckes/Divulgação
Drag queen defende união contra o preconceito e diz que, mesmo com tanto ódio, sairá de cabeça erguida (foto: Pedrita Junckes/Divulgação)
Pabllo Vittar retorna às origens nordestinas e nortistas em seu segundo álbum, Não para não, lançado nesta semana nas plataformas digitais. Em entrevista ao EM, Pabllo conta que estava “cavucando” referências para o novo disco há um ano, uma homenagem à infância dividida entre o Maranhão e o Pará. A maioria veio de ritmos tradicionais como carimbó, cúmbia, axé, forró e o pagodão. Como influências, cita Calypso, Banda Djavú, as guitarradas do Pará, Mestre Pinduca e Dona Onete. “Minha juventude foi assim, me requebrava toda”, brinca.

Não para não propõe uma reconstrução dos ritmos e, sem se prender a rótulos, assim como a artista, o álbum passeia por misturas como forró pop, techno brega e eletro pagode. A nova empreitada remete ao começo da carreira, quando publicava covers de canções internacionais no YouTube. Um dos mais assistidos é Open bar, versão brega de Lean on (Major Lazer e DJ Snake com MØ). Antes de estourar nas mídias digitais, a cantora também passou por Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde mora sua família. “É uma exaltação a tudo o que já conquistei, às minhas lutas. Em todas as faixas eu me lembrava da minha mãe e do que passei no Maranhão e no Pará, dos dias felizes e dos dias tristes”, lembra.

Desde então, a drag queen maranhense tem quebrado recordes. Em seu álbum de estreia, Vai passar mal (2017), enveredou pelo pop dançante e lançou hits que alcançaram o topo das paradas – Todo dia, K.O. e Corpo sensual. A parceria com Anitta e Major Lazer, em Sua cara, bateu a marca de 20 milhões de visualizações em apenas 24 horas no YouTube. Não para não se tornou o único disco de um artista brasileiro a ter todas as faixas no top 50 das mais ouvidas do Spotify.

Amor é tema constante nas composições, mas a sofrência vem em formato de festa. “Tem música para chorar, mas todas são para dançar. Você pode sofrer ouvindo Disk me e depois vem Buzina e você já está batendo a bunda”, brinca.

 

Assista ao clipe de Disk me:

 

Ouro é parceria com a melhor amiga de Uberlândia e também cantora, Urias. “A música fala de apoiar os amigos em momentos bons e ruins, dar a voz para quem gosta da gente de verdade. Ela me viu crescendo e agora estou vendo ela crescer”, conta. Vai embora mescla de trap e pagode baiano, tem participação de Ludmilla. Pabllo lembra de acompanhar o trabalho da cantora desde o lançamento de Fala mal de mim, quando ainda utilizava o nome artístico de MC Beyonce. O cantor e compositor Dilsinho faz participação em Trago seu amor de volta, um axé/samba/pop carnavalesco.

Em No hablo espanol, Pabllo aposta nos clichês do espanhol para brincar com a possibilidade de cantar em outros idiomas. “É como se fosse um ‘olar’ para essa comunidade. Ainda não hablo, mas estou abrindo caminhos”, diz, relembrando que recebe mensagens de fãs de todo o mundo.

No Instagram, Pabllo Vittar se tornou a drag queen mais seguida do mundo, ultrapassando a veterana RuPaul. Atualmente, tem mais de 7,4 milhões de seguidores na rede social, entre eles drag queens do reality show RuPauls’ drag race. Segundo ela, o programa foi uma das inspirações para começar a se montar.

As referências internacionais podem ser vistas na estética do álbum digital. No YouTube, cada canção recebeu uma capa própria, com direito a fotografias e poses diferentes. “Lá fora existe uma preocupação muito grande com o visual, então quis trazer isso para os Vittar Lovers – apelido para seus fãs –, algo que entretenha a vista e os ouvidos”, conta. O disco também ganhará versão física, e até uma tiragem de LPs “para as gatas que gostam muito”, diverte-se.

POLÍTICO Pabllo Vittar deixa claro seu posicionamento. Nas redes sociais, foi uma das primeiras celebridades a aderir ao #elenão, movimento contrário à candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PSL). A cantora diz sentir medo no atual cenário político, mas permanece otimista. “Isso não vai calar nossa voz, nem nos deixar para baixo. Estamos passando por um momento difícil e precisamos nos unir para combater esse mal juntos. Em minhas orações, peço a Deus para que nada de mal aconteça com meus fãs, para passarmos por isso de cabeça erguida.” Recentemente, declarou pelo Instagram que seu voto do segundo turno será em Fernando Haddad (PT).

Como resposta às declarações de Pabllo, eleitores do candidato a Presidência Jair Bolsonaro promoveram um boicote ao novo trabalho. Uma campanha incentivava a classificar com ‘não gostei’ os vídeos das músicas. O clipe de Disk me já recebeu mais de 133 mil dislikes na plataforma. “Acho tão ridículo isso, porque não incito e nem saio de casa para pregar ódio. Mas recebo muito amor, então, não me afeta. Meu sorriso continua aqui, minha cabeça continua erguida e meu CD inteiro continua no top 20 do Spotify”, afirma. Os números são expressivos. Até o fechamento desta matéria, o mesmo videoclipe ultrapassava 11 milhões de visualizações, com 307 mil “joinhas”.

Para a drag queen, artistas populares entre a comunidade LGBTQI precisam tomar partido. “Você não quer ver seu fã morrer apanhando na rua, sofrendo ou sem direito básico de viver. O mínimo que podemos fazer é nos posicionar, mostrar que estamos com eles e não é só por mídia. Se gosto de um artista, quero saber se ele está comigo ou não, se ele está a fim da minha existência, porque consumo o trabalho dele. É importante, não é um rolê de artista, é um rolê de ser humano”, diz.

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