Com show da Fase Rosa, IDEA em Pauta usa arte para discutir o espaço urbano

Debate entre convidados e apresentações musicais marcam a 4ª edição do festival que tem como tema o direito à cidade

por Pedro Galvão 10/08/2018 12:04

 Ana Eisbäer e Fernanda Navegando / Divulgação
A Fase Rosa lançou seu último disco em 2014 (foto: Ana Eisbäer e Fernanda Navegando / Divulgação)
De volta aos trabalhos depois de um hiato de quase dois anos, a Fase Rosa é a principal atração musical do festival IDEA em Pauta, nesta sexta-feira (10/8), n’A Autêntica. A banda belo-horizontina levará ao palco músicas de seus álbuns anteriores, Homens lentos (2013) e Leveza (2014). Além da sonoridade que agrega diferentes vertentes rítmicas brasileiras, o grupo também é conhecido pelo envolvimento com o espaço urbano e suas manifestações culturais, como o carnaval. Presença oportuna no evento, cujo tema da vez é o ‘direito à cidade’.

“Demos uma parada depois de anos intensamente produtivos. Sempre produzimos com recursos próprios e estava um ambiente muito intenso para gente, de dedicação e entrega. Conseguimos realizar coisas muito interessantes na cena local, e até nacionalmente, mas chegou a um momento que precisamos de um descanso”, explica o vocalista Thalles Silva, sobre o intervalo feito por eles.

Embora o retorno seja com a canções já conhecidas do público, ele garante que houve uma repaginada no trabalho. “Executamos algumas mudanças, quase todos os arranjos foram revistos, nada radical no estilo da banda, mas no estilo de produção. Limpamos os arranjos e estamos com um carinho maior com cada música. Preparamos um repertório que faria sentido pra gente, com músicas que estávamos estava muito a fim de tocar”, detalha Thalles. O show de hoje será o terceiro desde o retorno às atividades, em abril.

Com letras inspiradas, por exemplo, na “Praia da Estação” e em outros fenômenos das grandes cidades, a linguagem da banda dialoga diretamente com a proposta da atual edição do IDEA em Pauta. “O direito à cidade é um lugar de discussão, que já estivemos muito próximos através da universidade. Me formei em turismo e pesquisei sobre gentrificação em 2013. O Rodrigo (Magalhães), nosso baixista, também. É um ambiente de debate que sempre fez parte do nosso cotidiano, um assunto forte, que aparece em muitas músicas, especialmente no primeiro disco. Não foi uma temática determinada. Foram surgindo letras que falavam disso e virou uma característica. É o lugar natural da nossa conversa, um olhar político sobre a cidade, sobre o lugar, sobre o comportamento das pessoas, é algo natural para mim”, argumenta o cantor, que é fundador do grupo Juventude Bronzeado, um dos pioneiros do atual carnaval da capital.

Sobre a nova folia de rua belo-horizontina, observada como uma das principais manifestações populares da cidade nos últimos tempos, ele entende que “o carnaval se tornou um atestado muito importante para cidade". "Começou a tomar alguns rumos que fazem parte, com alguns discursos perdendo voz diante do entretenimento e da diversão. Mas é muito positivo que as pessoas consigam pular um carnaval da forma que pulam. De início era um carnaval mais cercado, em todos os sentidos, isso refletia na unidade de discurso, hoje isso se dilui em diversas formas. Acho que nesse sentido o carnaval é uma conquista da cidade”, observa Thalles.

Convidados falam sobre a arte e a cidade
A noite musical n’A Autêntica ainda terá shows com Luiz Gabriel Lopes e Nobat. Na abertura, ontem à noite na IDEA Casa de Cultura, a escritora Conceição Evaristo, o historiador Guto Borges e a atriz, diretora de teatro e vereadora Cida Falabella participaram de uma mesa de debates sobre o assuntos. “Essa temática me toca profundamente, me traz lembranças do tempo de toda minha infância e juventude em Belo Horizonte. Quando penso em BH, me pergunto: quais são os grupos sociais que realmente tem direito à essa cidade? Isso me traz toda uma geografia afetiva. Toda vez que estou aí e vou ao bairro da Serra, vejo uma geografia marcada pela especulação imobiliária, uma BH que cresce verticalmente, bem diferente da lembrança que tenho”,  questiona Conceição Evaristo, natural da capital mineira, mas radicada no Rio de Janeiro, em conversa com a reportagem antes do evento.

Para ela, a literatura pode se desvencilhar dos livros e ganhar o espaço urbano de outras formas. “A literatura marcada pela oralidade, pela participação popular, pode ser cantada, dita, explicitada em praças públicas. É preciso pensar essa ocupação da literatura não somente pelo livro, mas explicitar através do corpo, da voz e em qualquer espaço”, afirma a autora, que é reverenciada como uma das principais personalidades do movimento negro e das mulheres no Brasil.  “O direito à cidade é um direito a toda e qualquer parte da cidade. Direito de estar no Centro não somente no momento de ir trabalhar, mas também nos momentos de cultura e lazer”, reforça.

O discurso dela se afina ao de Cida Falabella, atriz, diretora de teatro e vereadora de BH pelo Psol. Além da experiência de usar o teatro como instrumento de militância em espaços urbanos, ela oferece a visão de quem está envolvida com as políticas culturais da cidade.  “O principal desafio era primeiramente recolocar a cultura no centro do debate político, na sua transversalidade, atravessando as lutas contra preconceitos e opressões, e qualificando com mais recursos. Muita gente questiona o gasto com uma secretaria de cultura, mas ela é tão importante como a educação, a saúde, a segurança e a mobilidade”, declara a parlamentar.

 

Serviço - Festival IDEA em Pauta Edição IV

Shows: Fase Rosa, NObat e Luiz Gabriel Lopes

Sexta-feira, 10 de agosto, às 22h, n'A Autêntica (RUa Alagoas, 1172, Funcionários)

Ingressos: R$ 15 (antecipado no site www.sympla.com.br/aautentica, e R$ 20, na portaria.

Mais informações: (31) 3654-9251

 

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