Visibilidade em programas de entretenimento não é sinônimo de sucesso, avaliam especialistas

Os cantores Lucy Alves, Thiaguinho e Roberta Sá perderam realities da TV, mas conquistaram a fama

por Ana Clara Brant 08/04/2018 08:15
Washigton Possato/Divulgação
Em 2013, Lucy Alves perdeu o The voice Brasil, mas gravou dois discos, ganhou papel de destaque em Velho Chico e integrou o elenco de Tempo de amar (foto: Washigton Possato/Divulgação)

Na tarde deste domingo, será conhecido o vencedor da terceira edição do The voice kids Brasil. Mariah Yohana, Neto Junqueira, Talita Cipriano e Eduarda Brasil disputam a finalíssima. O paranaense Wagner Barreto foi o campeão da primeira temporada, em 2016, enquanto o gaúcho Thomas Machado venceu no ano passado. Ambos lançaram discos depois do programa, mas a fama não veio. “Já ficou claro: programa de disputa musical serve apenas para entretenimento, não para lançar artistas de sucesso. Casos como os do Thiaguinho e da Roberta Sá (participantes de Fama, em 2002), além da Lucy Alves (The voice Brasil, em 2013), são exceções”, avalia Sérgio Santos, blogueiro especializado em TV e entretenimento.

Finalista da edição vencida pelo cearense Sam Alves, Lucy se projetou nacionalmente, mesmo sem a vitória. A cantora e compositora paraibana assinou contrato com a Universal Music e, em 2014, lançou seu primeiro álbum solo. Em 2016, estreou como atriz na novela Velho Chico. No mesmo ano, fechou com a Warner Music Brasil e acaba de participar de outra trama global, Tempo de amar.

Lucy considera The voice uma “vitrine encantadora” e divisor de águas em sua trajetória, mas acha complicada a tese de que vencer pode não ser o melhor negócio.

“Cada caso é muito particular. Não dá para medir ou imaginar se alguém fará sucesso ou como fará. Às vezes, a pessoa xis tem todos os requisitos para se tornar popstar, mas não deslancha. Outras vezes, pessoas desacreditadas têm grande boom na mídia. Ainda não descobrimos a fórmula do sucesso, de fato. Nem sempre vencer o programa significa algo. Se você estiver preparado, quando a oportunidade certa surgir, conseguirá agarrá-la com mais afinco”, afirma.

A cantora, atriz e instrumentista não sabe se o futuro seria diferente caso vencesse o The voice Brasil, mas acredita que obteve a visibilidade equivalente à do primeiro lugar. “Foi a mesma importância, pelo menos senti isso. Tive também a oportunidade de assinar com uma gravadora. Foi tudo como tinha de ser”, comenta.

IMPACTO

O professor Claudino Mayer, doutor em ciências da comunicação e especialista em teledramaturgia pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), diz que o reality show tem impactos distintos. Se alguém se sagrou campeão e hoje não está sob os holofotes, isso não é necessariamente ruim, acredita.

“Nem todo mundo ali está atrás da fama ou do sucesso. Tem gente que vai para buscar o prêmio em dinheiro – a maioria, acredito. Outros estão atrás de reconhecimento pessoal ou mesmo de conseguir um emprego. A proposta do reality é bem clara: gerar lucro e audiência para a emissora. Porém, no caso de quem está lá dentro, os desejos são bem variados”, observa.

Daryan Dornelles - André Schirilo  - Leticia Moreira - Raquel Cunha/Divulgação
Roberta Sá, derrotada em Fama (2002); Thiaguinho, derrotado em Fama (2002); Sabrina Sato, derrotada no BBB3; Grazi Massafera, derrotada no BBB5 (foto: Daryan Dornelles - André Schirilo - Leticia Moreira - Raquel Cunha/Divulgação)

No caso específico do longevo Big brother Brasil, que está em sua décima oitava edição, o blogueiro Sérgio Santos observa que muita gente se candidata à atração com outras pretensões além de vencer, como ganhar visibilidade e ficar famoso. Embora nesse caso o prêmio de R$ 1,5 milhão seja um atrativo nada desprezível.

“É relativa a questão de que os vencedores se projetaram menos do que quem não ganhou. Depende de carisma, do carinho do público, de tudo que a pessoa fez na ‘casa’. Muitas vezes, quem ‘causa’ mais ganha adoração, mas muito ódio também. E esse ódio faz diferença na hora do prêmio. Então, nem sempre vence quem gera mais repercussão”, analisa.

SISTERS

Reality de maior repercussão no país, o global Big brother Brasil surgiu em janeiro de 2002 e soma aproximadamente 300 participantes em suas 17 edições concluídas (a atual termina em 19 de abril).

Pouquíssimos estão na grande mídia: Grazi Massafera, que virou atriz da Globo; Sabrina Sato, que fez sucesso no humorístico Pânico e hoje comanda um programa na Record; e Juliana Alves, também do casting global. Nenhuma das três “sisters” venceu. Dos campeões, quem conquistou mais projeção foi o jornalista Jean Wyllys, que se elegeu deputado federal do PSOL fluminense.

“Todas essas figuras tiveram comportamento de respeito e ética durante o programa. Certamente, isso contribuiu para que continuassem em evidência. Tanto é que nenhum dos chamados vilões fez sucesso. Quem não teve boa conduta lá dentro não conseguiu se sobressair. Mas, claro, não é só isso. A Grazi se mostrou atriz talentosíssima, a Sabrina encanta por sua espontaneidade e o Jean se tornou representante de uma classe. Ele foi um dos parlamentares mais votados do país”, ressalta o blogueiro.

Sérgio Santos diz que esses casos são raríssimas exceções. “Até a Siri pode ser citada, pois está até hoje na Rede TV!”, observa, referindo-se a Íris Stefanelli. “Só quem tem vocação, mesmo, consegue se firmar como apresentadora ou atriz. É o caso da Grazi e da Juliana. Sabrina, para falar a verdade, nunca teve talento nem como atriz nem como apresentadora. O caso dela é o carisma e o jeito engraçado natural. Você já reparou que nenhum homem se firmou? Nem o Alemão, o mais querido de todos. Isso porque não basta querer, precisa ter talento para tal”, opina.

No entanto, o professor Claudino Mayer garante: o que pode ser fama para uns tem significado diferente para outros. “Sucesso não é só aparecer na TV, nos jornais, virar artista famoso. Cida, a babá que foi a primeira mulher a ganhar o BBB, em 2004, não deixa de ser exemplo de sucesso. Outros ganhadores abriram ou expandiram negócios. De certa forma, todo mundo colheu os frutos do reality show”, conclui.

O mineiro que venceu Thiaguinho

Marcus Vinicius, mineiro de Contagem, tinha apenas 18 anos quando sua vida mudou radicalmente. Em 2002, ele venceu o reality Fama bis, promovido pela TV Globo. “Eu cantava, mas era amador. Foi ali que tudo começou, devo muito ao programa. O Fama me deu uma carreira”, ressalta.

Gean Assis/Divulgação
Marcus Vinile brinca com o 'caso Thiaguinho' em seus stand-ups (foto: Gean Assis/Divulgação)
Depois daquela vitória, ele gravou CD e emplacou uma canção na trilha sonora da novela Sabor da paixão. Entre seus adversários no programa estavam Thiaguinho, que, posteriormente, tornou-se ídolo do pagode no país, e Roberta Sá, cantora de destaque na MPB.

Vira e mexe, alguém brinca com o mineiro - que passou a assinar Marcus Vinile, desde 2010 -, lembrando que ele derrotou Thiaguinho. “Eu mesmo me divirto com essa história. Sou comediante e, no meu stand-up, faço piada com isso. Thiaguinho é o meu personagem predileto (risos)”, afirma. “Porém, não ganhei só dele. Ganhei de todo mundo. Reconheço o sucesso dele, a carreira do Thiaguinho tomou um rumo diferente da minha”, comenta Vinile.

O músico conta que a banda Jeito Moleque gravou uma canção dele e sua Motivos fez parte da trilha de Malhação: Seu lugar no mundo (2015/2016).

Com agenda de shows e stand-ups, além de comandar um canal no YouTube (www.youtube.com/user/marcusvinile), Marcus, de 33 anos, relativiza a importância dos realities. “Sou muito grato, mas não me escoro nisso. Graças a Deus, tudo o que fiz deu supercerto. Acho meio estúpidas essas comparações de quem ganhou e não ganhou. Continuo muito bem, apesar de não ter um alcance estratosférico. Se algum empresário aparecer e quiser investir em mim, vou achar ótimo, mas não é algo que me aflige. Estou muito feliz”, assegura.

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