Ícone da música infantil nacional, Balão Mágico pode voltar aos palcos

Bloco de carnaval homenageou o quarteto e pesquisador mineiro reúne a memorabilia do grupo em sua casa

por Márcia Maria Cruz 28/03/2018 08:00
Beto Novaes/EM/D.A Press
Beto Novaes/EM/D.A Press (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Pioneiro dos grupos infantis de sucesso no Brasil, o Balão Mágico, que completa 35 anos em 2018, pode voltar aos palcos. O possível retorno de Tob, Mike, Jairzinho e Simony é comemorado por antigos fãs, que agora repassam o repertório para os filhos. É o caso da servidora pública Nathália Bini, de 37 anos. Ela faz parte da Charanga Padê, que sai no carnaval de BH com mães na bateria e repertório de músicas infantis.

Guardando com carinho os cinco álbuns do Balão, Nathália repassou a paixão para os filhos Miguel, de 6, e Pedro, de 3. As mães batuqueiras têm na ponta da língua os hits Lindo balão azul, Amigos do peito, Superfantástico, Ursinho Pimpão, Baile dos passarinhos, É tão lindo, Se enamora, Tia Josefina, Barato bom é da barata e Tic-tac.

“Cresci ouvindo o Balão Mágico. As letras são bem bacanas. O grupo com aquela garotada era uma ousadia para a época. Como sou apaixonada, ensinei para os meus meninos, que sabem cantar tudo”, conta Nathália. A trilha infantil marcou a infância dos fãs, hoje na faixa dos 40 anos. “Tinha uma paixãozinha de final de infância, escutava Se enamora e me lembrava dele. Aquela música embalou esse despertar”, recorda Nathália. Dia dos Pais era cantada por ela e as irmãs ao levar o café da manhã para o pai. “Até hoje almoçamos juntos no Dia dos Pais, e cantamos para ele, que fica superemocionado e chora.”

Nathália Bini participa do grupo Padecendo no Paraíso, que reúne 7 mil integrantes no Facebook e é voltado para questões como família e maternidade. O bloco carnavalesco Charanga Padê, cujas integrantes têm de 30 a 40 anos, toca as músicas do Balão Mágico. “Quando começa Superfantástico, mães e pais piram. O repertório da Charanga é para as crianças, mas também pra eles, que curtem demais”, conta ela.

ANOS OITENTA

Na década de 1980, a televisão aberta ampliou o espaço das atrações voltadas para crianças. Além do Balão Mágico, outro destaque era Daniel Azulay. “Tomas Muñoz viu o sucesso dos grupos infantis no exterior. Então, convidou Simony, na época com 5 anos, atração do programa do Raul Gil. Depois, convidou o Tob, que também se destacava em um programa de auditório. O Mike veio depois de fazer um apelo no Fantástico para soltarem o pai dele”, recorda o pesquisador Rodrigo de Oliveira. O garoto é filho de Ronald Biggs (1929-2013), que fugiu para o Brasil depois de escapar de presídio na Inglaterra onde cumpria pena por assaltar um trem pagador.

‘Museu’ em BH
Rodrigo de Oliveira mantém na capital mineira um dos maiores acervos sobre o Balão Mágico do país. “Superfantástico chegou aqui em 1982, mas já era megassucesso na Espanha em 1979”, informa ele. Além de fã, o mineiro se tornou pesquisador de programas infantis da década de 1980. Exibido pela TV Globo de 1983 a 1986, Balão deu origem ao grupo formado pelos apresentadores.

“Virei fã aos 7 anos. O primeiro disco deles foi gravado em 1982, quando eu tinha 6. Foi um estouro, vendeu 800 mil cópias”, lembra o pesquisador. Os cinco álbuns do Balão bateram a marca de 12 milhões de cópias comercializadas. “Foi o primeiro disco que ganhei na vida. Com eles tomei gosto pela música popular brasileira. Eram arranjos de muita qualidade feitos pelo maestro Lincoln Olivetti”, recorda.

Atualmente, Mike mora em Londres. Jairzinho e a família – ele é casado com a atriz Tania Khalill – mudaram-se para Nova York. Ele é filho do cantor Jair Rodrigues. “As pessoas amam o Balão Mágico até hoje. Prova disso é o DVD lançado pela Sony, que vendeu mais de 200 mil cópias”, afirma Rodrigo.

Roberto Carlos
Astros e estrelas da MPB participaram dos discos da garotada – entre eles, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Djavan, Baby Consuelo, Jane Duboc, Moraes Moreira e Dominó. “Cerca de 90% do repertório do Balão é de canções que faziam sucesso lá fora, como Superfantástico e É tão lindo, tema de um filme da Disney”, informa Rodrigo. Porém, o álbum de estreia trazia músicas dos anos 1950, como Upa! Upa!, de Ary Barroso.

Em 2009, Rodrigo de Oliveira conheceu Tob, o ator Vimerson Cavanillas, quando ele fez temporada com a peça Antígona, no Palácio das Artes. Recentemente, Rodrigo se encontrou com Simony, que fazia show em Caeté.

“Quando conheci o Tob, mandei vários presentes, discos raríssimos que eu tinha repetidos. Ele me presenteou com muita coisa do acervo particular dele, como cartas que recebia na Globo, ingressos originais de shows e revistas autografadas. No meu aniversário, recebi um cartão e um DVD com imagens de participações do Balão no programa do Chacrinha e no Fantástico. Foi o maior presente que ganhei”, diz Rodrigo.

Nos anos 1980, crianças cantavam para as crianças, analisa o pesquisador. “Defino a geração Balão Mágico pela alegria. Éramos muito inocentes. Hoje, a criança estrela é fabricada, o ego transparece. Naquela época, não. Eram meninos brincando, interagindo com o Fofão (Orival Pessini) e o Cascatinha (Castrinho). Falavam sem decorar textos, com liberdade”, afirma. “Era a geração da festinha de aniversário simples, com bolo, guaraná e Balão Mágico tocando na velha e boa vitrola”, resume.

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