Cat Stevens lança álbum em que corrige canções lançadas em 1967

'The laughing apple' ainda traz seis faixas inéditas que compõem a história de um velho sendo contada a crianças

Angela Weiss/AFP
Cat Stevens se apresenta no Central Park, em Nova York, no Global Citizen Festival de 2016, evento dedicado à erradicação da miséria. (foto: Angela Weiss/AFP)

Fenômeno do mercado fonográfico, o cantor e compositor inglês Cat Stevens vendeu 40 milhões de discos, sobretudo entre os anos 1960 e 1970, mas, em 1978, deu uma virada surpreendente na vida. Stevens, autor de clássicos como Father and son, converteu-se ao islamismo e reduziu muito o ritmo da carreira artística.


Agora em The laughing apple disco mais recente do músico, os dois lados parecem finalmente manter um diálogo, e a produção com ares do passado encontra ecos nas canções da fase muçulmana do músico. Stevens não abandonou o islamismo. Pelo contrário, segue firme na doutrina e mantém instituições que buscam a promoção da paz por meio de atividades culturais, artísticas, educacionais e de caridade.


Mas, em The laughing apple, há um sopro e recordações do estilo do cantor antes da mudança e da conversão. Não por acaso, quatro das canções do álbum são regravações do segundo disco do cantor, New masters (1967). O músico já havia declarado várias vezes que o álbum não o lhe agradava, sobretudo pelos arranjos cheios de orquestração. Em The laughing apple, ele retoma a parceria com Paul Samwell-Smith (que foi baixista do Yardbirds), produtor responsável pelos álbuns mais bem-sucedidos da carreira de Stevens.


“Eu pensei que poderia corrigir algumas canções, voltando e gravando da maneira que eu as sinto hoje. Isso, é claro, traz uma nova vida para a música. Havia algumas joias lá, em meus álbuns dos anos 1970, e eu realmente me diverti gravando”, disse Yusuf ao portal People.


Para ele, essas canções mantêm a atualidade e poderiam hoje se relacionar com temas como refugiados e políticas de desarmamento. “Elas ainda são muito relevantes, como Blackness of the night. Eu poderia ter escrito isso hoje sobre o problema dos refugiados e sobre os órfãos deixados nas margens de um país estrangeiro. Eles não sabem exatamente onde se encaixam e perderam suas casas e suas famílias. Esse tipo de música ainda é relevante”, justifica. Há também mais uma regravação e seis canções inéditas, que compõem uma espécie de história infantil em que um velho conta sua trajetória a algumas crianças.

CONVERSÃO
Dois eventos foram fundamentais para a decisão de Cat Stevens de mudar de vida. O primeiro, em 1968, quando a rotina atribulada de pop star, as turnês e as gravações levaram o músico a uma tuberculose que o deixou hospitalizado por meses. A partir daí, ele começou a meditar e a buscar uma reflexão interna mais profunda. Em 1975, outra situação de risco fez Stevens repensar sua maneira de viver. Ele começou a ser arrastado pelas águas enquanto nadava no Oceano Pacífico, em Malibu (Califórnia). Temendo a morte, pediu ajuda a Deus e prometeu dedicar a vida à religião caso fosse salvo.


A partir daí, Stevens procurou se aprofundar em doutrinas e filosofias religiosas e encontrou o islamismo quando recebeu, do irmão, o Alcorão de presente. Em 1977, Stevens começou a se dedicar à religião, mas se converteu e mudou de nome, de fato, em 1978. “Eu não estava muito preocupado com o que as pessoas pensavam. As pessoas entenderiam, gradualmente, eu disse a mim mesmo. Afinal, todos sabiam que eu estava ‘no caminho para descobrir algo’”, declara.


Depois da conversão, Stevens se tornou um defensor da paz, usando a popularidade e as instituições criadas por ele para promover o tema. Ele defende que, mesmo que a paz total seja uma utopia, é preciso lutar por ela.


“Adoraríamos ver um trem da paz físico chegando à nossa rua e nos levando para a terra de felicidade, paz e harmonia, mas isso não pode ocorrer. O que percebi foi que esse trem da paz (da música Peace train) é uma metáfora para a própria vida. Nós não sabemos muito aonde vamos chegar, mas, enquanto estamos neste mundo, é nosso trabalho tornar nossas trilhas tão diretas e tão verdadeiras quanto possível”, afirma.

 

Abaixo, confira Blackness of The night:

 

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