Em en­tre­vis­ta ao EM, Paul McCartney fa­la so­bre a tur­nê que che­ga a BH em 17 de outubro

Ex-beatle co­men­ta sua re­la­ção com ou­tros mú­si­cos, a crí­ti­ca, a po­lí­ti­ca e ava­lia o sig­ni­fi­ca­do atu­al das can­çõ­es

por Mariana Peixoto 23/09/2017 09:26

Mary McCartney/Divulgação
(foto: Mary McCartney/Divulgação )
Paul McCartney chegou em junho aos 75 anos. Mas o maior artista vivo da música mundial não se acomoda frente a qualquer título. Somente em 2017, ele foi visto no cinema (numa pequena participação na franquia Piratas do Caribe), fez parcerias com grandes nomes da música pop (se aventurou até nas baquetas com o Foo Fighters) e iniciou a produção de um novo álbum.

E, incansavelmente como há décadas, continua protagonizando uma turnê mundial. One on one, que chega ao Brasil em outubro, onde percorrerá quatro cidades. Belo Horizonte, que assistiu, em maio de 2013, à estreia da turnê Out there!, vai recebê-lo, no dia 17, no Mineirão.


Serão 39 canções em três horas de apresentação. Antes de chegar ao país (a estreia será em Porto Alegre, no dia 13), ele ainda tem estrada pela frente. São cinco datas para encerrar a parte norte-americana da turnê. Paul McCartney conversou com o Estado de Minas na tarde de quinta-feira, por telefone, de Nova York, após a passagem de som no Barclays Center, arena no Brooklyn.


O peso da idade, da carreira, de ser Paul McCartney, nada o faz parar. Não pensa no que está por vir.
“O futuro? É igual para você e para mim. Futuro, para mim, é amanhã”, diz, na entrevista a seguir.

 

Es­sa se­rá sua se­gun­da vez em Be­lo Ho­ri­zon­te. Mui­tas pes­soas da pla­teia já te­rão vis­to seu show ao me­nos uma vez. Ou­tras o te­rão vis­to mui­to mais ve­zes. Co­mo con­ten­tar um fã que já viu vá­rios sho­ws e aque­le que o vê pe­la pri­mei­ra vez?
En­quan­to as pes­soas qui­se­rem ir ao show, se­ja o que for, uma, duas, ou 100 ve­zes, o que que­re­mos é pro­mo­ver uma óti­ma noi­te. Is­so é tu­do. O que que­re­mos é fa­zer um gran­de show, to­car boa mú­si­ca, pa­ra nós e pa­ra o pú­bli­co.

Des­ta vez, 70% do re­per­tó­rio vem dos Bea­tles. En­tre as can­ções, fo­ram in­cluí­das A hard day’s ni­ght e Lo­ve me do, que vo­cê só ha­via to­ca­do ao vi­vo com os Bea­tles. E há ain­da uma do Quar­ry­men (In spi­te of all the dan­ger). Quais são os cri­té­rios pa­ra se­le­cio­nar can­ções que não cos­tu­mam fa­zer par­te de suas tur­nês?
Es­co­lhe­mos can­ções de que gos­ta­mos. Olha­mos pa­ra to­das as mú­si­cas que já gra­vei e ve­mos quais po­de­rão fun­cio­nar tan­to pa­ra nós quan­to pa­ra o pú­bli­co. Às ve­zes, reu­ni­mos al­gu­mas que to­ca­mos an­tes e ou­tras que nun­ca fo­ram vis­tas ao vi­vo. O úni­co cri­té­rio é real­men­te es­co­lher can­ções que que­re­mos to­car. Tem sem­pre al­guém me lem­bran­do de can­ções an­ti­gas.

O re­per­tó­rio traz ain­da Four fi­ve se­con­ds, que vo­cê gra­vou com Rihan­na e Kanye West (tam­bém pro­du­tor da fai­xa). Co­mo foi a gra­va­ção des­sa can­ção?
A ma­nei­ra com que Kanye tra­ba­lha é in­te­res­san­te. Ele gra­va mui­to e vo­cê fi­ca sem sa­ber o que ele vai real­men­te usar. Se vou tra­ba­lhar com ele, vou fa­zer exa­ta­men­te da ma­nei­ra que ele gos­ta. Se sair al­gu­ma coi­sa boa, óti­mo. Se não, é só não con­tar pa­ra nin­guém que tra­ba­lha­mos jun­tos. En­tão fi­ze­mos as gra­va­ções até que, ao fi­nal, ele con­vi­dou Rihan­na pa­ra can­tar. Quan­do me man­dou o ma­te­rial pron­to, foi uma sur­pre­sa e tan­to. Pa­ra mim, foi uma ma­nei­ra pou­co usual de tra­ba­lhar. Nor­mal­men­te eu me en­vol­vo com a can­ção in­tei­ra. Mas nes­ta o que fiz ba­si­ca­men­te foi ins­pi­rá-lo com a mi­nha gui­tar­ra.

Re­cen­te­men­te, vo­cê gra­vou ba­te­ria com o Foo Fi­ghters (na can­ção Sun­day rain, do ál­bum Con­cre­te and gold, lan­ça­do se­ma­na pas­sa­da). Co­mo foi es­sa ex­pe­riên­cia, ain­da mais nu­ma ban­da que tem dois ba­te­ris­tas?
Mui­to boa. Quan­do me cha­ma­ram, achei a ideia lou­ca. No Foo Fi­ghters vo­cê tem Da­ve Gro­hl e Taylor Ha­wkins. Não en­ten­di por­que eles pre­ci­sa­vam de mim. Mas veio o con­vi­te, era pa­ra to­car nu­ma mú­si­ca que o Taylor iria can­tar, co­nhe­ço Da­ve já há mui­tos anos, fi­ze­mos coi­sas jun­tos, en­tão eu fui. Quan­do che­guei, me pas­sa­ram a ideia que que­riam e gra­va­mos ao vi­vo.
Ain­da fa­lan­do so­bre gra­va­ção, em que pé es­tá seu pró­xi­mo ál­bum?
Já gra­vei um bom nú­me­ro de mú­si­cas, mas ain­da não sei quais po­de­rão en­trar no ál­bum. Al­gu­mas eu real­men­te gos­tei. Es­tou ain­da no meio do pro­je­to, en­tão não há mui­to o que fa­lar, por­que real­men­te não sei mui­to co­mo ele se­rá.

Em ju­nho foi lan­ça­da no Bra­sil a bio­gra­fia Paul Mc­Car­t­ney (Cia das Le­tras, 824 pá­gi­nas), es­cri­ta por Phi­lip Nor­man (um dos maio­res bió­gra­fos dos Bea­tles, au­tor de Shout!, so­bre a ban­da, e A vi­da, so­bre Jo­hn Len­non, que já te­ve um en­tre­ve­ro com o mú­si­co no pas­sa­do). Vo­cê leu? Aliás, cos­tu­ma ler o que se es­cre­ve a seu res­pei­to?
Não, não li. Mas um ami­go leu e me dis­se que gos­tou. O que acon­te­ce é que pos­so ler 100 pá­gi­nas de uma bio­gra­fia e gos­tar, mas aí pos­so che­gar a uma pá­gi­na e ver que há um er­ro, que aqui­lo não é ver­da­de. Leio mui­to pou­co so­bre mim mes­mo, de ver­da­de. Leio al­gu­mas re­se­nhas dos sho­ws, e es­tou com sor­te, elas es­tão po­si­ti­vas. Sa­be o que é? Vo­cê fi­ca len­do que é in­crí­vel, ma­ra­vi­lho­so etc. E aí vem um co­men­tá­rio ne­ga­ti­vo. E vai ser na­qui­lo que vai se con­cen­trar. En­tão pre­fi­ro não ler pa­ra não me preo­cu­par.

No show de 2013, Bla­ck­bird foi um gran­de mo­men­to. E ela es­tá no re­per­tó­rio da no­va tur­nê. A can­ção foi com­pos­ta nos anos 1960, du­ran­te a lu­ta pe­los di­rei­tos ci­vis nos EUA. Ho­je, com um mun­do tão caó­ti­co e di­vi­di­do, acha que ela po­de ga­nhar um no­vo sig­ni­fi­ca­do?
É uma ques­tão in­te­res­san­te a se pen­sar so­bre uma can­ção co­mo es­ta. À me­di­da que o tem­po mu­da, tam­bém mu­da o sig­ni­fi­ca­do da can­ção. E is­to se apli­ca não só a Bla­ck­bird, mas a ou­tras can­ções mais es­pi­ri­tuais, co­mo Let it be. Gos­to da ideia de que ou­vir uma mú­si­ca po­de aju­dar al­guém a se le­van­tar, in­de­pen­den­te­men­te dos pro­ble­mas por que ca­da um es­tá pas­san­do.

Qual sua opi­nião so­bre a di­vi­são so­cial que vá­rios paí­ses, en­tre eles EUA, Bra­sil e In­gla­ter­ra, en­fren­tem nes­te mo­men­to?
Não pen­so mui­to nis­to. Os tem­pos es­tão sem­pre mu­dan­do, mas não per­co meu tem­po pen­san­do nis­to. O que ten­to é fa­zer coi­sas boas, to­car boas can­ções pa­ra to­do mun­do. Te­nho mi­nhas opi­niões po­lí­ti­cas, mas não me preo­cu­po mui­to com is­to.

Da pri­mei­ra vez que es­te­ve em BH, vo­cê es­ta­va es­trean­do uma tur­nê. Ago­ra che­ga quan­do ela es­tá pe­la me­ta­de. O que a no­va tur­nê tem que a ou­tra não ti­nha?

Sem­pre ten­to apre­sen­tar no­vi­da­des, mas há coi­sas que vêm de ou­tros sho­ws. É co­mo eu te dis­se: vo­cê só vai po­der di­zer de­pois que as­sis­ti-lo. Não gos­to de dar mui­tas di­cas, fa­lar mui­to. Na era da in­ter­net, to­do mun­do sa­be e vê tu­do. O que acho uma pe­na, por­que gos­to de ser sur­preen­di­do.

O que há de me­lhor em pas­sar tan­to tem­po via­jan­do pe­lo mun­do em tur­nês?
Ver as pes­soas. Elas têm pe­que­nas di­fe­ren­ças, mas, no fi­nal, to­dos so­mos pes­soas. Te­mos fa­mí­lias, ir­mãos, ir­mãs, pais, fi­lhos e é is­to que nos une. En­tão, ao via­jar, ve­jo as di­fe­ren­ças, mas tam­bém as se­me­lhan­ças. É um sen­ti­men­to bom, ver co­mo um show con­se­gue reu­nir as pes­soas. Es­te po­der da mú­si­ca é al­go que nos or­gu­lha mui­to.

Aqui em BH, vo­cê pre­ten­de, mais uma vez, fa­lar “uai”?
De­fi­ni­ti­va­men­te. Já co­me­cei mi­nhas au­las de por­tu­guês.

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