'Sandra de Sá - Anos 80' (Discobertas, R$ 87,90) reúne os álbuns 'Demônio Colorido', de 1980 (seu primeiro), 'Sandra de Sá' (1982), 'Vale Tudo' (1983) e 'Sandra de Sá' (1984). Um época que antecede o movimento que ela faria em direção ao romantismo pop. A menina neta de avô cabo-verdiano teve em casa as bases de uma estrutura erguida pelo samba e pelo soul. A "Tim Maia de saias" era também uma sambista de criação na quadra da escola Caprichosos de Pilares.
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O que seria o lado B mostra a atenção ao que estava em alta à época. De Fabio Jr, Sandra grava o hit Vinte e Poucos Anos. O destaque à primeira música importante de sua carreira, Demônio Colorido, uma das 10 finalistas do festival MPB 80, da Globo, só aparece no lado B, como a última canção.
O disco seguinte é Sandra de Sá, de 1982. O caminho vai sendo tomado aos poucos, saindo do que havia de "orgânico" do disco de estreia e ganhando mais corpo sintético. Mas o álbum abre com Olhos Coloridos, um sucesso de nascença, composta pelo 'funk man' Macau. Sandra lança Música Maravilha, de Tunai e Sérgio Natureza, a canção Ousadia, parceria sua com a amiga Fafy Siqueira, e Quero Ver Você Dançar, de Ton Saga. Ainda sem radicalizar na atitude pop, ela faz a soul Preciso Urgentemente Falar com Cassiano, do cantor Fabio e Paulo Imperial, irmão de Carlos Imperial. Há ainda Sobreviver, Negra Flor e Se Grile Não. O relançamento traz como bônus as músicas Palco Azul e Monalisa.
Vale Tudo, de 1983, simboliza a primeira grande explosão comercial de Sandra e sua chegada ao formato definitivo. A gravação é mais bem feita, os arranjos vão ficando mais cuidadosos e a "era das FMs" vai determinando também para que lado um artista deve seguir. Sandra abre de novo com um funk de Macau, em parceria com a própria cantora e o direção de produção de Durval Ferreira. O disco segue com Candura, de Cassiano e Denny King.
Mais suingue, mais balanço. E assim segue com Pela Cidade o charm Onda Negra, e a "nostalgia" de Gamação. Mas o que faz a diferença no primeiro grande álbum de Sandra é a gravação que ela vai fazer com Tim Maia de Vale Tudo, do próprio Tim. A música vai levar Sandra a esferas mais altas, mesmo com a frase que se tornaria de pronúncia inviável 25 anos depois: "Vale tudo / só não vale dançar homem com homem / nem mulher com mulher". Guilherme Arantes seria outro colaborador de Sandra neste trabalho, cedendo Só as Estrelas para ela gravar. Uma tentativa de se emplacar ainda mais uma nas rádios.
O seguinte, de 1984, já é feito sob a administração Guto Graça Mello. Sandra é agora uma cifra alta, um sucesso potencial. E talvez, nesse instante, os caciques tenham se ouriçado para potencializar sua força pop. As coisas começam a ficar pouco naturais desde o início, de Batikum, parceria de Lulu Santos e Nelson Motta. Guilherme Arantes, um hitmaker consagrado à época, colabora de novo com Férias de Verão, que pouco iria tocar. O disco mais 'frankestein' sai dando disparos aleatórios com músicas que não dialogam entre si, como Muito Prazer, Filho e os pontos de candomblé Canto de Oxum / Canto de Oxossi. O amigo de outras datas Cazuza e sua banda Barão Vermelho são convidados para gravar com Sandra uma faixa, Sem Conexão Com o Mundo Exterior, e até Billie Holiday aparece em I'm a Fool to Want You. A faixa-bônus traz um dos maiores sucessos dessa fase de Sandra, Enredo do Meu Samba, um samba consagrador de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, sucesso na abertura da novela Partido Alto. Um samba que, como ditava o primeiro disco, viria cheio de groove de gafieira.