"Da qualidade da música, profunda, que faz até a pessoa que ele é, tudo me atrai em Roberto Carlos", afirmou, visivelmente emocionada, a estudante Larissa do Nascimento, de 17 anos, pouco antes do show começar em BH. "Este é o segundo show de muitos shows dele que virão em minha vida", anunciou a jovem, acompanhada da mãe, convicta de que não vai perder uma nova apresentação do Rei na capital. "Será a primeira vez, nunca vi um show dele", emendou, também emocionada a dona de casa Mércia Tomino Miranda, de 68 anos, enquanto o casal de empresários formado por Sirley Fátima Faria Souza, de 59 anos, e Miguel Soares, de 63, vindo de Pium-Hi, se deixava ser fotografado diante da imagem de RC próxima à banda que vendia a primeira fotobiografia dele.
saiba mais
Veja fotos do show no Mineirinho
A temida acústica do Mineirinho não apresentou problemas. Pelo menos os que estavam mais à frente puderam desfrutar de toda e qualquer palavra do Rei, cantando ou falando durante o ritual de sedução das fãs. A cada nova canção, Roberto tinha sempre um pequeno texto a dizer no início ou final da interpretação, para o delírio da mulherada que respondia aos gritos. Na disputa pelas rosas brancas e vermelhas, religiosamente distribuídas às súditas no fim da apresentação, houve de tudo um pouco. Desde a entrega de presentes (vela, miniatura de carro, bandeira de MG, ovo de Páscoa, faixas e dezenas, dezenas de cartazes) até a queda de algumas fãs que, desvairadas em receber a rosa providencialmente beijada pelo cantor, subiam nas cadeiras para disputá-la.
Além da massa feminina, muitos, muitos cadeirantes e até uma pequena ala religiosa, formada por cinco freiras da ordem Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, de BH, se destacavam em meio à plateia. "Estamos em missão especial", disse uma das religiosas, evitando revelar a identidade, enquanto outra, mais aberta, justificava a presença no ginásio sob o argumento de que ele, o Rei, é um grande evangelizador.
Dos elogios aos músicos e autores das canções (Outra vez, de Isolda, foi uma das que mereceram destaque dele) até à surpreendente manifestação política ("Temos um país lindo e maravilhoso. Não podemos perder a esperança de mudar o Brasil", afirmou ele), RC cumpriu rigorosamente a missão de seduzir, não acrescentando uma canção sequer ao roteiro previamente liberado para os jornalistas, sem bis. O maestro Eduardo Lages comandava a superbanda que acompanhou o Rei, que se deu ao luxo de, inclusive, voltar a tocar violão solo em cena, na introdução de Detalhes. A noite foi das melhores para as súditas do Rei, no Mineirinho, com direito a bela iluminação do palco, sem cenário, além de três telões - dois gigantes de frente e um menor, voltado, para o camarote.