No mesmo período, em cinco anos, pelo menos três músicas sertanejas figuraram nesse ranking. A pesquisa Tribos Musicais, realizada pelo IBOPE em 2013, confirma o favoritismo do ritmo. Os dados, com foco no rádio, mostram que 65% dos entrevistados escutam sertanejo, enquanto estilos populares como o pagode e o funk não somam 25% - juntos.
Com um século, a viola que moldava o ritmo diário e compassivo dos urupês continua, e o legado das duplas também. De Tonico e Tinoco a Victor e Leo, o sertanejo passou a falar de outros contextos, que não o campestre. "O que a gente chama de música caipira, sertaneja, country está atrelada a uma ideia do meio rural. Mas, nos anos 1980, as gravadoras percebem um nicho muito forte. Não é à toa que vão olhar comercialmente para o sertanejo", diz o pesquisador de Cultura Pop da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Thiago Soares.
Soares fala que figuras que vão evocar o meio urbano, como as duplas Chitãozinho e Xororó e Zezé Di Camargo e Luciano, começam a surgir depois desse olhar fonográfico. "Não existe uma ruptura completa entre as duplas tradicionais e cantores como Michel Teló", explica. A pesquisa Tribos Musicais, por exemplo, aponta que a maioria dos sertanejos de hoje fala sobre amor (63%) e sexo (45%).
O sertanejo não é um fenômeno brasileiro, a música caipira ganha outros nomes, mas existe em outros países. "Tem música caipira em outros contextos. Nos Estados Unidos, é o country. Ela está ligada a países com tradição rural", comenta ele.
As músicas sertanejas mais tocadas no rádio, de janeiro a março deste ano, segundo o Ecad: