“Queria criar condição para a música vir à tona”, explica a atriz e cantora, responsável pela dramaturgia de seu show, que, depois das temporadas de 2012 e 2013 resultou no CD. Recém-lançado no Teatro Solar de Botafogo, 'Paisagem invisível' é, originalmente, um show cênico-musical com direito à inclusão de poesia (do mato-grossense Manoel de Barros, fonte de inspiração da criação do espetáculo).
O repertório é o aspecto mais forte no conjunto da obra de Andreia Mota, intérprete às vezes afetada (demais). Da pérola Guardanapos de papel, do uruguaio Leo Masliah, em versão de Carlos Sandroni, à inédita 'Papoula brava', do carioca Thiago Amud, o disco prima pelo bom gosto poético-musical, incluindo inéditas de Marcelo Fedrá ('Flor voadeira' e 'Contumaz', além da faixa-título); Alessandra Gellio ('Todo dia eu sonho com uma mulher'); e de Andreia Mota ('Dos seus olhos'), além de clássicos de Nelson Angelo, com Fernando Brant ('Canoa, canoa'); Tom Jobim, com Aloysio de Oliveira ('Inútil paisagem'); e de Wilson Baptista, com Germano Augusto Coelho ('Boca de siri'). De Milton Nascimento, com Paulo Ricardo, ela gravou 'Feito nós'.
A direção cênica do show é de Alessandra Gellio, enquanto os arranjos ficaram a cargo dos músicos Real Júnior e Victor Ribeiro, que também assina a direção musical. “Victor foi muito sensível para captar o que havia de sutil no repertório”, reconhece Andreia Mota, lembrando que o primeiro arranjo feito por ele foi o de Inútil paisagem, “superimagético, com contracantos”. Concebidos em linguagem jazzística, os ritmos brasileiros se sobressaem no trabalho da cantora indepedente, cujo álbum de estreia pode ser encontrado no ITunes e CDBaby, além do site oficial www.andreiamota.com.br.