Anderson Noise, pioneiro da cena eletrônica, chega aos 25 anos de carreira com trabalhos em vários países

Na semana que vem, ele se junta a um trio de jazz para apresentações em BH

por Carolina Braga 13/07/2013 00:13

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Sem fronteiras, Anderson Noise já levou música eletrônica para trio elétrico na Bahia e dividiu palco com orquestra filarmônica
Maria Tereza Correia/EM/D.A Press (foto: Sem fronteiras, Anderson Noise já levou música eletrônica para trio elétrico na Bahia e dividiu palco com orquestra filarmônica)
Em tom de brincadeira, ele reconhece não ser muito afeito aos livros. Filmes? Também nem tanto. Talvez na hora das refeições e dentro dos aviões. Não é que não goste ou valorize essas artes. Definitivamente, não se trata disso. É que a música é mesmo protagonista na vida de Anderson Noise. No ano em que completa 25 anos de carreira, o precursor da cena eletrônica em Belo Horizonte encara uma experiência inédita com o jazz e tem turnês comemorativas programadas pela Ásia, Europa e América. Isso sem detalhar o cardápio de lançamentos.

Para Anderson Noise não há exagero no número de projetos. Ser DJ, na atualidade, é isso mesmo. “Tentar fazer pelo menos duas atividades dentro da música a não ser tocar”, recomenda. Não é de hoje que pensa assim. Ao longo das duas últimas décadas e meia, além de se apresentar em festas no mundo inteiro, o DJ tem um selo dedicado ao gênero, uma rádio on-line, um programa distribuído para 24 emissoras em 14 países e ainda dá as caras na TV.

Quando pensa lá no início da carreira, constata o quanto o caminho foi natural. “Tinha 7 anos e já ia trabalhar com o meu pai. Pintava paredes com ele e, com o dinheiro que ganhava, comprava disco”, lembra. Primeiro foram os LPs de rock, até que, no fim da década de 1980, meteu as caras no acid house, um dos estilos da música eletrônica. Na sequência, começaram a surgir convites para discotecar e ele não parou mais. Virou profissional.

Foram festas gigantescas em locais por vezes inusitados, como manicômios, estacionamentos, prédios históricos. O sobrenome Noise surgiu nessa época, quando a necessidade de ter um cartão de visita bateu à porta. “Só comecei a entender o que estava acontecendo quando a coisa já estava grande”, reconhece. Logo vieram os discos e a carreira internacional deslanchou. “Acho que o que me projetou foi o bolo da coisa”, analisa. Por isso ele não desacelera.

Em momento de balanço, propício aos 25 anos de carreira, Anderson Noise reavalia sua trajetória. “Sempre me questionei. Acho que perdi muito tempo fazendo festa, quando deveria estar criando música. Teria me projetado muito antes para fora do Brasil”, diz. No entanto, não parece haver qualquer arrependimento nessa constatação. Ele também sabe que o que fez marcou época em Belo Horizonte.

“Até hoje não teve um movimento de música eletrônica tão forte como aquele. Tenho orgulho de falar que vim da época em que os DJs tocavam de costas para o público”, brinca. Era o tempo em que a habilidade profissional estava mais à prova do que a performance física diante do toca-discos. “Tem tanto DJ querendo emocionar o público, que jogam aquele turbilhão de coisas que as pessoas já conhecem. Prefiro surpreender”, garante.

Velocidade
Na ânsia pelo novo, tanto daquilo que fará parte de seu set como o que roda no programa de rádio, o DJ dedica um tempão para peneirar material interessante e, claro, fazer suas apostas. “Recebo em média 80 a 100 promos por dia. Para todos eles dou um feedback”, conta. Para Anderson Noise, a cena atual da música eletrônica está totalmente contaminada pela velocidade do mundo contemporâneo. A questão, segundo ele, é muito mais técnica do que estética. “Não chego nem a dizer sobre a entrada de novos estilos. Isso não me infuencia em nada”, ressalta.

Ao contrário de muitos colegas que costumam venerar o som do disco de vinil, o DJ mineiro defende a chegada do MP3 ao mercado como uma das grandes revoluções dos últimos tempos. “É a mudança mais brutal. O MP3 popularizou a música e quebrou muita gente”, afirma. Ele, em parte, sofreu as consequências, já que o Noise Music chegou a se dedicar àquele filão. As coisas, no entanto, mudaram de figura.

Aquela imagem do DJ carregado de caixas enormes e pesadas não tem mais nada a ver com Anderson Noise. O negócio dele é mesmo digital, sem qualquer preconceito. “O cara me manda o MP3 e já toco. Com o vinil, até mandar para o master, a impressão, colocar no correio, dá de 45 a 60 dias para a música chegar. Fica velha, todo mundo já tocou”.

Se o ritmo é esse, gravar CD é só mesmo para divulgar o trabalho. Assim como tem feito nos últimos nove anos, em 2013 ele fará nova compilação com os singles lançados ao longo dos últimos 12 meses. O próximo carregará o providencial nome 25, uma referência ao marco da carreira. Ainda no bolo da festa, sem data definida, haverá a performance do Sex Shop, duo formado em parceria com o DJ paulistano Re Dupre.

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