Discípulo de Dominguinhos, Cezzinha se destaca no forró e baião

Artista recifense de 28 anos possui timbre similar ao mestre pernambucano e acaba de lançar DVD

por Estado de Minas 02/06/2013 00:13

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Karina Santiago/Divulgação
Cezzinha segue a trilha dos sanfoneiros nordestinos e tem timbre que lembra o mestre Dominguinhos (foto: Karina Santiago/Divulgação)


Cezar Thomas, o Cezzinha, de 28 anos, natural do Recife, é o que se poderia chamar de o discípulo mais novo do mestre José Domingos de Morais, o Dominguinhos, de 72 anos. No rádio, nos palcos e nas trilhas de novelas com o que há de mais romântico no forró nordestino, ele diz se orgulhar da posição que ocupa na atual cena do gênero, mesmo porque trabalha muito com o coração.

“Herdei esta coisa sentimental de Dominguinhos”, diz Cezzinha, que acaba de gravar um DVD, paralelamente ao lançamento do segundo CD, 'Porque tem que ser assim'. Na trilha de 'Flor do Caribe', da TV Globo, com o sucesso 'Minha vida é te amar', de Dominguinhos e Nando Cordel, Cezzinha lembra que seu forró passa pelo baião, arrasta-pé, xote e marchinha, porém em leitura mais romântica, contrária ao forró universitário, por exemplo, que é mais dançante.

Filho de família de origem humilde, desde cedo Cezzinha teve de correr atrás do próprio sustento. “A sorte”, recorda, “foi um senhor oferecendo a sanfona ao meu pai, para poder voltar para o interior. Parecia mais um anjo, já que o instrumento se tornou realmente o nosso maior empreendimento.”

Então com 12 anos, aos 13 Cezzinha já tocava profissionalmente, não demorando a chegar à Orquestra Sanfônica, do Recife, com a qual percorreu todo o estado de Pernambuco. Dominguinhos, naturalmente, foi o primeiro a perceber a habilidade do rapaz, convidando-o para participar de shows seus e de outros artistas. A semelhança de timbre dos dois chega a impressionar. Depois de passar pela Turquia, Itália, Portugal, França e Albânia desenvolvendo trabalho instrumental e em turnês de vários artistas, em 2005 o sanfoneiro foi escolhido para representar a cultura regional pernambucana no Ano do Brasil na França.

O primeiro disco, 'Convidando a transbordar', de 2008, trazia parcerias com Chico Pessoa, Clodô Ferreira (irmão de Clésio e Climério, autores do sucesso 'Revelação', de Fagner). No novo disco, só com Nando Cordel, Cezzinha assina 'Um anjo pra cuidar de mim', 'Um romance de novela' e 'É só você querer', que Elba Ramalho já havia transformado em sucesso na trilha da novela 'Caras & bocas', também da TV Globo.

Em seu mais recente trabalho, 'Vambora lá dançar', a cantora paraibana gravou de Cezzinha Porque tem de ser assim, com a qual ele batiza agora o segundo disco. Para a gravação do primeiro DVD, no Recife, que também irá sair no formato CD, ele convidou, além de Elba, Fafá de Belém, Alcione, Zélia Duncan e artistas regionais como Almir Rouche, Jorge de Altinho, Maciel Melo, Santanna e Nando Cordel.

São João

 

Preparando-se para o são-joão nordestino, o cantor, sanfoneiro e compositor espera fazer de 28 a 30 shows apenas no mês que vem, média que cai para 10 a 15 apresentações em outros períodos. Conforme lembra, depois do sumiço na época da Jovem Guarda, a sanfona retornou à cena musical com o tropicalismo, desaparecendo novamente nos anos 1980, diante da invasão da música americana naquele período. Cultuado agora pela juventude, o instrumento volta a ocupar a cena graças à presença de artistas como Cezzinha.

“O meu compromisso é com a poesia, o romantismo e o sentimento”, avisa o músico pernambucano, que, paralelamente ao show autoral, com banda de oito músicos, também mantém no repertório as apresentações em trio, com o qual presta homenagens a mestres como Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Trio Nordestino, além, claro, de Dominguinhos. Entre os parceiros do novo disco estão Chico Pessoa ('Porque tem que ser assim'), Clodô Ferreira ('Deixa de sofrer e Gostando de mim') e Ulisses Silveira ('Teu neguinho'), além de Nando Cordel. (AM)

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