Cezar Thomas, o Cezzinha, de 28 anos, natural do Recife, é o que se poderia chamar de o discípulo mais novo do mestre José Domingos de Morais, o Dominguinhos, de 72 anos. No rádio, nos palcos e nas trilhas de novelas com o que há de mais romântico no forró nordestino, ele diz se orgulhar da posição que ocupa na atual cena do gênero, mesmo porque trabalha muito com o coração.
Filho de família de origem humilde, desde cedo Cezzinha teve de correr atrás do próprio sustento. “A sorte”, recorda, “foi um senhor oferecendo a sanfona ao meu pai, para poder voltar para o interior. Parecia mais um anjo, já que o instrumento se tornou realmente o nosso maior empreendimento.”
Então com 12 anos, aos 13 Cezzinha já tocava profissionalmente, não demorando a chegar à Orquestra Sanfônica, do Recife, com a qual percorreu todo o estado de Pernambuco. Dominguinhos, naturalmente, foi o primeiro a perceber a habilidade do rapaz, convidando-o para participar de shows seus e de outros artistas. A semelhança de timbre dos dois chega a impressionar. Depois de passar pela Turquia, Itália, Portugal, França e Albânia desenvolvendo trabalho instrumental e em turnês de vários artistas, em 2005 o sanfoneiro foi escolhido para representar a cultura regional pernambucana no Ano do Brasil na França.
O primeiro disco, 'Convidando a transbordar', de 2008, trazia parcerias com Chico Pessoa, Clodô Ferreira (irmão de Clésio e Climério, autores do sucesso 'Revelação', de Fagner). No novo disco, só com Nando Cordel, Cezzinha assina 'Um anjo pra cuidar de mim', 'Um romance de novela' e 'É só você querer', que Elba Ramalho já havia transformado em sucesso na trilha da novela 'Caras & bocas', também da TV Globo.
Em seu mais recente trabalho, 'Vambora lá dançar', a cantora paraibana gravou de Cezzinha Porque tem de ser assim, com a qual ele batiza agora o segundo disco. Para a gravação do primeiro DVD, no Recife, que também irá sair no formato CD, ele convidou, além de Elba, Fafá de Belém, Alcione, Zélia Duncan e artistas regionais como Almir Rouche, Jorge de Altinho, Maciel Melo, Santanna e Nando Cordel.
São João
Preparando-se para o são-joão nordestino, o cantor, sanfoneiro e compositor espera fazer de 28 a 30 shows apenas no mês que vem, média que cai para 10 a 15 apresentações em outros períodos. Conforme lembra, depois do sumiço na época da Jovem Guarda, a sanfona retornou à cena musical com o tropicalismo, desaparecendo novamente nos anos 1980, diante da invasão da música americana naquele período. Cultuado agora pela juventude, o instrumento volta a ocupar a cena graças à presença de artistas como Cezzinha.
“O meu compromisso é com a poesia, o romantismo e o sentimento”, avisa o músico pernambucano, que, paralelamente ao show autoral, com banda de oito músicos, também mantém no repertório as apresentações em trio, com o qual presta homenagens a mestres como Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Trio Nordestino, além, claro, de Dominguinhos. Entre os parceiros do novo disco estão Chico Pessoa ('Porque tem que ser assim'), Clodô Ferreira ('Deixa de sofrer e Gostando de mim') e Ulisses Silveira ('Teu neguinho'), além de Nando Cordel. (AM)