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A pedido do Estado de Minas, ciclistas experientes deram dicas e alertaram sobre os perigos de andar de bicicleta numa cidade com cerca de 50 quilômetros de ciclovias e a pretensão de transformar as bikes em um meio de transporte viável e respeitado. A designer Marcela Abreu, de 29 anos, há quatro anos “faz tudo de bicicleta” e não tem dúvida: “Paul tem que pedalar em Santa Tereza. É um bairro antigo, com um clima de passado. Ele poderia passar pelos botecos e parar na praça para conversar com as pessoas”.
Vindo da Região Centro-Sul, para chegar até Santa Tereza seria possível usar a ciclovia da Savassi, percurso de 2,8 quilômetros da Rua Professor Moraes à Avenida dos Andradas, próximo à Avenida do Contorno. O caminho a partir da Região Norte seria mais complicado. “Seria preciso pegar o metrô, mas, coitado do Paul, só é possível entrar depois das 20h e há limite de bikes no vagão”, brinca Marcela, lamentando os empecilhos no caminho das magrelas.
Se o ex-beatle gostar de subidas, a sugestão da designer é a Praça do Papa, passando pela Avenida Uruguai e a Avenida Bandeirantes, no Bairro Sion. “De lá, ele vai ter uma visão linda de BH e pode parar para tomar uma água de coco”, planeja. Mas, como os trechos não contam com ciclovias, o fotógrafo Léo Cabral, de 29, receita muita cautela. É a voz da experiência de quem se desloca somente de bike num raio de oito quilômetros da casa, no Bairro Santa Efigênia, Região Leste.
“Em BH, o pessoal tem pouca noção de como lidar com os ciclistas. O melhor é evitar as avenidas principais, tanto para conhecer a cidade, quanto para fugir do trânsito”, ensina o ciclista, que acha mais prudente que um turista como Paul prefira as ciclovias, apesar de elas serem escassas e sem conexão. Pela ciclofaixa da Rua Fernandes Tourinho, por exemplo, o visitante poderá pedalar em meio ao glamour do Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul, um trecho de 1,4 quilômetro. “Mas tem que tomar cuidado, porque para estacionar os carros, passam por cima da ciclovia”, alerta Léo.
O problema no local é que a faixa para ciclistas foi implantada entre a área de estacionamento e as faixas de trânsito. Um erro de planejamento, na avaliação do executivo Joerg Artur Ammann, de 50 anos, que passa com frequência pelo local e muitas vezes precisa desviar dos carros. “Optaram pela solução mais rápida e barata, o que é sempre pior”, disse o ciclista, que usa a bike diariamente para trabalhar, fazer compras e ir a compromissos.
PAMPULHA As pistas da Região Centro-Sul são uma boa opção, mas se Paul quiser relaxar, pedalar e ainda contemplar um cartão-postal da cidade, a pedida certa é a ciclovia da Lagoa da Pampulha, bem próximo ao Mineirão, endereço do show. Léo Cabral só não garante que o cheiro será agradável. “O passeio pela orla é supertranquilo e leva 40 minutos, em uma pedalada suave”, diz.
Os pontos turísticos da orla e o clima tranquilo foram os atrativos para o ciclista Dênis Adriano de Paula, de 25, eleger a Pampulha para pedalar uma vez por semana. “A arquitetura da igrejinha (de São Francisco de Assis) e do Museu de Arte deixa a orla ainda mais bonita. Aí pedalar vira um prazer!”, diz. O ciclista, no entanto, lista os problemas: “A sinalização é precária e, talvez por isso, quem caminha na orla não respeita o espaço das bikes. O cheiro da água também incomoda.”
MINEIRÃO Mas se o interesse do ex-beatle for mobilidade, Léo Cabral aconselha: “Se o Paul ficar no hotel cinco estrelas da Avenida Cristiano Machado, poderia pedalar pela Avenida Bernardo Vasconcelos até a ciclovia da Américo Vespúcio, pegar a Catalão (Avenida Carlos Luz) e chegar ao Mineirão”, imagina. A rota, no entanto, seria feita entre percalços. Na primeira avenida, quem anda de bicicleta precisa se aventurar entre os carros, bem como na Carlos Luz. Mesmo na Avenida Américo Vespúcio, onde há ciclovia, os obstáculos persistem, como conta o estudante João Pedro Abílio Severo, de 14. “Depois da ciclovia, ficou mais tranquilo andar de bike, mas toda hora tem carro e moto atravessando para entrar em garagem ou passar no cruzamento. A gente tem que ficar muito atento para não ser atropelado”, diz.
E como é melhor evitar tensões antes do espetáculo, talvez a rota Cristiano Machado/Mineirão seja ousada. “O trânsito de BH é muito hostil à bicicleta. Não dá para pedalar sem preocupação, pois a maioria dos brasileiros não é acostumada a dividir a via com o ciclista”, diz Léo Cabral. Mas, e quando o ciclista é Paul McCartney?
Um cenário ainda longe do ideal
Com cerca de 50 quilômetros de ciclovias implantados, Belo Horizonte ainda está distante de alcançar os 380 quilômetros de faixas exclusivas para ciclistas que se propôs construir até 2020, dentro do projeto BH Pedala. E mesmo nos locais onde o município já conseguiu sinalizar a preferência para quem anda de bicicleta, a prefeitura ainda enfrenta críticas. Neste ano, nenhum metro saiu do papel, já que os projetos estão sendo revisados por um grupo de ciclistas e representantes do poder público. Até agora foram três encontros. No último, ficou decidido quais serão as próximas ciclovias a serem implantadas. A meta é atingir 100 quilômetros de rotas cicloviárias até o fim do ano.
Integrante da associação de ciclistas urbanos BH em Ciclo, o executivo Joerg Artur Ammann, de 50 anos, cobra soluções para os descompassos das pistas exclusivas. “Contestamos a implantação das faixas da forma como foram feitas. Não ouviram os ciclistas antes de projetá-las”, afirma. O resultado não poderia ter sido outro, segundo Ammann. “Somos contra os trajetos escolhidos, os altos valores investidos, a sinalização precária e a falta de campanhas de conscientização para respeito ao ato de pedalar na cidade”, destaca. As mudanças, de acordo com o ciclista, estão ocorrendo, mas de forma muito lenta.
Segundo a BHTrans, as ciclovias com problemas serão revistas e as sugestões estão sendo acatadas para os próximos projetos. As mudanças, no entanto, vão ocorrer quando houver obras de recapeamento.
ENSAIO FOTOGRÁFICO
Uma prévia do espetáculo. Post no site de Paul McCartney revela imagens dos ensaios em Los Angeles, nos Estados Unidos, para a nova turnê Out there, que começa amanhã, por Belo Horizonte. O registro, assinado pelo fotógrafo M.J. Kim, mostra um pouco do que o Brasil vai poder ver amanhã, no Mineirão. São 24 recortes do ex-beatle na companhia de banda e equipe técnica, entre experimentos de luz, palco e efeitos cenográficos, como a plataforma que será usada pela primeira vez no Brasil. Traz, ainda, o eterno beatle feliz, em clima de bastidores, manuseando uma câmera, filmando os parceiros de show. E, claro, mandando ver no gogó, no piano e nas cordas. Para conferir: www.paulmccartney.com/the-collection/27525-out-there-rehearsals.