Muita gente se produziu para o show como se estivesse indo a uma festa. Muitos colares, maquiagem e modelitos fashion. O máximo da excentricidade – é bom lembrar que Elton John adora um brilho, óculos de todos os formatos e chapéus – foi um ou outro com bandanas, nos tons pink ou preto –, óculos gigantesco, um chapeuzinho dourado e ficamos por aí. Para homenagear o ídolo, o comerciante Júlio Afonso de Sá, de 40 anos, morador de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, não deixou por menos. Ao ver um ambulante vendendo camisetas com a estampa do cantor, pagou R$ 30, tirou a sua de tecido xadrez e posou para a foto, ao lado da noiva, Patrícia Fonseca, de 32.
“Passei a gostar mais de Elton John depois de velho”, brincou Júlio, lembrando que sua música favorita é 'Skyline pigeon'. E ainda cantou um pedacinho: “Fly away skyline pigeon fly towards the dreams…” No maior clima de “esta noite é nossa”, o casal saiu de mãos dadas em direção ao estádio, pronto para dançar e se esbaldar. A camisa xadrez já estava amarrada na cintura, bem descontraído. “Tomara que dê tudo certo, pois quero ver Paul McCartney em 3 de maio. Fui um dos primeiros a comprar ingresso para o show de hoje”, disse o entusiasmado Júlio.
Valeu o esforço Num outro canto, o advogado Jonas José Fernandes, de 34, residente em Lagoa da Prata, na Região Centro-Oeste, conversava com os guardas sobre o melhor lugar para estacionar o carro. “Deixei meio longe, não sabia que tinha estacionamento aqui no estádio”, lamentou-se, ao lado da namorada, Elaine Santiago, terapeuta ocupacional. O casal chegou ontem mesmo a BH, depois de três horas de viagem, e estava com todo gás para ver o astro pop. “Vamos voltar para casa amanhã (hoje)”, disse Jonas.
Mas quem estava no camarote Oeste, patrocinado por empresas, foi brindado pela performance de um cover do astro britânico. Em seu piano e vestido a caráter, Rogério Martins recepcionou os fãs e ganhou olhares de admiração, pela vidraça, até de quem se dirigia para outros setores do estádio.
Altos e baixos
Lanchonete
Acesso
As diferentes entradas para o estádio estavam bem sinalizadas. Mesmo com o grande número de pessoas com a camiseta “Posso ajudar?”, muitas informações foram desencontradas. Faltando meia hora para o início do show, uma fila enorme e desconexa, para a cadeira superior se formou (foto), atrasando a entrada no estádio.
Som
Um ponto dissonante do evento. Para o público do gramado, impecável. Para o das cadeiras superiores, embolado e pouco audível.
Segurança
Policiamento intenso tanto dentro quanto no entorno do estádio. Não houve grandes confusões. A maior registrada foi na área premium, envolvendo um casal e um homem. Um grupo de policiais tentou resolver a situação. Como os ânimos não se acalmaram, os três foram retirados da plateia.
Estacionamento
Até o tempo ajudou
A quase ausência de estrelas no céu de Belo Horizonte na noite de sábado parece ter sido uma coisa combinada, um arranjo feito entre os deuses para que, no palco do Mineirão, com muita competência e profissionalismo, brilhasse apenas uma: Elton John. Que o digam as gêmeas Eliana e Rosana Martins. Nascidas em Patrocínio, no Triângulo, e há muitos anos em Belo Horizonte, elas não escondiam a felicidade por estarem vivendo aquele momento único.
Com alguns amigos, alugaram uma van e, dentro do carro, já começaram a festa, ouvindo CDs do cantor. “Hoje realizei um sonho de adolescente; fechei os olhos, fiquei ouvindo as músicas e me lembrando de passagens bonitas da minha vida”, disse Rosana, que é odontóloga. Eliana, com óculos semelhantes aos que o ídolo costuma usar, foi prevenida e conseguiu entrar no estádio com o próprio sanduíche e uma bebidinha, “só para ficar mais no clima”. Como a grande maioria, adorou a apresentação. “Tudo estava perfeito, uma maravilha. A única coisa que não funcionou bem foram as estruturas que colocaram em frente ao palco, que atrapalharam bastante a visão”, diz.
Empolgação Nas cadeiras superiores, esbanjando juventude e beleza, estava a engenheira ambiental Otávia Ramalho. Acompanhada do namorado, Alexandre Duarte, que tem a mesma profissão, ela reclamou das filas para entrar, que estavam imensas, além do preço das coisas. “Imagine uma latinha de cerveja a R$ 10, e um salgadinho a R$ 6. No mais, o show foi maravilhoso, irrepreensível”, disse a garota, que chamava a atenção por onde passava.
Quem também se empolgou com a apresentação do cantor foi o casal Sônia e Adirney Jabour. Eles vieram de Itabira, no Vale do Rio Doce, unicamente para participar da festa. Juntos há 21 anos, estavam realizando um desejo antigo. “Foi um espetáculo único, fiquei toda arrepiada de emoção, do princípio ao fim, só em ouvir a voz dele”, disse Sônia. “Por isso ele é considerado um ídolo. Ele nos cativou, contagiou e iluminou.” Ela só reclamou, como o marido, do caos do trânsito, na chegada e na saída do Mineirão.
A mesma observação fez o engenheiro Manoel Castro, que veio de Sete Lagoas com a mulher, Andrea. “Chegar e sair de carro do Mineirão não foi tarefa das mais fáceis. No mais, fiquei surpreendido com a organização interna do estádio: banheiros funcionaram, tudo estava limpo, e a estrutura do show foi fantástica. Foi um espetáculo que, sem dúvida, entrou para a história de Belo Horizonte, e com certeza vai abrir portas para outros eventos do mesmo nível. Que venha o Paul McCartney.”
Formada em comércio exterior, funcionária da Fundação Getulio Vargas, Rebeca Torres estava ao lado do marido, Wladimir Cardoso Brandão, professor de computação na PUC, e do filho Gabriel, de 13 anos. Estudante do Colégio Santa Doroteia, o adolescente disse gostar muito de Elton John, justamente por causa dos pais. “Sempre escutei as músicas dele lá em casa”. Wladimir e Rebeca também elogiaram a infraestrutura do estádio, que, segundo eles, funcionou muito bem, de forma surpreendente. “Isso sem falar do show, que foi lindo. Elton John é top, categoria diferenciada”, repetiu Wladimir, com a voz já bastante rouca de tanto cantar os sucessos do astro.
Quem também se entusiasmou com a apresentação foi Samira Torres Lauar, enfermeira no Hospital PHD-Pace, em Belo Horizonte. Na companhia da tia Maria do Carmo Lauar, funcionária aposentada da Cemig, e da amiga Ana Paula Meireles, que é nutricionista, ela era só elogios. “Nás três adoramos o show, valeu a pena termos vindo, e esta apresentação já ficou como um momento inesquecível para nós”, disse.