Ela não tem a mesma projeção da música clássica em Belo Horizonte, mas vem ocupando cada vez mais espaço. A música antiga, que engloba os períodos medieval, barroco e renascentista, tem seus próprios instrumentos, compositores e estéticas, universo riquíssimo que, pouco a pouco, vem conquistando o público da cidade – os jovens são presença marcante – e motivando eventos, cursos e grupos musicais.
“O universo da música antiga ainda é muito incipiente aqui, mas tem crescido”, avalia André Cavazotti, professor de violino barroco da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Tanto em público quanto em atividades. Há iniciativas pontuais e heroicas”, completa, se referindo, por exemplo, a pessoas como o professor da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) Domingos Sávio Brandão, que organiza eventos na área, e ainda o cravista Robson Bessa, do conjunto Música Figurata, e o grupo Mnemusik, especializado no repertório barroco.
Tendência “Há muita gente nova interessada na música antiga, incluindo universitários e pessoas que não vão aos concertos de música clássica”, continua André Cavazotti. “Atribuo isso ao fato de ser uma música um pouco exótica, pois ainda não é muito conhecida e porque apela muito para as emoções, o que nem sempre acontece na música clássica. Além disso, sua projeção sonora é menor, ou seja, serve para ambientes menores. O público gosta desse contato com os músicos.”
Cavazotti foi um dos organizadores da Semana de Música Antiga da UFMG, importante evento bienal da música antiga que trouxe à capital mineira e cidades próximas, no ano passado, concertos, cursos, palestras e apresentações de pesquisa do gênero, incluindo especialistas em instrumentos vindos de outros países. Parte da programação, incluindo apresentações em igrejas da cidade, Ouro Preto e Sabará, era gratuita.
Mês passado, em Belo Horizonte, o Sesc Palladium realizou a primeira edição do Seminário Sesc de Música Antiga, com concertos, oficinas e palestras abertos ao público . Uma das atrações foi o grupo de música antiga da Uemg, Festivitas, formado por professores e alunos da universidade e coordenado por Domingos Sávio, docente da escola de música da instituição.
“Há um aumento considerável do interesse entre os estudantes de música, o que reforça a ideia de que mais grupos podem surgir. É um excelente momento para se voltar à música antiga, há oportunidades crescentes de trabalho, pois percebemos que a cada nova apresentação o público se identifica com a música, o que faz com que novos espaços de concerto se interessem em colocar em sua programação música barroca de qualidade”, afirma a soprano Rhaissa Cerqueira, do grupo Mnemusik.
Ela também acredita que o público da música antiga em Belo Horizonte está crescendo. “Especialmente entre os jovens adultos”, detalha. Uma das peculiaridades do trabalho que desenvolve no Mnemusik é o fato de que a interpretação das peças é “historicamente informada”. Na prática, isso significa que os músicos se valem de todo o conhecimento disponível para fazer com que a música soe o mais próximo possível de como seria executada na época em que foi escrita.