"A gente nunca sabe o que o público vai querer", diz Tuca Andrada sobre novelas sem audiência

O ator, de 51 anos, está escalado para a novela 'Sagrada família', que foi adiada

por Diário de Pernambuco 07/12/2015 09:59
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(foto: Divulgação)
O ator Tuca Andrada, de 51 anos, mora há 30 no Rio de Janeiro. O pernambucano se despediu do Recife aos 21 para tentar carreira como ator. Os primeiros passos foi no teatro do colégio Contato. Ao chegar no Rio de Janeiro, estreou no espetáculo O pequenino grão de areia, dirigido pelo conterrâneo João Falcão. "Em qualquer carreira, existe frustração e coisas boas. Mas sou muito feliz com a carreira que escolhi", declara Tuca.

Neste ano, ele estreou Nordestinos, segundo espetáculo da carreira em que atua como diretor. O ator planeja fazer turnê nacional, mas nada acertado. No cinema, ele está no elenco de A palavra, filme de Guilherme de Almeida Prado, com previsão de estreia em março de 2016. "Quanto mais habilidade o ator tiver, há mais chances para um começo. A forma que a cultura é tratada no país é que dificulta. Apesar de todas as leis de incentivo, há muita coisa que está empobrecendo", comenta.

Atualmente, o ator está no elenco da segunda temporada de Homens são de Marte e é pra lá que eu vou, exibida no canal GNT, às quintas-feiras.

Na televisão, os seus últimos trabalhos foram na TV paga, com Homens são de marte e é pra lá que eu vou (GNT) e Poltrona 27 (Canal Brasil), que ainda vai estrear. Gostou do formato?
Eu acho ótimo. Isso é o futuro da televisão brasileira. É menor, um ritmo muito mais lento. Você tem mais tempo para fazer as coisas. É um formato de cinema, possibilita um cuidado maior. É bom para os autores, atores, técnicos... Tem muitos projetos em andamento por conta dessa facildidade. Eu filmou Poltrona 27 em uma semana em Minas Gerais. Eu sou o narrador de todas as histórias. Um escritor, jornalista, que anda pelo estado e as pessoas sentam ao lado dele para contar histórias. Estão filmando a parte da ficção agora. Eu acredito que estreia depois do carnaval.

Babilônia passou por uma crise e A regra do jogo também não levantou os índices de audiência. Qual o desafio de uma novela do horário nobre?
Esses dois casos tinham elenco maravilhoso. A regra do jogo tem uma história fantástica. O público é um grande mistério. A gente acha que sabe. Mas não sabe. Se o público não quer ver, fim de papo. Isso acontece no teatro. É uma coisa que a gente vai aprendendo fazendo. As duas novelas têm elenco enorme, produção riquíssima, com tudo que a Globo podia dar e, de repente, o público não quer… Prefere ver Os dez mandamentos. Isso não tem explicação. As novelas, independentemente de canais, perderam público por causa da concorrência. Séries na TV a cabo, vídeos na internet, o Netflix e games, não tem mais uma única diversão. Saber o que vai dar certo ninguém sabe. A gente desconfia.

A queda de audiência provocou um crise em Babilônia, que passou por várias mudanças. Como foi para você estar no meio disso?
Quando você entra na novela, você sabe que isso pode acontecer. A gente nunca sabe o que o público vai querer. Às vezes, você começa com vilão e termina como herói. Tem que estar pronto para tudo. É uma obra aberta... A gente tem uma ideia. Tem que deixar portas abertas.

Você estava reservado para o elenco da novela Sagrada família, que foi adiada… Como reagiu? Qual seria seu personagem?

A grade de TV é uma coisa complicada. Prefiro nem entender. Eu li há muito tempo a sinopse. Eu estava gravando Os homens são de Marte… e me mandaram. Na novela, eu seria casado com a personagem de Emanuelle Araújo, com dois adolescentes e uma criança. A novela tem abordagem política, mas ficaria de fora disso. Iria trabalhar na fábrica do personagem de Tarcísio Meira.

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