Como você conseguiu seu primeiro papel na televisão?
Eu já tinha feito alguns testes para Malhação e novelas e fui convidada pela produtora da novela Começar de novo para integrar o elenco de apoio. A experiência foi ótima. Mas confesso que estava um pouco insegura. É natural: estava chegando a um lugar novo, não sabia o que podia e o que não podia fazer. Nessa época, tive bastante contato com o ator Carlos Vereza, que conversava bastante com a gente.
A escrava Adelaide, de Sinhá Moça, foi seu primeiro trabalho com reconhecimento. Guarda boas lembranças dela?
A Adelaide sempre volta à memória. Lembro-me dela com bastante carinho. Foi meu primeiro contato com uma personagem importante para a história. Além disso, o elenco da novela era maravilhoso e me recebeu muito bem. Tive contato com o Fabrício Boliveira, que contracenava comigo. A Zezé Motta foi bastante receptiva. Havia ainda o Osmar Prado e a Patrícia Pillar. Conversava com eles fora das gravações sobre as personagens, sobre como seriam as cenas. E o texto era uma delícia, dava para brincar bastante.
O papel da cozinheira Maria Cesária, de Cordel encantado, foi bastante disputado. Você ficou ansiosa durante os testes?
Não tinha como não ficar ansiosa. Foram dois meses de testes e, quando saiu o resultado, foi uma vitória. Eu queria muito esse papel porque era uma proposta diferente: misturava fantasia e realidade. A cozinheira que no final vira rainha. Sempre refletia como seria esse caminho e a construção da personagem.
Era como brincar de faz de conta?
A Maria Cesária transformava as pessoas por meio da comida. Se ela estava feliz, todos ficavam felizes. Se estava triste, todos ficavam tristes. Era preciso acreditar nisso, voltar a ser criança. O ator tem que sempre manter a criança interna viva, não pode perder isso de vista. Para completar, o elenco também era incrível e eu estava rodeada de pessoas boas. Digo sempre que tive muita sorte.
O que se pode esperar para a Sheila, em Salve Jorge? Como você avalia esse papel?
Tem a história de ela servir de isca para pegar a máfia. A trama caminha para o final e algumas coisas vão se resolver. A Sheila teve seus momentos na história. Primeiro, quando a Morena (Nanda Costa) voltou para o Alemão com a Jéssica (Carolina Dieckmann), ela ficou bastante enciumada. Depois, ela descobriu sobre o tráfico e veio a morte da amiga. Até ela contar para Lucimar foi um momento ótimo para a personagem na trama. Tenho que agradecer à Glória Perez (autora de Salve Jorge) por ter me dado a oportunidade de fazer algo diferente e por dar a chance de a Sheila também escrever seu nome na história da novela. Vamos ver daqui para a frente, também estou na expectativa.
Você chegou a conversar com as meninas da comunidade para compor a Sheila?
Fizemos um workshop antes de começar a novela. Havia três meninas e eu conversei com todas. Já estava com alguns textos na mão e uma delas me chamou a atenção. Apesar de ter crescido no Alemão como as outras, ela era diferente. Achei-a muito parecida com a Sheila e pensei: é nela que eu vou me inspirar.
É verdade que você fez aulas de funk para elaborar a personagem?
Sim, tive aulas de funk no workshop. Já a Lucimar (Dira Paes) e a Delzuíte (Solange Badim) tiveram aulas de gafieira. Foi muito divertida essa integração do elenco antes de começarem as gravações.
E, ao final de Salve Jorge, você pretende sair de férias ou está escalada para outros projetos?
Tenho a proposta de uma peça chamada Escove os dentes após o beijo e de fazer um filme. Mas são apenas negociações por enquanto.