Após uma trajetória marcada pela arte, mas também por dificuldades financeiras, invasões e saques, o Teatro Kleber Junqueira, localizado no Bairro Calafate, na Região Oeste de Belo Horizonte, deverá fechar as portas definitivamente. A informação é do diretor administrativo e financeiro do equipamento cultural particular, Éder Paulo. Único da Região Oeste de BH, o Teatro Kleber Junqueira está sem apresentações desde 2017, e, três anos antes, mostrava dificuldades em se manter aberto ao público.
Segundo Éder Paulo, a única esperança do teatro era conseguir um patrocínio da Cemig, no valor de R$ 1,5 milhões, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, porém a empresa alegava que só poderia conceder o incentivo quando a SECULT (Secretaria de Estado de Cultura e Turismo) aprovasse uma prestação de contas referente a 2018, que foi protocolada em fevereiro deste ano. A data prevista para a aprovação é de 6 a 12 meses.
Em nota, a Cemig alegou que em 2018 acatou uma solicitação de patrocínio de R$ 20 mil para realização da peça “A roupa Nova do Imperador”, que seria exibida gratuitamente para alunos da rede pública de ensino. No mesmo ano, a empresa também aceitou custear a manutenção do projeto, no valor de R$ 150 mil, aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Porém a peça nunca foi apresentada. O teatro alegou que o valor solicitado antes não era o suficiente para pagar o aluguel e as contas do espaço.
Uma nova tentativa de negociação aconteceu na última terça-feira, porém, novamente sem sucesso. A Cemig acusou a administração do Kleber Junqueira de não apresentar os documentos solicitados para a aprovação das contas e ainda alega terem sofrido ofensas por parte dos representantes do teatro ao telefone. “A empresa entende que não há mais diálogo possível e decidiu recorrer à justiça contra as graves ofensas.”
Kleber Junqueira, fundador e dono do teatro, nega as acusações. “Não há disposição da Cemig para conversa. Temos todos os documentos adimplentes na SECULT em que justificamos a não apresentação do projeto de 2018 porque o espaço não tinha estrutura técnica nem de segurança para receber uma plateia na situação em que se encontrava.” Segundo Junqueira, o teatro tenta desde fevereiro marcar uma reunião com a Cemig mas não obtém retorno.
A administração do espaço teme que a estrutura do teatro não dure muito tempo. Com as chuvas fortes e os inúmeros arrombamentos e saques, o prédio antigo se encontra em risco de desmoronamento. Éder conta com tristeza que as invasões se tornaram frequentes. “As portas não tem nem mais a estrutura para colocar cadeados. Eu moro perto e toda madrugada que ouço algum barulho eu corro para o teatro sabendo o que vou encontrar: as portas destruídas.”
A equipe do teatro também já havia procurado ajuda da prefeitura, porém não conseguiu acordo. Por meio de nota, a Secretaria Municipal da Cultura e a Fundação Municipal de Cultura disse reconhecer a importância deste espaço cultural para Belo Horizonte, porém qualquer tipo de incentivo ou concessão por meio da prefeitura dependia de editais específicos, como a Lei Municipal de Incentivo à Cultura e o Fundo Municipal de Cultura.
* Estagiário sob supervisão da subeditora Ellen Cristie.