Loja no Parque Municipal vai distribuir roupas a moradores de rua

The Street Store, ideia importada da África do Sul há três anos, oferece calças e calçados principalmente para homens

por Helvécio Carlos 25/11/2018 11:00

Silvia Xavier/Divulgação
(foto: Silvia Xavier/Divulgação)
Há pelo menos três anos a definição de loja de rua ganhou um conceito mais amplo e solidário. Foi quando Luciana Duarte trouxe para Belo Horizonte proposta que ganhava força no exterior. Nas ruas de centros urbanos, calças, camisas e sapatos, principalmente, eram expostos em araras, como em uma loja convencional. O detalhe é que o público-alvo, moradores de rua, poderia passar, namorar o produto e levar o que lhe agradasse.

 

Luciana encontrou em Marcella Brustolini e Léo Máximo apoio importante para o projeto seguir adiante com sucesso. “A nossa maior motivação para continuar com o projeto é perceber que ele ganhou vida própria, tornou-se parte de um calendário de solidariedade em Belo Horizonte”, diz Léo Máximo. “Lideranças sensacionais, como Marcella Brustolini, Priscila Prado e inúmeras outras pessoas admiráveis, que surgiram ao longo desses anos, também são garantia para o sucesso do projeto”, acrescenta.

A próxima edição do The Street Store está marcada para sábado, 1º de dezembro, na calçada do Parque Municipal, na Avenida dos Andradas, 800. As doações podem ser feitas até quinta-feira, em pontos de coleta na Escola de Engenharia da UFMG, no hall da cantina inferior do DA de Engenharia de Produção (Avenida Presidente Antônio Carlos, 6.627); Loja Fast Frame (Rua Cláudio Manoel, 156 – Loja 3, Funcionários), de segunda a sexta, das 9h às 18h; sábado, das 9h às 13h; Orthocrin Gutierrez (Rua André Cavalcanti, 585, Gutierrez), em horário comercial; Unique Espaço Infantil (Rua José Rodrigues Pereira, 487, Buritis), em horário comercial; RB Park Estacionamento (Avenida Augusto de Lima, 1.126, Barro Preto). No dia do evento, as doações devem ser entregues em frente ao Parque Municipal, preferencialmente, no período da manhã. “Lembrando que as doações são de roupas, calçados e acessórios, preferencialmente masculinos”, reforça Léo Máximo.


Pedro Tanure/Divulgação
Luciana Duarte, Leonardo Máximo e Marcella Brustolini, do The Street Store (foto: Pedro Tanure/Divulgação)
ENTREVISTA
Leonardo Máximo


Qual o balanço que você faz de três anos de evento?
O balanço é positivíssimo. Desde que a Luciana Duarte trouxe o projeto para BH e a primeira edição se realizou, em abril de 2015, a cidade abraçou o The Street Store com enorme carinho: voluntários, doadores, imprensa... Há um grande interesse por parte de todos e também um grande envolvimento. Foram milhares de peças distribuídas no total das edições, centenas de voluntários, mais de 1,2 mil pessoas atendidas. Nesta edição, contamos com a preciosa ajuda dos alunos da Luciana Duarte, que têm ajudado muito na organização.

O que mudou em relação à sua percepção sobre do morador em situação de rua antes e após o The Street Store?

O The Street Store nos permitiu uma visão mais verdadeira e humanizada da pessoa em situação de rua: quem é essa pessoa, quais as suas necessidades reais, o que ela busca, quais as melhores formas de interagir com ela. Saímos de uma posição de condescendência, de piedade, para chegar a um diálogo mais efetivo, com compreensão daqueles seres humanos, merecedores de todo o nosso respeito.

Das histórias que você viu e ouviu ao longo dos três anos, qual delas foi mais impactante e, de alguma forma, transformadora?

Alguns episódios nos tocam muito. O da pessoa que se vestiu com roupas adquiridas na The Street Store, conseguiu emprego e voltou na edição seguinte para nos contar sempre me emociona enormemente. Mas os miniepisódios que ocorrem durante o evento são todos muito relevantes. É sempre tocante ver, por exemplo, quando algum(a) morador(a) percebe que um(a) colega está precisando de determinado item e o(a) ajuda a procurar em meio às doações, e vibra quando a pessoa encontra.


Além de oferecer um pouco de conforto a quem não tem nada, o que o TSS mostra de mais importante para nós?

Mostra-nos a importância do diálogo, da participação, da tentativa de compreender o outro pelo que ele(a) é, e não pela lente que gostamos de lhe atribuir. Lembra-nos que é preciso resgatar a autoestima de pessoas que são “invisíveis” na dinâmica urbana, lembrar a essas pessoas que são sujeitos(as) de direitos, e que lhes é lícito, sim, escolher o que vão vestir.

Solidariedade é a palavra de ordem em dias tão cruéis?
Solidariedade tem lugar sempre. Em tempos difíceis, curiosamente, apura-se a percepção de que o outro tem necessidades, está em apuros. Temos notado essa movimentação, o surgimento de iniciativas por todas as partes, atos espontâneos de organização social que buscam levar conforto e apoio a quem precisa.

Qual é a necessidade de quem é atendido pelo projeto?
Eles têm inúmeras necessidades. Obviamente, a roupa é uma demanda real, especialmente o vestuário masculino (calçados masculinos, então, são o item número 1 em nossa lista de necessidades!). Vale lembrar que aproximadamente 90% das pessoas que atendemos são homens. Por outro lado, a vontade de interação é também muito grande. As pessoas querem contar suas histórias, expressar seus pontos de vista, verem-se reconhecidas como cidadãos(ãs). Nossa ideia é justamente buscar atender a essa necessidade maior, que é o encontro da roupa com o acolhimento, com a humanização dessa população, que segue sendo tão maltratada cotidianamente.

Basta caminhar pelo Centro da cidade para perceber o aumento dos moradores de rua. Qual a solução para resolver o problema que afeta principalmente quem está ao relento?
A solução nos parece passar por políticas públicas sólidas e com continuidade, e que tragam a interlocução com as pessoas em situação de rua. É muito importante que as iniciativas governamentais entendam quem são essas pessoas, do que elas precisam, o que elas pensam e como vivem, de forma a desenvolver programas e projetos que tenham coerência com a realidade.

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