Uma Thurman acusa Harvey Weinstein de assédio

Os fatos ocorreram após o lançamento de "Pulp Fiction" em 1994

por AFP - Agence France-Presse 05/02/2018 12:48

Uma Thurman, a musa do diretor Quentin Tarantino e próxima a Harvey Weinstein, juntou-se à lista de atrizes que acusam o magnata de Hollywood de assédio, detalhando em uma entrevista sua raiva e desapontamento.

Montagem AFP/Divulgação
Uma é mais uma atriz que acusa o produtor Harvey Weinstein (foto: Montagem AFP/Divulgação)

A atriz falou em uma entrevista publicada no sábado (3) pelo New York Times para contar a agressão que sofreu. Os fatos ocorreram após o lançamento de "Pulp Fiction" em 1994. Depois de uma reunião de trabalho em Paris, Harvey Weinstein convidou a atriz para seu quarto e depois para uma sauna de hotel. Uma Thurman encontrou seu produtor em Londres, também em seu quarto de hotel.

 

"Ele me empurrou, tentou se esfregar em mim. Ele tentou se mostrar, tentou todas as coisas mais nojentas. Mas ele não conseguiu nada e me forçou. Você fica como um animal tentando fugir", relata na entrevista. Pouco depois, Uma Thurman foi ao hotel do abusador para encará-lo. Ela explica tê-lo advertido: "Se você fizer o que fez com outras pessoas, vai arruinar sua carreira, sua reputação e perder sua família, eu garanto". "O Sr. Weinstein admite ter tentando avanços contra a Sra. Thurman depois de interpretar mal a sua atitude em Paris. Ele imediatamente se desculpou", mas se pergunta por que Uma Thurman "esperou 25 anos para tornar pública essas alegações", reagiu em um comunicado uma porta-voz do ex-produtor, que atualmente está em terapia no Arizona.

 

Harvey Weinstein está "atordoado e entristecido", assegurou seu advogado Ben Brafman em um comunicado, acrescentando que as declarações de Uma Thurman ao New York Times "serão examinadas e verificadas cuidadosamente antes que se decida se um procedimento legal contra ela é apropriado". De acordo com sua amiga Ilona Herman, que a acompanhava, Uma Thurman borbulhava de raiva quando deixou Harvey Weinstein depois da discussão naquele dia. O produtor ameaçou pôr em perigo sua carreira. "Eu me sinto tão mal por todas as mulheres atacadas depois de mim", afirmou a atriz, de 47 anos, na entrevista, comparando essas vítimas a "cordeiros entrando no matadouro".

 

"Uma Thurman conhece nossa indústria há 30 anos. Tenho muito respeito por ela, ela é uma guerreira", comentou a atriz Jessica Chastain, enquanto Reese Witherspoon falou de um testemunho "profundamente chocante". 

 

Dois dos maiores sucessos de Uma Thurman, "Pulp Fiction" e "Kill Bill", foram dirigidos por Tarantino e produzidos por Weinstein, enquanto a dupla era uma das mais poderosas em Hollywood na época. Uma Thurman contou a agressão que sofreu para Tarantino, que não a levou a sério. "Ele colocou a história de lado e disse a si mesmo: 'Oh, pobre Harvey, tenta ter garotas que não pode ter'". Foi apenas em 2001, quando ela insistiu, perturbada pela presença de Weinstein durante o Festival de Cinema de Cannes, que o cineasta percebeu a gravidade dos fatos contra seu produtor. "Ele entendeu, falou com Harvey". O fundador da Miramax então se desculpou com a atriz. "Seu olhar mudou, a agressividade se transformou em vergonha". As ações de Tarantino durante a filmagem de "Kill Bill: Vol.2" (2004) também foram denunciadas por Uma Thurman, que descreve um comportamento violento, à beira do sadismo.

 

A atriz não queria dirigir um carro antigo em uma famosa cena onde encontraria Bill, já que um membro da equipe de filmagem havia alertado sobre o mau estado do veículo. Recusando usar uma dublê, o diretor forçou a estrela a dirigir o carro a toda velocidade. Uma Thurman sofreu um acidente, chegando a pensar que havia perdido o movimento das pernas. Até hoje, ela diz que ainda sente dores no pescoço e nos joelhos. "Tivemos uma briga feia, eu o acusei de tentar me matar". O diretor vencedor de vários prêmios Oscar explicou em outubro que sabia há anos sobre as ações de Harvey Weinstein, agora acusado de assédio sexual, agressão e estupro por uma centena de mulheres. "Eu sabia o suficiente para agir mais do que fiz", reconheceu.

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