Relembre os artistas mineiros que se destacaram em 2017

Apesar da fama de fracassado, ano foi positivo para nomes de diferentes linguagens artísticas

por Mariana Peixoto 31/12/2017 08:00

Elisa Mendes/divulgação
Cinthia Marcelle representou o Brasil na 57ª Bienal de Veneza (foto: Elisa Mendes/divulgação)
Que 2017 foi um ano difícil para os brasileiros não é novidade para ninguém. A despeito das dificuldades, vale dizer: 2017 foi não bom, mas ótimo, para uma série de artistas e realizadores. A mineira Cinthia Marcelle brilhou na 57ª Bienal de Veneza; o coreógrafo Rodrigo Pederneiras e o Grupo Corpo surpreenderam com o espetáculo Gira, inspirado na umbanda;
Arábia, filme de Affonso Uchoa e João Dumans, saiu consagrado do Festival de Cinema de Brasília. O romancista Silviano Santiago e a educadora Magda Soares ganharam o 59º Prêmio Jabuti nas categorias ficção e não ficção/livro do ano. E, em dezembro, a belo-horizontina Samantha Ayara venceu o reality musical The Voice Brasil.

MAIO

» Artes Visuais
CINTHIA MARCELLE

Cinthia Marcelle (foto), artista mineira radicada em São Paulo, representou o Brasil na 57ª Bienal de Veneza, a mais antiga exibição de arte do mundo. A instalação Chão de caça ocupou todo o pavilhão brasileiro (duas salas e um corredor), construído em 1964.O trabalho é composto por um piso gradeado típico de metrô, um conjunto de esculturas e um vídeo feito em parceria com o cineasta Tiago Mata Machado. O filme, Nau, reúne homens destelhando um prédio para alcançar a liberdade. A encenação sugere presidiários em rebelião ou a cena de um naufrágio. O trabalho de Cinthia recebeu menção especial da Bienal, “por uma instalação que cria um espaço enigmático e instável no qual não podemos sentir seguros. Tanto a estrutura da instalação como o vídeo de Tiago Mata Machado enfrentam problemáticas da sociedade brasileira contemporânea”, informaram os organizadores do evento italiano. Além da Bienal em Veneza, Cinthia teve um trabalho exposto em Nova York. No PS1, anexo do MoMA, ela exibiu, até setembro, a instalação Educação pela pedra.

 

AGOSTO

»Dança
GRUPO CORPO

Os ritos da umbanda serviram de inspiração para Gira (foto), espetáculo do Grupo Corpo que estreou no início do segundo semestre. A montagem marcou o encontro do coreógrafo Rodrigo Pederneiras com os terreiros das tradições afro-brasileiras.Há algum tempo não se via tamanha louvação em torno de um espetáculo da companhia mineira, que já soma 42 anos de história. Bailarinos e bailarinas com um figurino único – saias brancas – encontraram-se num quadrado negro, muito iluminado, que emulou a gira, o espaço e o momento em que as entidades “descem” para que as pessoas se elevem.A figura de Exu guia toda a coreografia. A sugestão do tema veio do Metá Metá, grupo que trabalha com a música afro-brasileira e criou a trilha sonora. Com críticas mais do que positivas, o Corpo, com Gira, conseguiu um fato inédito em sua carreira. Tradicionalmente estreando em São Paulo, a companhia, pela primeira vez, teve que fazer duas sessões extras na capital paulista. Quando a montagem veio a BH, em setembro, a repercussão foi a mesma.Passado o réveillon, a companhia já volta a trabalhar. Embarca para os EUA, onde faz turnê com o programa de 2015 (Suíte branca e Dança sinfônica). No Brasil, Gira voltará a ser apresentado no segundo semestre.

 

SETEMBRO

» Cinema
ARÁBIA

Longa-metragem de Affonso Uchoa e João Dumans, Arábia foi exibido no dia 23, durante o encerramento das competitivas do Festival de Cinema de Brasília. Saiu consagrado da 50ª edição do mais tradicional evento do gênero no país – levou cinco prêmios, inclusive o troféu Candango de melhor filme. O longa, cujo título foi tirado de um conto de Dublinenses, livro de James Joyce, mostra uma década na vida de um trabalhador brasileiro. Aristides de Sousa (foto) interpreta Cristiano, homem de Contagem (cidade de Uchoa), que, mudando de emprego, vai parar em Ouro Preto, onde Dumans nasceu. Operário de uma fábrica de alumínio, Cristiano sofre um acidente. Um garoto encontra o caderno do trabalhador, em que ele explica como chegou até ali. A partir disso, a narrativa é apresentada em flashback. A consagração em Brasília ocorreu depois da bem-sucedida trajetória em festivais estrangeiros – a première foi em janeiro, no Festival de Roterdã, na Holanda. “É uma questão importante pra gente, especialmente em se tratando de cinema no Brasil, pois o circuito é muito enxuto. Esse tipo de prêmio nos permite chegar a mais pessoas”, diz João Dumans. Arábia deve ser exibido no circuito comercial entre março e abril. É o primeiro longa da distribuidora Embaúba, recém-criada por Daniel Queiroz, ex-programador do Cine 104, em BH.

Katasia Filmes / Divulgação
Aristides de Sousa também ganhou o prêmio de melhor ator pelo papel em Arábia, no Festival de Brasília (foto: Katasia Filmes / Divulgação)
 

 

NOVEMBRO

» Literatura
SILVIANO SANTIAGO

Com 81 anos de vida e pelo menos 60 dedicados à escrita, o ensaísta, poeta, professor, contista e romancista Silviano Santiago (foto) colecionou prêmios importantes, como o Governo de Minas Gerais de Literatura (2010), Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (2013), e Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa (2015). E foi Machado de Assis (1839-1908) quem lhe deu a mais importante premiação de sua carreira. O romance Machado (Cia. das Letras, 2016)
venceu o 59º Prêmio Jabuti. Eleita livro do ano de ficção, a obra aborda os três últimos anos do autor de Dom Casmurro. Santiago traça um paralelo entre as crises nervosas e a criação literária do escritor por meio de conversas dele com Mário de Alencar, filho de José de Alencar. Nascido em Formiga e radicado no Rio de Janeiro desde a década de 1970, Santiago, um dos maiores críticos literários do país, foi também homenageado este ano pelo Suplemento
Literário de Minas Gerais. Ainda sobre o Jabuti, vale lembrar: houve uma dobradinha mineira entre os vencedores. Na categoria livro do ano de não ficção, ganhou a educadora belo-horizontina Magda Soares por Alfabetização: a questão dos métodos (Contexto).

 Maria Tereza Correia/EM
(foto: Maria Tereza Correia/EM)
 

DEZEMBRO

» Música
SAMANTHA AYARA

Para Samantha Ayara (foto), de 20 anos, 2017 teve dois momentos bem distintos. Até setembro, a moradora do Vale do Jatobá, no Barreiro, dedicava-se a terminar o ensino médio e às aulas de dança do ventre e ioga. Quando chegou setembro, seu cotidiano mudou radicalmente. Todas as quartas-feiras, ela ia ao Rio de Janeiro participar de mais uma etapa do The Voice Brasil.Sem qualquer educação musical, Samantha canta por intuição. Sua preferência é música pop. Veio a final, no dia 21, e a mineira ganhou. Uma semana mais tarde, ela, que levou R$ 500 mil e um contrato com a Universal Music, diz: “A ficha ainda não caiu”. “Estou assustada com o que está acontecendo, pois não tinha noção da responsabilidade. E a história não acabou, agora é que ela começa”, conta Samantha, que em janeiro vai se reunir com a gravadora para começar a definir sua carreira.Até o reality, ela só havia cantado em público no templo da Assembleia de Deus que frequentou com a família até o ano passado. “Graças a Deus, sou muito pé no chão. Família e carreira são minha prioridade agora”, diz.Com parte dos R$ 500 mil, Samantha pretende ajudar a família (a mãe é costureira, o pai trabalha num serviço de troca de óleo). “O dinheiro não paga o que recebo deles, mas quero melhorar as coisas em casa”, revela.

 

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