Mineiros do The Voice estrelam musical sobre Senna

Pepê Santos e Lucas Vasconcelos foram para o Rio e vão seguir a carreira artística

por Ana Clara Brant 30/12/2017 08:00

André Wanderley/divulgação
André Wanderley/divulgação (foto: André Wanderley/divulgação)
Desde a infância, os adolescentes João Pedro Santos, o Pepê, e Lucas Vasconcelos sonham com a carreira artística. A primeira grande chance da dupla surgiu no reality The Voice Kids, da TV Globo. Pepê participou da primeira edição e Lucas foi um dos destaques da segunda. A dupla nunca havia se esbarrado, apesar de compartilhar os mesmos objetivos e viver em Minas – Pepê em Belo Horizonte e Lucas em Conselheiro Lafaiete. Por um acaso do destino, os garotos estão não só morando juntos no Rio de Janeiro, como se revezam no mesmo papel em Ayrton Senna – O musical, em cartaz até fevereiro na capital fluminense.


“A gente se conheceu no teste porque nossas mães começaram a conversar, por conta da afinidade de sermos mineiros. Acabamos passando e agora dividimos a casa e o personagem. Ficamos muito amigos”, revela Pepê, de 16 anos.
As coincidências não param por aí. Os dois tiveram referências musicais não só dos pais e irmãos, mas, principalmente, das avós. “Comecei a me interessar por música aos 6 anos. Minha avó sempre gostou de cantar e me influenciou bastante. Depois, meus pais me colocaram em uma escola de musicalização”, revela Lucas, de 15.


Pepê despertou para as notas musicais por volta dos 5, 6 anos. O norte veio da avó materna, que toca piano e acordeom. “Via que ela, meu pai e meu irmão estavam envolvidos com música e me interessei. Aprendi a cantar e a tocar violão sozinho”, conta.


Os garotos dizem que The Voice foi fundamental na vida deles, tanto pelo aprendizado quanto por abrir portas. Em agosto, uma produtora de elenco os convidou a fazer teste para o musical sobre Senna. “Foi tudo bem rápido. Em três dias, a gente já estava no Rio. Foi uma grande coincidência escolherem para o mesmo personagem, no meio de tantos candidatos, justo eu e o Lucas, que somos mineiros, viemos do The Voice Kids e nunca tivemos experiência com teatro”, ressalta Pepê.
Desde novembro, eles interpretam Wandson, personagem fictício que representa a preocupação do ídolo da Fórmula 1 com as questões sociais. O papel remete ao começo do Instituto Ayrton Senna, que, há mais de 20 anos, contribui para ampliar as oportunidades de crianças e jovens por meio da educação.


“Wandson contracena com o Beco, como o Ayrton era chamado pela família e amigos. Certo dia, o garoto rouba cola de sapateiro da loja onde o Beco trabalhava, mas acaba acolhido por ele. É bem interessante”, relata Lucas. Ele e Pepê nasceram muito depois da morte de Ayrton.


“Gosto muito de automobilismo e, claro, admiro o Senna. Mas agora passei a conhecer melhor a história dele, assisti a documentários e entrevistas. Fiquei ainda mais fã”, assegura Lucas, que recebeu críticas positivas de alguns jornais e até de William Bonner. O jornalista é primo do ator Hugo Bonemer, protagonista do musical. “Ele disse que eu tenho muito futuro”, revela.
Pepê não é grande admirador de corridas e da Fórmula 1, mas reverencia o tricampeão mundial. “Sempre soube que Ayrton era um cara muito querido no Brasil e no mundo, um ícone. No musical, passei a conhecê-lo melhor”, diz.

APOIO Deixar pais, irmãos, amigos e a escola não foi tão difícil, dizem os garotos. Os dois estão passando por muitas mudanças, mas se dizem felizes. “Sinto falta da minha família, mas estou muito satisfeito de estar no musical. Quando viemos ao Rio para o teste, comentei com minha mãe: vou morar aqui, você vai ver. O sacrifício está valendo a pena”, ressalta Lucas.


Ângela, mãe do jovem ator, diz que a família sempre o incentivou: “Ainda mais a gente morando no interior... Aqui, as oportunidades são complicadas, tem de sair mesmo. E essa foi uma grande chance. Sinto muita saudade, mas a gente o apoia sempre.”


Pepê diz que a mudança para o Rio de Janeiro, onde ele e Lucas continuaram a estudar, foi um processo tranquilo. Quer morar lá ou em São Paulo. O contrato dos garotos vai até fevereiro, quando o espetáculo encerra a temporada carioca. “Tudo leva a crer que o musical vai pra Sampa, onde o Senna nasceu, onde mora a família dele. Mas ainda está indefinido. Se depender de mim, não volto para BH”, diz.


Adriana, mãe de Pepê, mudou-se de mala e cuia para o bairro da Tijuca com o filho. “Sou funcionária pública. Aproveitei as férias-prêmio e fui para o Rio. Moro com o Pepê e o Lucas, que veio viver com a gente. O que uma mãe não faz pelo sonho de um filho, não é mesmo?”, ressalta.

 

 

Ícone das pistas

Estrelado por Hugo Bonemer e João Vitor Silva, Ayrton Senna, o musical aborda o espírito guerreiro e solidário do ícone brasileiro do automobilismo. Inerente à vida de Senna (1960-1994), a velocidade é representada por números aéreos e pendulares. O diretor Renato Rocha mesclou circo e teatro no espetáculo, cujo elenco reúne 24 atores, cantores, bailarinos e acrobatas. Assinado por Claudio Lins e Cristiano Gualda, o texto relembra grandes momentos da trajetória do campeão, mas
não se trata de uma biografia linear. A trama se passa durante as últimas cinco voltas de Ayrton na pista de Ímola, onde ocorreu o desastre que o matou. Quinze canções foram compostas para o espetáculo por Lins e Gualda. Em cartaz até 4 de fevereiro no Rio, o musical deve seguir para São Paulo em março.

 

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