Semana terá abertura de mostras artísticas em BH e Tiradentes

Capital recebe a segunda edição do FLI e a sétima do Cinecipó, enquanto a cidade histórica abre o 6º Artes Vertentes; confira as programações

por Mariana Peixoto 13/09/2017 08:00
Embrafilme/Divulgação
A hora da estrela, premiado longa de Suzana Amaral, a partir da obra de Clarice Lispector, integra o braço cinematográfico do FLI-BH (foto: Embrafilme/Divulgação)
Literatura, artes visuais e cênicas, cinema e música. Diferentes áreas artísticas ganham palco em dois festivais que têm início nesta quinta-feira. Em Belo Horizonte, o Centro de Referência da Juventude vai receber, pela primeira vez, o Festival Literário Internacional (FLI-BH), aqui em sua segunda edição. E Tiradentes realiza, durante 10 dias, a sexta edição do Festival Artes Vertentes.


A produção literária independente é o foco do FLI-BH. Promovido pela Fundação Municipal de Cultura, ele recebe a Primavera Literária, feira de editoras de pequeno e médio porte. Com o tema Vozes de Todos os Cantos, o evento propõe – por meio de debates, oficinas, saraus, exposições, feiras e lançamentos literários – ressaltar a diversidade da literatura. O próprio local da sua realização faz parte deste objetivo.


Inaugurado em 2016, o Centro de Referência da Juventude (CRJ, um prédio quadradão na lateral da Praça da Estação) é hoje a sede da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH. “Ao levar o festival (cuja edição anterior foi no Parque Municipal) para esse espaço, estamos reforçando a própria biblioteca e dando visibilidade para o CRJ”, afirma Fabíola Farias, coordenadora geral do FLI-BH.


O tema desta edição do festival nasceu a partir dessa mudança. “Quando a biblioteca foi para a Praça da Estação, percebemos iniciativas que circulam por ali, como coletivos de sarau e grupos de slam (batalhas de poesia)”, diz Fabíola. Diante disto, ficou definido que o evento abraçaria diferentes públicos.


As mulheres são maioria. “Nossa programação traz 60% de mulheres. Uma conquista, já que em eventos do gênero normalmente os homens é que dominam, e a gente fica na plateia. Há ainda uma presença muito maior de autores negros”, acrescenta a coordenadora.


Misturando novos autores com nomes conhecidos, com ênfase nos escritores locais, o evento homenageia a poeta Laís Corrêa de Araújo (1928/2006). Os debates vão discutir a produção poética na periferia; a literatura e o feminismo; os 50 anos do Suplemento literário, entre outros assuntos.


Fora do espaço da feira haverá programação. O MIS Santa Tereza exibe, por exemplo, filmes que foram adaptados de livros. Entre os destaques estão A hora da estrela (1986, de Suzana Amaral, sexta, às 19h30), inspirado na obra homônima de Clarice Lispector; e Redemoinho (2016, de José Luiz Villamarim, sábado, às 19h), a partir do romance O mundo inimigo – Inferno provisório Vol. 2, de Luiz Ruffato.


Para o público afoito por novidades editorais, a feira Primavera Literária vai oferecer livros de 49 editoras (com descontos de 10% a 50%). Criada há 17 anos no Rio de Janeiro pela Liga Brasileira de Editoras Independentes (Libre), há três a feira ganhou sua edição mineira. “A Primavera surgiu para apresentar editoras que não aparecem nas vitrines das grandes livrarias”, comenta a coordenadora da iniciativa, Juliana Flores. O público vai encontrar no local livros de editoras especializadas em literatura afro-brasileira (como Pallas, Mazza e Nandyala), ficção científica (Aleph) e de cunho político-social (Boitempo).

CRENÇAS – Já o festival Artes Vertentes, que tem uma proposta multicultural, trabalhou sua programação deste ano em torno das crenças. “E não só as religiosas, mas a crença em todos os seus aspectos”, comenta o diretor artístico do evento, Luiz Gustavo Carvalho.


Ao longo dos 10 próximos dias, músicos, atores, escritores, realizadores e artistas visuais apresentam trabalhos que dialogam com o tema proposto. No Centro Cultural Yves Alves haverá a coletiva Traição das imagens, reunindo obras de Nelson Leirner, Éder Santos e Pierre Verger. “A ideia é mostrar como a crença é vista na representação artística. O festival busca ainda fazer um diálogo com os três museus da cidade (Padre Toledo, Liturgia e Sant’Anna)”, observa Carvalho.
A exposição será aberta nesta quinta (14), mesmo dia em que a escritora Maria Valéria Rezende, fará uma leitura de seu livro Quarenta dias (2015), eleito melhor romance e livro do ano pelo prêmio Jabuti. A freira, também vencedora, neste ano, do prêmio Casa das Américas, fará sua leitura no concerto de abertura do festival, na Matriz de Santo Antônio.


Além da matriz, a Igreja de São João Evangelista terá uma programação intensa de concertos. Serão 14 ao todo, nos dois templos, incluindo uma apresentação da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, no dia 17, na matriz, com obras de Bach, Haendel e Purcell. O encerramento do evento será na São João Evangelista, com leitura de Adélia Prado e recital de piano com Gustavo Carvalho e o pianista russo Jakob Katsnelson (com obras de Franz Schubert).


Há ainda teatro (com destaque para o espetáculo Se eu fosse Iracema, que propõe um olhar para o universo indígena) e cinema (serão exibidos todos os filmes que compõem Decálogo, leitura do polonês Krzysztof Kieslowski sobre Os Dez Mandamentos).


A edição 2016 do Artes Vertentes reuniu 5 mil pessoas. “Mais importante do que aumentar, é fidelizar o público. Tem um pessoal que vem todo ano a Tiradentes para acompanhar o festival. Além disso, temos uma relação muito ativa com o público da região. Mantemos uma ação cultural contínua (oficinas de artes durante o período letivo) com 70 crianças da região. Ou seja, procuramos deixar um legado para a cidade”, diz Carvalho.

 

FILME INSURGENTE
Também na quinta-feira (14), no Sesc Palladium, tem início a sétima edição do Cinecipó – Festival Internacional do Filme Insurgente. Iniciativa surgida em 2010, em Santana do Riacho, se caracteriza por uma programação independente, com filmes com engajamento político-social.As produções selecionadas para esta edição trazem narrativas que discutem questões atuais, como gênero, preconceito étnico, genocídio, democracia e educação. São curtas e longas, nacionais e internacionais, entre ficção, documentário e animação. No primeiro dia do evento haverá duas sessões de curtas – às 16h30 e às 18h10 – e uma de longa. Às 19h30 será exibido o documentário Xeker Jetí – A casa dos ancestrais, sobre os índios Xukurus, que vivem no sertão pernambucano. O filme é assinado pelo coletivo Tekó Porã, formado por quatro realizadoras. A programação do Cinecipó, que vai até domingo, tem entrada franca. Senhas serão distribuídas meia hora antes de cada sessão. Veja a programação completa em cinecipo.com.br.

 

FESTIVAL LITERÁRIO INTERNACIONAL DE BELO HORIZONTE – FLI-BH
De quinta (14) a domingo (17) no Centro de Referência da Juventude, Praça da Estação, s/nº, Centro. Haverá ainda apresentações na Rua Guaicurus e exibições de filmes no Cine Santa Tereza. Entrada franca. Programação completa em www.flibh.com.br.

FESTIVAL ARTES VERTENTES
De quinta (14) a 24 de setembro, em Tiradentes. Ingressos para concertos e espetáculos cênicos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Programação completa em www.artesvertentes.com 

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