Montados em bicicletas que mais se parecem triciclos ao contrário, eles carregam projetores, caixa de som e computadores ligados a uma bateria usada em lanchas. Nas paredes das cidades por onde passam exibem curtas metragens com animações criadas a partir de desenhos feitos amão por Marotta. É exemplo de arte urbana mais que contemporânea, que desperta a atenção em diversas partes do mundo.
O duo já esteve na Rússia, em Portugal e na Alemanha. Em dezembro (entre os dias 10 e 20), o casal estará na China com os Suaveciclos. Depois, irão para a tradicional festa dos Reis Magos, na Espanha, em 6 de janeiro. A previsão é de uma agenda ainda mais agitada em 2016. Agora, enquanto ele participa do Festival Concreto, evento internacional de arte urbana em Fortaleza, ela representa a dupla em Buenos Aires. No mês passado, os Suaveciclos passearam pelos paralelepípedos históricos de Ouro Preto.
Tudo começou em 2009, quando Marotta resolveu espalhar por onde fosse possível a mensagem “Mais amor por favor”, em forma de cartazes/instalações. Primeiro, as peças “surgiram” nas paredes de São Paulo. Na sequência, espalharam-se pelo Rio, Porto Alegre, Montevidéu, Berlim e outros lugares. Como ele é designer e Ceci é da área de vídeo, resolveram ampliar a ideia.
“Era uma vontade de criar algo nosso, autoral, e que também fosse fruto do nosso amor. Resolvemos fazer isso para ter mais tempo juntos”, conta Marotta. No começo, eram VJs em ambientes de balada, fazendo projeções para acompanhar o som do DJ. Em 2011, a convite da MTV, o duo criou os curtas-metragens Run e Homeless e, apartir daí, o projeto tomou um rumo próprio.
INDEPENDÊNCIA
Foi quando tiveram a certeza de que a arte deles não era para qualquer lugar, embora também trabalhem com instalações em espaços fechados. O espaço do VJ Suave era a rua. E mais: em movimento. “Na rua, somos livres para comunicar o que queremos. Acho que hoje a arte precisa estar acessível a todo mundo. Somos independentes. Não dependemos de curadores, de galerias, de museus ou de alguém que nos convide. Nossa vontade é mostrar nosso trabalho sem depender de ninguém”, diz.
Como o carro com o qual realizaram suas primeiras projeções pertencia à MTV, começaram a procurar outras alternativas. Entraram em contato com o coletivo internacional Graffiti Research Lab, dedicado à pesquisa de grafite e arte urbana, e trocaram experiências.
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Hoje já são quatro curtas que se revezam nas projeções. La cena (2012) e Trip (2013) se juntaram aos anteriores Run e Homeless. Os filmes têm duração entre 50 segundos e três minutos. Como é um processo de produção quase artesanal, para cada segundo de animação são cerca de 12 desenhos. No começo, Marotta e Ceci trabalhavam sozinhos. À medida que o projeto foi crescendo, passaram a contar com equipes específicas acada filme.
Por mais que o projeto tenha crescido e se internacionalizado, Ygor Marotta acredita que se mantém fiel à primeira ideia – a dos cartazes espalhando mensagens de amor por São Paulo. “De alguma forma é o que também estamos pedindo nas ruas,apartir da projeção e da animação. Conseguimos contar pequenas histórias que demonstram respeito, carinho. Queremos comunicar o amoratravés da arte”, afirma.