Inhotim é atração para quem está de férias: veja dicas para desfrutar mais do parque e suas coleções

Com pavilhões dedicados à arte contemporânea, jardim botânico e programação para todas as idades, Inhotim tem infraestrutura completa para receber visitantes

por Mariana Peixoto 24/01/2014 07:00

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Euler Jr./EM/D.A Press
Instalação de Janet Cardiff convida as pessoas a partilhar a audição de peça polifônica medieval (foto: Euler Jr./EM/D.A Press)
Quando Inhotim foi aberto regularmente para o público, em 2006, entre as obras da Galeria Praça, destinada a exposições temporárias (trocadas a cada dois anos), estava 'Forty part motet' (2001), da artista canadense Janet Cardiff. Quase oito anos mais tarde, a instalação sonora em 40 canais – em que se ouve, a partir de cada caixa de som, o coro da catedral britânica de Salisbury interpretando 'Spem in Alium', peça polifônica medieval de Thomas Tallis – é obra permanente do instituto, em Brumadinho. O que motivou a exposição contínua foi justamente o sucesso junto ao público.


Hoje em dia Cardiff tem sua própria galeria – que apresenta 'The murder of crows' (2008), instalação sonora produzida com o artista George Bures Miller que provoca uma reação ainda mais intensa (um sonho dos artistas é ouvido por meio de 98 caixas de som). É menos conhecida do que a obra anterior, e ouvir a “revoada de corvos” de Cardiff e Miller complementa a experiência sonora realizada com o coral britânico. Trocando em miúdos: iniciantes em Inhotim devem ficar com o coral; iniciados, com os corvos.

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Galeria Adriana Varejão, aspecto exterior, em harmonia com o paisagismo do parque (foto: Euler Jr./EM/D.A Press)

Aqueles que vão pela primeira vez a Inhotim – ou só têm um dia disponível – devem se concentrar nas galerias dos seguintes artistas: Cildo Meireles, Adriana Varejão, 'True rouge', Lygia Pape, 'Cosmococa' e Praça (para a já citada instalação sonora). A escolha obedece a duas lógicas: a importância dos artistas e do acervo que está em Inhotim (a coleção de Cildo é uma das maiores existentes) e a distância. Todos os espaços ficam na mesma região e podem ser alcançados a pé. Entre uma galeria e outra há várias obras a céu aberto e muita natureza ao redor. Porque menos é mais em Inhotim.

Uma visita só se torna prazerosa se houver tempo para assentar e ver a vida passar em um dos 98 bancos produzidos pelo designer Hugo França a partir de árvores de pequi-vinagreiro (madeira que costuma ser dispensada pela marcenaria tradicional por causa dos buracos que apresenta). Para uma segunda (ou terceira e quarta visitas) há muito mais o que conhecer por ali. Com o crescimento do parque, passaram a ser utilizados carrinhos elétricos que cobrem os trajetos mais longos. Ele conta com cinco trajetos curtos preestabelecidos. E não é difícil ver gente se confundindo sobre que rota tomar. O mapa de Inhotim pode causar confusão, dada a sinalização por meio de letras e números (até julho haverá novos mapa e sinalização).

Numa segunda vez, tome um carrinho para ir até o 'Sonic pavilion', que fica no extremo Norte, na parte mais alta do parque (antes, não deixe de ir à galeria Miguel Rio Branco, que traz ótimo acervo do fotógrafo que influenciou gerações) ou então para conhecer a incrível galeria destinada a Tunga, no Sul. Inaugurada em 2012, traz 26 obras de Tunga, o artista que sugeriu a Bernardo Paz, criador de Inhotim, dedicar-se à arte contemporânea. Galeria a céu aberto, Inhotim revela, em meio à natureza, obras como 'Beam drop', de Chris Burden, de esculturas feitas de vigas de ferro, ou então 'Viewing machine', um imenso caleidoscópio de Olafur Eliasson.

Menos conhecida, a instalação 'Desert park', de Dominique Gonzalez-Foerster traz uma relação direta com a região: em tamanho natural, ela recriou modelos de cinco diferentes pontos de ônibus vistos no trajeto BH-Brumadinho. Também jardim botânico, traz sua coleção (inclusive com plantas raras), que fica no caminho entre uma obra de arte e outra, toda identificada. Para os interessados na flora, uma visita ao viveiro educador (que conta com guias que podem levar à trilha, estufa, jardim e bosque) mostra a riqueza da região. Os números de Inhotim são superlativos: 21 galerias espalhadas numa área de mais de 100 hectares que conta com 4,2 mil espécies de plantas. Ir uma vez só não basta.

Passeio completo
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Sonic pavilion, de Doug Aitken, traz ao visitante a experiência de ouvir o ''som da terra'" (foto: Euler Jr./EM/D.A Press)

Um passeio por Inhotim é um mergulho na arte contemporânea e em uma bela coleção botânica. Mas pode ser, literalmente, um mergulho em duas piscinas que integram grandes obras em exposição. Com autorização dos artistas, é bom deixar claro. O que não faltam são opções e trilhas, mas é sempre bom planejar com antecedência para aproveitar melhor o tempo. Há programações especiais para crianças, rotas que podem ser percorridas em carros elétricos e boas alternativas de restaurantes e lanchonetes, com preços para todos os bolsos.

O que fazer...

Com crianças

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(foto: Euler Jr./EM/D.A Press)

O parque oferece uma série de possibilidades do que ver e fazer com crianças. Talvez não haja obra tão lúdica quanto a instalação A origem da obra de arte (2002), da mineira Marilá Dardot. No extremo Oeste do parque, o público têm à disposição vasos de cerâmica (produzidos em Inhotim), cada um com uma letra. São oferecidas sementes (no dia da visitação era amor-perfeito) para que cada um plante, regue e forme uma palavra. Difícil é encontrar disponíveis todas as letras do alfabeto (um A sempre será mais procurado do que um W). Então, muitos “roubam” letras de nomes já “plantados” no jardim.

Em caso de chuva

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(foto: Euler Jr./EM/D.A Press)

Depois de praguejar contra São Pedro pela má sorte, é possível fazer uma boa visita, mas vai haver restrições. O melhor é se concentrar na região ao redor do lago. Lá estão as obrigatórias galerias Cildo Meireles (com o Desvio para o vermelho, obra imperdível de Inhotim), Adriana Varejão (uma das mais visitadas do parque), True rouge (de Tunga, de mais fácil acesso do que a galeria que guarda 26 obras do artista), Lygia Pape (pequena e menos conhecida) e as galerias Praça, Fonte, Mata e Lago, de exposições temporárias. Dá para fazer tudo a pé e de sombrinhas que o parque disponibiliza.

Antes da visita
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(foto: Euler Jr./EM/D.A Press)

Desde dezembro, Inhotim é uma das cinco instituições culturais brasileiras que estão no Google Art Project, site que, por meio da tecnologia do Street view, oferece visitas virtuais a museus, galerias e coleções de todo o mundo. É possível caminhar pelos jardins do parque e conhecer as obras, escolhendo, antes de sair de casa, o que interessa mais. Também há a possibilidade de visualizar imagens em alta resolução – a obra Celacanto provoca maremoto, de Adriana Varejão, foi disponibilizada no formato gigapixel, ou seja, tem 1 bilhão de pixels. A cada zoom, novos detalhes são revelados. Acesse.


Em dia de muito calor

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(foto: Euler Jr./EM/D.A Press)

Uma parcela bem pequena dos visitantes se atreve. Se você for preparado e tiver tempo disponível, nem precisa perguntar: pode nadar em Inhotim. São duas opções: uma piscina coberta, climatizada e com luz (na galeria Cosmococa, delírio visual criado por Hélio Oiticica e Neville d’Almeida em 1973, um dos mais visitados em Inhotim) e outra a céu aberto, Piscina, obra de Jorge Macchi de 2009 que recria uma caderneta telefônica. Nesse caso, dá até para pegar uma corzinha.

De carrinho
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(foto: Euler Jr./EM/D.A Press)

Se for a pé, você poderá chegar ao Sonic pavilion (2009), de Doug Aitken, na área mais alta de Inhotim, quase arrependido. Faça valer o que pagou pelo carrinho. Em dia de sol forte, quando chegar ao pavilhão, no extremo Norte do parque, vai agradecer tanto por ouvir o “som da terra” (apelido que a obra ganhou depois de reportagem do Fantástico) quanto pelo ambiente climatizado. No centro do edifício redondo se vê o resultado de uma escavação de 202 metros. Cinco microfones reproduzem, no local, o “som da terra”. Envidraçado, permite uma visão de 360 graus do parque. Quanto mais se afasta do centro, mais os vidros vão embaçando.

 

É bom saber:

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(foto: Euler Jr./EM/D.A Press)

>> É proibido fazer piquenique no parque. Mas com uma garrafinha em mãos não dá para passar sede. Há bebedouros espalhados no local. Tampouco se pode fotografar dentro das galerias. Selfies só na área externa.
>> Duas obras – Narcissus Garden, da Yayoi Kusama, as esferas prateadas em superfície d’água, e Troca-troca, os fuscas coloridos de Jarbas Lopes – e a galeria Doris Salcedo estão em manutenção.
>> Ainda que tenha boa oferta de livros de arte e produtos de design, só mais recentemente a lojinha de Inhotim passou a contar com uma linha institucional, com opções mais acessíveis. Para levar de lembrança ou dar de presente: sombrinha (R$ 80), bolsa de lona (R$ 95), agenda (R$ 39), garrafa de alumínio (R$ 36), boné (R$ 25), blocos (R$ 15 e R$ 22).

>> INHOTIM

>> Horários
– De terça a sexta: das 9h30 às 16h30; sábados, domingos e feriados das 9h30 às 17h30.
>> Preços – Quarta e quinta: R$ 20; de sexta a domingo e feriado: R$ 28 (a partir de 7 de fevereiro, o valor será R$ 30). Meia-entrada para crianças de 6 a 12 anos, pessoas acima de 60 anos, estudantes e assinantes do Estado de Minas. Entrada franca às terças. Crianças até 5 anos não pagam.
>> Transporte interno – Carrinhos elétricos percorrem parte do parque através de cinco rotas predeterminadas: R$ 20 (por pessoa). É possível alugar um carrinho com motorista com agendamento prévio pelo eventos@inhotim.org.br. Para cinco pessoas: R$ 150 (uma hora); R$ 450 (diária); para sete pessoas: R$ 210 (uma hora); R$ 630 (diária).
>> Visitas mediadas – Há três tipos de visitas para grupos de até 25 pessoas: panorâmica, com informações sobre arte e botânica; ambiental, para conhecer parte da coleção de botânica; e de arte, com comentários sobre as obras que estão no parque.
>> De carro, há três trajetos (BR-381, BR-040 e BR-356). O primeiro, via Contagem e Betim, é mais rápido e bem sinalizado; o segundo vai pelo Barreiro e Ibirité; e o terceiro, via Casa Branca, é mais bonito, mas tem trecho de terra. Em média, percursos demoram 80 minutos a partir do Centro de Belo Horizonte.
>> De ônibus – Ônibus executivo sai da rodoviária de BH às 9h15
(com retorno às 16h30, de terça a sexta; e às 17h, aos sábados, domingos e feriados). Ida: R$ 30,45; volta: R$ 30.
Informações: (31) 3419-1800.

Para comer

>> Restaurantes
Tamboril – Diariamente, com serviço à la carte nas terças; bufê livre a R$ 52, de quarta a sexta; e a R$ 60 aos sábados, domingos e feriados; bufê de sobremesas, R$ 12.
Bar do Ganso – Extensão do Tamboril, só funciona nos fins de semana e feriados.
Oiticica  – Bufê a quilo, funciona às terças, R$ 34,90 o quilo (não funciona quarta, quinta e sexta); sábados, domingos e feriados
R$ 49,90 o quilo.
>> Lanches
O parque tem quatro lanchonetes abertas diariamente (salgados a R$ 4,50, omeletes de R$ 10 a R$ 12; hambúrguer a R$ 10, coco a R$ 5); pizzaria (aberta somente em dias de muito movimento); café e loja de cachorro-quente (R$ 7 e R$ 9).


INHOTIM
Rua B, 20, Brumadinho, (31) 3571-9700. Informações no site do local

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