Instituto Amilcar de Castro exige na Justiça a apreensão de quadro supostamente falso que seria vendido pela Christie's

Procedimento da casa de leilões é criticado por filho do artista

por Walter Sebastião 10/05/2013 08:28

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Maria Tereza Correia/EM/D.A Press - 16/11/02
Falecido em 2002, Amilcar de Castro deixou obra cobiçada por colecionadores (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press - 16/11/02)
O Instituto Amilcar de Castro apresentou à Justiça pedido de busca e apreensão da pintura atribuída ao artista plástico mineiro, suspeita de ser falsificada, depois que a Christie’s, uma das mais famosas casas de leilão do mundo, não atendeu a solicitação de envio da peça para análise técnica.

Com valor estimado entre US$ 25 mil e US$ 30 mil, o quadro de Amilcar de Castro (1920-2002) integrava o lote de 10 obras de artistas brasileiros que iria a leilão nos dias 29 e 30, em Nova York, retirado às pressas do pregão pela Christie’s. Também estão sob suspeita trabalhos atribuídos a Ivan Serpa, Roberto Burle Marx, Mira Schendel, Hércules Barsotti, Ione Saldanha e Ubi Bava.

“Há uma semana, a Christie’s me enviou foto da obra. Como nunca tinha visto aquela pintura, não encontrei a imagem dela em catálogos e a achei diferente do característico de Amilcar de Castro, o que pode ocorrer. Pedi que me mandassem o trabalho. Não tive resposta. Esse silêncio me causou estranheza”, afirma Rodrigo de Castro, filho do artista e diretor do Instituto Amilcar de Castro.

Rodrigo explica que a ação judicial não é uma atitude contra a casa de leilões, mas procedimento de praxe adotado pelo instituto. “Não estamos cuidando de algo meu, mas do patrimônio histórico, cultural e financeiro de muita gente. Então, precisamos trabalhar com rigor para passar segurança e garantia”, justifica.

Jair Amaral/EM/D.A Press - 8/7/08
"Nosso sentimento diante das suspeitas de falsificação é de surpresa. Não se imagina que uma casa do porte da Christie's coloque algo em leilão sem cumprir procedimentos básicos" - Rodrigo de Castro, presidente do Instituto Amilcar de Castro (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 8/7/08)
“Nosso sentimento diante das suspeitas de falsificação – e não só do trabalho do meu pai – é de surpresa. Não se imagina que uma casa do porte da Christie’s coloque algo em leilão sem cumprir procedimentos básicos, como checar origem e autenticidade da obra”, critica Rodrigo.

O diretor do Instituto Amilcar de Castro não afirma que a obra do pai é falsa. Prefere esperar o resultado da análise do quadro. Rodrigo informa que a Christie’s já recebeu a notificação. De acordo com o catálogo do leilão, as peças brasileiras sob suspeita pertencem à Ralph Santos Oliveira Collection, do Rio de Janeiro. O leilão reúne 320 trabalhos de artistas latino-americanos.

A reportagem procurou representantes da Christie’s no Brasil. Mas até o fechamento desta edição a empresa não respondeu às perguntas enviadas por e-mail.

APREENSÃO De acordo com Rodrigo de Castro, já foram encontradas falsificações de obras de seu pai, mas elas são poucas. Confirmada a falsificação, o Instituto Amilcar de Castro solicita a apreensão das peças.

Criado em 2002, o instituto é dirigido também por outros dois filhos do escultor: Pedro e Ana. Rodrigo de Castro, que tem assinado laudos de autenticidade dos trabalhos do pai, explica: além de analisar as características estéticas das peças, a pesquisa inclui a checagem de assinatura, dos materiais empregados e da montagem.

A equipe conta com um assistente do ateliê de Amilcar de Castro, que fez todos os chassis dos trabalhos do escultor e pintor mineiro. Rodrigo de Castro recomenda: interessados em comprar uma obra de arte devem obrigatoriamente exigir o certificado de autenticidade antes de concluir a negociação.

Reprodução
Quadro atribuído ao mineiro Amilcar de Castro foi retirado de leilão que será realizado em Nova York (foto: Reprodução)
MULTIARTISTA


Escultor, gravador, desenhista, diagramador, cenógrafo, pintor e professor, Amilcar de Castro (1920-2002) é um dos artistas plásticos mais importantes do Brasil. Mineiro de Paraisópolis, ele estudou com Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) e Franz Weissmann (1911-2005), nomes emblemáticos da arte brasileira. Responsável pela reforma gráfica do 'Jornal do Brasil' nos anos 1950, o mineiro participou de exposições do grupo concretista e assinou o Manifesto Neoconcreto, em 1959. Em BH, Amilcar influenciou várias gerações. Ele lecionou na Escola Guignard e na Faculdade de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.

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