Palhaço da folia de reis e dançarino de break dividem palco em espetáculo na Funarte-MG

Faça algum barulho marca estreia da Rui Moreira Cia de Danças em diálogo entre tradição do imaginário e contemporaneidade

por Walter Sebastião 03/01/2013 09:18

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Daniel Protzner/Divulgação
Os bailarinos Rui Moreira e Rodrigo Peres levam para o palco duas manifestações da cultura popular (foto: Daniel Protzner/Divulgação)
 

Faça algum barulho é o nome do espetáculo que a Rui Moreira Cia de Danças estreia nesta quinta-feira, 3, na Funarte MG. O espetáculo coloca no palco o encontro de um palhaço, personagem tradicional da folia de reis, com um b-boy, dançarino de break. No decorrer do encontro, a dupla vai confrontar personalidades, mas também trocar experiências de arte e vida. Até porque o palhaço de reis é parte do imaginário do artista hip-hop. “É conversa da tradição com o mundo contemporâneo”, observa Rui Moreira, vendo no dinamismo aspecto que une os dois mundos.

“A folia e o break são danças de rua, vigorosas”, afirma Rui, indicando aspecto presente na montagem. A peça tem duração de 45 minutos e um único ato, ambientado com projeções de imagens e luz . A trilha de Gil Amâncio soma música incidental e temas africanos. Os intérpretes são Rui Moreira e Rodrigo Peres, que também respondem pela concepção e coreografias. O primeiro é um mestre da dança brasileira, que depois de passar por várias e importantes companhias vem se dedicando a longa e meditada investigação sobre a cultura afro-mineira. Rodrigo Peres, por sua vez, desde os anos 1980 se dedica a street dance, tanto especializando-se em break quanto desenvolvendo pesquisas sobre danças urbanas.

É a primeira vez que Rui faz um palhaço de folia. “É muita responsabilidade”, avisa, contando que levou anos para entender e respeitar o suficiente o personagem. O desafio, aponta, nem é a dança ser difícil – e é coreografia complexa –, mas lidar com grande quantidade de signos postos pelo personagem. O palhaço da folia, que se confunde com os reis magos, tem como função desviar o olhar de Herodes para que não veja Jesus e, assim, o Nazareno possa nascer. “Ele é um protetor da esperança que se renova com o nascimento de um avatar. E desempenhar o papel de protetor da esperança traz enorme responsabilidade”, explica Rui Moreira.

MATURIDADE

Rodrigo Peres, para Rui, é bailarino de grande habilidade, destreza e sensibilidade. O parceiro, conta, apresentou a ele expansão das possibilidades da dança. “O que tenho de formação acadêmica em relação a mãos e pernas, os dançarinos de break fazem de cabeça para baixo”, observa com bom humor. Faça barulho é a estreia da Rui Moreira Cia. de Danças, nova frente de trabalho autoral e sênior, ficando a Seraquê? para trabalho com jovens.

 

“Ver o Baryshnikov maduro é acompanhar dança cujo objetivo é a expressão artística, o arrebatamento, aspectos que estão além de tipo físico, idade e técnica”, observa Rui, destacando que se trata de qualidade comunicativa distinta da encenação movida pela energia acrobática da juventude. O bailarino considera, inclusive, que ação que destinada a valorizar o artista maduro é atitude política.


FAÇA ALGUM BARULHO
Rui Moreira Cia de Danças, de 3 a 5 de janeiro, às 20h; 6 de janeiro, às 19h. Até dia 27. Funarte MG, Rua Januária, 68, Floresta, R$ 10. Classificação livre. A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo. A apresentação do grupo é parte da mostra Benjamin de Oliveira, organizada pela Cia. Burlantis, voltada para pesquisas sobre arte e negritude.

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