Ruy Castro encerra programação deste ano do projeto Ofício da palavra

Escritor revela que não planeja mais escrever biografias

por Carlos Herculano Lopes 21/11/2012 10:03

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Carol Reis/divulgação
(foto: Carol Reis/divulgação)
Jornalista e biógrafo consagrado – autor de Estrela solitária, no qual conta a história de Garrincha; O anjo pornográfico, sobre Nelson Rodrigues; e Carmen, sobre a cantora Carmen Miranda –, Ruy Castro vai encerrar a programação deste ano do projeto Ofício da palavra, em Belo Horizonte.

 

Recentemente, em entrevista por ocasião de seus 80 anos, o cartunista Jaguar chegou a dizer que Ruy iria escrever sobre ele. Mas isso não passou de brincadeira. “Não estou trabalhando em nova biografia e não irei fazê-lo tão cedo, enquanto o tal artigo do Código Penal não cair”, diz, referindo-se a regras legais que considera prejudiciais ao trabalho dos biógrafos. Atualmente, ele prepara romance sobre dom Pedro II.

 

Mineiro de Caratinga e radicado no Rio de Janeiro, Ruy conta que a experiência como jornalista foi fundamental para o ofício de biógrafo: “Passar por tantos estilos de publicações, como as revistas Manchete, Seleções e Playboy, me ensinou a organizar as informações”.

 

Metódico, ele ensina: o caminho das pedras para uma boa biografia é, em primeiro lugar, não revelar as fontes, pois elas são a base de tudo. Também é necessária “fome insaciável” de informação, além de paciência e disposição de nunca desistir.

 

“É necessário sempre seguir em frente, não recuar diante das dificuldades”, diz. Elas surgem de várias formas, como a incompreensão da família dos biografados, que nem sempre concorda com o que foi escrito. Mas isso, pondera Ruy, faz parte da profissão. Ele teve dissabores com herdeiros de todos os personagens de seus livros. “Processo, mesmo, foi só no caso de Estrela solitária, movido pela família de Mané Garrincha”, informa.

 

Prêmios As biografias lhe renderam vários prêmios, entre eles quatro Jabuti, mas Ruy é também ficcionista. Lançou as novelas Bilac vê estrelas, em 2000, e O pai que era mãe, de 2001. Também foi responsável por versões condensadas de clássicos como Frankestein, de Mary Shelley, e Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll. Ano passado, ele e a mulher, Heloísa Seixas, lançaram Terramarear, com relatos de viagens do casal. OFÍCIO DA PALAVRA Museu de Artes e Ofícios. Praça da Estação, s/nº, Centro. Nesta quarta-feira às 19h30. Entrada franca. Informações: (31) 3225-1888.



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