Ópera A viúva alegre respeitará tradição e terá figurinos de época, mas não rejeitará inovações estéticas

Dirigida por Jorge Takla, a nova montagem vai estrear no dia 16

por Sérgio Rodrigo Reis 05/10/2012 08:18

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Jair Amaral/EM/D.A Press
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
A habilidade de lidar com elencos numerosos no teatro, musicais ou no universo lírico é algo que faz parte da carreira de poucos encenadores. Libanês radicado em São Paulo, Jorge Takla pertence a esse seleto grupo. Com várias montagens vitoriosas no currículo, faltava-lhe a oportunidade de dirigir ópera num dos principais centros produtores do país: o Palácio das Artes. A chance chegou. Entre 16 e 26 deste mês, estreia a versão de Takla para A viúva alegre, uma das operetas mais encenadas no mundo. A nova montagem de Victor Léon e Leo Stein, com música de Franz Lehár e tradução de Millôr Fernandes, foi marcada por reviravoltas nos bastidores. Concebido inicialmente como coprodução entre o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o Palácio das Artes, o projeto mudou ao longo dos últimos meses. “Em abril, fui convidado para dirigir, no Rio, a montagem, que depois estrearia em Minas. A ideia de parceria norteou todo o processo, mas em cima da hora decidiu-se que a produção seria feita em BH”, informa Jorge Takla. A mudança veio ao encontro de antigo sonho do diretor e encenador de trabalhar em Minas. Como mora, trabalha e mantém sua equipe de produção em São Paulo, ele combinou, desde o início, que parte do processo de elaboração de cenários e figurinos seria realizada lá. Assim foi. “Só pude vir para BH há 15 dias”, revela, satisfeito com a receptividade e tecendo elogios à capacidade técnica da equipe mineira. A viúva alegre chega cercada de recomendações. “Quando fui convidado para assumir a direção geral, disseram que o governador gostaria de ver uma montagem tradicional: ambientada no início do século passado, com roupa de época, sentimentos reais e humor refinado”, lembra Takla. “Farei a história de um amor elegante, delicado, no ritmo de opereta e com coreografias de luxo”, avisa. Segundo ele, a graça está em situar a história numa época em que intrigas amorosas eram mais importantes do que questões políticas ou sociais europeias. “Ficaria chato se a trama fosse retirada do contexto. Isso esvaziaria a obra”, explica. Essa opção, no entanto, não significa que a opereta dispensará inovações estéticas. Takla é responsável por musicais de sucesso em São Paulo. Na montagem mineira, tanto dialogará com a estética tradicional quanto realizará experimentações. “Insisti com o diretor musical Sílvio Viegas e a equipe do Palácio das Artes para darmos tratamento mais musical ao projeto. A viúva alegre é a matriz do gênero. Por isso, os solistas terão as vozes amplificadas para obtermos interpretação mais real e humana”. CAFONA Outra preocupação é evitar a caricatura. “Todos estão a um fio de cair no cafona e no cafajeste”, adverte Takla. A maior contribuição que ele espera trazer à montagem é a teatralidade. “A história deve ser bem contada. Ópera, essencialmente, é teatro cantado”, justifica. Ajuda o fato de poder contar com solistas que atuam. Rosana Lamosa será a viúva Hanna Gláwari. Homero Velho, o conde Danilo. Giovanni Tristacci interpretará Camille de Rosillon. Carla Cottini terá o papel de Valencienne; Licio Bruno, do barão Zeta; Njégus caberá ao ator Cassio Scapin. O maestro mineiro Silvio Viegas, que trabalha no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, assinará a direção musical e regerá a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. A produção trará figurinos de Fábio Namatame, cenografia de Paulo Correa e coreografia de Tânia Nardini. A opereta contará com a participação do Coral Lírico de Minas Gerais e do Ballet Jovem Palácio das Artes. Quando pensa na protagonista de A viúva alegre, Jorge Takla imagina uma mulher bonita, sofisticada e madura – na medida certa. “Só conseguia ver a Rosana Lamosa nesse papel. Quando imagino o conde Danilo, vem um galã que cante e interprete. Daí surgiu o nome de Homero Velho”, revela o diretor. Os dois protagonistas já atuaram juntos, mas ambos fazem pela primeira vez os papeis de Hanna e Danilo. “É bom fazer um papel em ópera que não morre. Isso é raro. A personagem é divertida. Além disso, temos diálogos e danças”, conta Rosana. Para Homero, o maior desafio é a quantidade de textos. “Os registros da voz no canto e na interpretação são bem diferentes”, afirma. A opereta contou com investimento de R$ 1 milhão. Os recursos vieram das leis de incentivo estadual e federal, além do governo de Minas Gerais. Em novembro, o espetáculo chegará ao Theatro Municipal do Rio. De olho na grana A estrela da ópera de Franz Lehár é Hanna Gláwari, rica viúva de Pontevedrino, pequeno país impossível de ser localizado nos mapas. Ela está em Paris. Com medo de que ela gaste todo o seu dinheiro na capital francesa, o embaixador e barão Mirko Zeta trata de arranjar um compatriota, o conde Danilo, para seduzi-la. Planeja casar os dois para manter a fortuna da ricaça em Pontevedrino. A viúva, porém, ainda é apaixonada por um antigo namorado, mas foi impedida de se unir a ele, quando jovem, porque era pobre e plebeia. Trata-se do próprio conde. Depois de muitas reviravoltas, intrigas e noitadas, o casal volta a se acertar. Curiosidades . A viúva alegre será produzida pela terceira vez pela Fundação Clóvis Salgado. . Maior sucesso do compositor húngaro Franz Lehár (1870-1948), a opereta estreou em 1905, em Viena. . Na época de sua primeira apresentação, a opereta provocou comoção. Gerou a moda de corpetes, chapéus e coquetéis apelidados de “viúva alegre”. . O figurinista Fábio Namatame criou figurinos tradicionais para o princípio do novo espetáculo, mas avisa: eles não são realistas. “As roupas serão lisas e estamparias darão o efeito do volume”, explica. . O primeiro ato da nova montagem terá todos os cantores vestidos de preto e branco. Só a viúva surgirá de vermelho. No segundo e terceiro atos, todos surgirão com roupas coloridas. “É quase um jardim florido”, antecipa o figurinista Namatame. A VIÚVA ALEGRE Dias 16, 18, 20, 22, 24 e 26 deste mês. Grande Teatro do Palácio das Artes. Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. Inteira: R$ 50. Dias 22 e 24, na plateia superior, haverá preço promocional de R$ 15 (inteira). Classificação etária: 12 anos. Informações: (31) 3236-7400.

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