Mineira Shirley Paes Leme expõe no Museu da Vale, em Vitória

Instalação da artista dará ao visitante a impressão de caminhar sobre as águas

por Walter Sebastião 28/05/2012 11:10

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Leonardo Finotti/Divulgação
(foto: Leonardo Finotti/Divulgação)
Piso de alumínio coberto com resina transparente que vai proporcionar ao visitante a sensação de andar sobre águas. A instalação estará na exposição Água viva, que a mineira Shirley Paes Leme abre dia 1º de junho, no Museu da Vale, em Vitória (ES). “Estou falando do lugar do sujeito na contemporaneidade. São obras que fazem reflexão sobre o lugar onde estamos pisando e que nunca sabemos se é real ou virtual. O que só agrava a falta de discernimento” , observa a artista. Ela vai mostrar, ainda, sala espelhada que coloca o espectador num abismo e desenhos feitos com água do mangue. Estes últimos, palavras vindas de escritos de Clarice Lispector (1920-1977), dissolvendo-se. “Estou encantada com o poder da água”, avisa. As obras, explica Shirley Paes Leme, formam conjunto que fazem o visitante navegar por contexto marcado por alusões à fluidez, criado especialmente para museu próximo ao mar. A artista não define o clima trazido pelas instalações. “É o real, são coisas que existem”, afirma. “Quem vai definir o que provocam é o espectador. Ao entrar nas instalações, ele, como um performer, ativa o espaço”, acrescenta. A artista recorda conceito do filósofo Michel Foucault (heterotopia, lugar diferente) para explicar que são espaços para experiências que fogem do cotidiano. Os desenhos, por sua vez, são vistos como “textos fluindo da boca da pessoa e escorrendo”, tentativa “de apreender o instantejá”, palavra criada por Lispector. “Estou criando ninho heterotópico, lugares diferentes, para propor volta às relações primeiras do ser humano, retorno aos contatos físicos e emocionais, que criam a realidade”, explica Shirley Paes Leme. A pesquisa sobre tempo, lugar, espaço e relacionamentos, continua, é tema onipresente em tudo que fez. Desde quando, há mais de três décadas, fez em um parque de Uberlândia (MG), onde mora, esculturas em que o público podia entrar. “Claro que o que faço hoje é outra coisa, mas as questões são as mesmas”, garante. São trabalhos cuja influência vem da literatura, da música, da arquitetura, elementos “que são até mais importantes para mim do que os vindos das artes visuais”. Shirley Paes Leme tem 57 anos. Já fez esculturas com gravetos e desenhos a partir de manchas que a fumaça de fogões deixa na parede. “Nunca trabalho a partir do material, mas das ideias. E, a partir delas, busco solução plástica”, conta. “Aproprio-me de coisas que estão no mundo”, observa. Considera que um aspecto que cruza várias obras é a questão dos resíduos. “Se todo dia aprendo uma palavra nova, já está muito bom. Em arte é a mesma coisa. Cada nova realização, cada nova experimentação, coloca desafios. E é com eles que vou caminhando”, garante, ao falar dos mais de 30 anos de atividades. A artista está preparando livro sobre a obra, organizado por Tadeu Chiarelli. Instalações e desenhos Mostra de trabalhos de Shirley Paes Leme, com curadoria de Jürgen Harten. A partir de 1º de junho, no Museu Vale, antiga Estação Pedro Nolasco, s/nº, Argolas, Vila Velha, Espírito Santo, (27) 3333-2484. Até 12 de agosto.

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