Benito Barreto lança nesta terça o quarto volume de sua tetralogia Saga do caminho novo

Despojos: a festa da morte na corte recupera história de Tiradentes em três partes

por Thaís Pacheco 17/04/2012 10:45

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laura barreto/divulgação
Escritor e jornalista, Benito Barreto aproveita a noite de autógrafos para celebrar seus 83 anos (foto: laura barreto/divulgação)
 
A Academia Mineira de Letras recebe, hoje à noite, o escritor Benito Barreto. O autor lança Despojos: a festa da morte na corte, quarto livro de sua tetralogia Saga do caminho novo, com histórias da Inconfidência Mineira recontadas e ficcionadas.
Mas, afinal, como se faz ficção de um fato histórico? Benito explica: “A história registra os fatos secamente. A ficção permite entrar na intimidade dos acontecimentos e, sobretudo, dos personagens que os movimentaram”, diz.
Fato é que Benito não está recriando nada. Desde 1990 viaja, lê e pesquisa o tema de sua tetralogia e tem ainda um objetivo maior, fazer com que as pessoas revejam história. “O segundo reinado transformou Tiradentes numa espécie de bobo da corte, um sujeito que teria sido usado pelos seus companheiros, uma deformação brutal e criminosa”, afirma Benito. 
O autor conta que a República ainda tentou mudar a versão dos fatos, mas não o fez tão bem. “De bode expiatório, transformaram Tiradentes numa espécie de Jesus Cristo, de crucifixo na mão, barba e até hoje nossos monumentos refletem isso. Não é a verdade. Ele era um homem saudável, vigoroso, com 1,80m, temperamento forte, fala alta e franco”, defende o escritor e resume: “A obra busca restabelecer a verdade e manter essa memória, já bastante desgastada e até ameaçada. Há núcleos que se propõem a negar Tiradentes, apontá-lo como patife ou dizer que Aleijadinho é uma invenção”, garante.
Os fatos da Inconfidência Mineira são narrados na saga de Benito Barreto, que encerra essa obra com Despojos: a festa da morte na corte. O autor conta que a publicação é dividia em três partes: “Despojos”, “Um pároco na corte” e “A festa da morte na corte”. Por meio de dois fios condutores, o livro mostra, de um lado, a memória de Tiradentes, reconstituindo fatos e a vida da colônia durante a segunda metade do século 18 até a Inconfidência. Do outro, pelo olhar do padre que entregou Tiradentes – sob tortura –, são relatados os fatos a partir da prisão do inconfidente.
Os outros livros que fazem parte da tetralogia foram lançados em 2009 (Os idos de maio); 2010 (Bardos e viúvas); e 2011 (Toque de silêncio em Vila Rica). Antes mesmo de finalizada, em 2010, a saga venceu o Prêmio João Felipe dos Santos, da União Brasileira dos Escritores do Rio de Janeiro, de melhor romance histórico.
Benito Barreto já havia lançado outra tetralogia, Os Guaianãs, que, entre 1965 e 1972, reuniu: Plataforma vazia, Capela dos homens, Mutirão para matar e Cafaia. Histórias sobre os anos de chumbo. Os Guaianãs teve dois de seus volumes traduzidos para o russo e publicados na antiga União Soviética, em 1980.
O autor é jornalista e tem empresa que produz revistas para engenheiros. Mineiro de Dores de Guanhães, celebra hoje 83 anos. Também publicou os livros Vagagem (1978), A última barricada (1993) e Um caso de fidelidade (2000). Quem não puder comparecer ao lançamento de hoje, encontrará a publicação nas livrarias Scriptum, Mineiriana e do Ouvidor.
 
Despojos: a festa da morte na corte
Lançamento do livro de Benito Barreto, hoje, às 19h, na Academia Mineira de Letras, Rua da Bahia 1.466, Lourdes. Informações: (31) 3222-5764. 
Entrada franca. 


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