'Luna' investiga a cultura dos haters e seus efeitos na juventude

Primeiro longa de ficção do diretor mineiro Cris Azzi parte de história real de adolescente que teve vídeo íntimo divulgado. Filme estreia nos cinemas nesta quinta-feira (10)

por Mariana Peixoto 10/10/2019 06:00

Um disparo. É dessa maneira que o diretor belo-horizontino Cris Azzi, de 41 anos, analisa o impacto que uma notícia de jornal lhe causou. Há cinco anos, ele leu a história de uma adolescente que havia se suicidado por causa de um vídeo de sexo dela que havia viralizado. “O bullying, a opressão sempre existiram. Tive curiosidade em investigar esse universo. A coragem que surge para xingar, denegrir o outro”, diz ele.


Com estreia nesta quinta-feira (10) nos cines Belas Artes, Cidade, Contagem e Paragem, Luna, primeiro longa-metragem de ficção de Azzi, acompanha o drama de Luana (Eduarda Fernandes). É uma história de cyberbullying que detona a narrativa. Porém, a história vai muito além. Relação entre pais e filhos, descoberta da sexualidade, diferenças sociais, autoestima, amizade, entre outras questões comuns ao universo adolescente, estão na pauta.
Azzi concebeu o roteiro em 2014, filmou em 2016 e finalizou em 2018 o longa que chega agora às telas. Ao longo desses cinco anos, a mudança comportamental foi grande. “De fato, na época da concepção do filme existia uma cortina, especialmente em temas como a diversidade de gênero. Pois este véu caiu, e as questões ficaram mais claras. Se existe uma defesa violenta do conservadorismo, há também um forte posicionamento em não aceitar certas coisas. Meu interesse foi mais em investigar este caminho, a manifestação do desejo de transformação.”

BRIGADEIROS
 
A protagonista Luana, uma menina humilde que vive com a mãe na periferia de uma grande cidade, está mais preocupada em vender brigadeiros na escola do que em discutir o feminismo com suas colegas. Ativa, como todos os adolescentes, nas redes sociais, logo desperta seu interesse por Emília (Ana Clara Ligeira), aluna da mesma turma. Ousada, cheia de opiniões, Emília, de uma família rica, acaba se aproximando de Luana. A despeito das diferenças sociais, as duas começam um relacionamento – e uma vai entrando no universo da outra, seja na vida real, seja na virtual. Em um determinado momento, há uma colisão.

GUSTAVO BAXTER/DIVULGAÇÃO
Ana Clara Ligeiro (Emilia) e Eduarda Fernandes (Luana) são adolescentes de classes sociais distintas que se aproximam na história de Luna (foto: GUSTAVO BAXTER/DIVULGAÇÃO)

“O filme conversa principalmente com a geração retratada. E isso não é achismo meu. Luna atravessou o circuito de festivais (participou, entre outros, dos festivais de Brasília e do Rio) e ganhou exibições em escolas públicas. Houve encontros catárticos. (E além dos adolescentes) Há um outro caminho que acho que o filme propõe, que é a relação das mães e suas filhas. Por vezes, mesmo quando existe afeto, não há o caminho da troca, de interesse das mães pelo diálogo. Algumas se assustaram com o filme”, conta Azzi.

Para o público de Belo Horizonte, Luna traz cenários bastante reconhecíveis. Boa parte da narrativa é ambientada na Escola da Serra – inclusive, muitos dos alunos do colégio na região Centro-Sul de BH fizeram figuração. Já o Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, serviu como cenário para a região onde vive Luana.

As duas personagens principais são vividas por alunas do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart), da Fundação Clóvis Salgado. Segura no papel, Eduarda Fernandes participou de uma série de encontros promovidos pela equipe do filme com mulheres jovens para discutir o tema abordado.
 
“Quando começamos o processo de seleção de elenco, convidei Eduarda e outras meninas. Eduarda impôs cenicamente uma força grande. Já a Ana Clara veio em um segundo momento e, já nos textos, se mostrou muito performática”, afirma o diretor. No elenco secundário há nomes conhecidos do público mineiro, como Paulo André, do Grupo Galpão, e Lira Ribas.

Antes de Luna, Azzi dirigiu o filme coletivo 5 frações de uma quase história (2007), além dos documentários Sumidouro (2007) e O dia do Galo (2015). “Apesar de já ter uma trajetória com documentários, no universo da ficção estou nos primeiros passos. Sinto que estou aprendendo, e o cinema, de fato, é o lugar dos encontro e do aprendizado, já que não fórmulas”, diz ele.

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