Netflix dá dor de cabeça no Festival de Berlim

Exibidores alemães pediram a retirada de competição do longa-metragem espanhol Elisa y Marcela, produzido pela plataforma de streaming. Mostra divulga hoje os vencedores

por Estado de Minas 16/02/2019 09:00
TOBIAS SCHWARZ/AFP
Isabel Colxet, diretora: 'não se pode fazer esse apelo em nome da cultura. Pedindo que o filme seja retirado, não estão respeitando o autor' (foto: TOBIAS SCHWARZ/AFP)

A Netflix tem lugar em um festival de cinema? A questão virou tema de debate durante a estreia no Festival de Berlim de Elisa y Marcela, produção da plataforma dirigida pela espanhola Isabel Coixet, que defendeu a “coexistência” dos dois formatos. Filmado em preto e branco, o longa é baseado na história real de duas professoras que se casaram na Galícia (Noroeste da Espanha), em 1901, no primeiro matrimônio homossexual da história do país. Vivido por Natalia de Molina e Greta Fernández, o casal enfrenta as calúnias e agressões do vilarejo onde se instala. As duas se veem obrigadas a fugir para Portugal, com a intenção de seguir de lá para a Argentina.

Esse é o nono longa-metragem de Coixet apresentado no Festival de Berlim e o único filme ibero-americano na disputa pelo Urso de Ouro neste ano. Mas o fato de ter sido o primeiro título produzido pela Netflix selecionado pela Berlinale não agradou aos exibidores alemães independentes, que, em carta aberta ao festival e à ministra da Cultura, Monika Grütters, solicitaram sua retirada da competição, já que “não teria uma distribuição normal nos cinemas”. “A Berlinale defende os telões de cinema; a Netflix, as pequenas telas”, escreveram 160 exibidores.

Em uma coletiva de imprensa após a exibição do filme, Coixet se defendeu com veemência. “Não se pode fazer esse apelo em nome da cultura. Pedindo que o filme seja retirado, não estão respeitando o autor”, disse. No ano passado, a Netflix ficou de fora do Festival de Cannes, após protestos dos cinemas franceses no ano anterior contra a seleção de Okja. Ao se recusar ao compromisso de exibir Roma nos cinemas franceses, a Netflix teve o filme de Alfonso Cuarón retirado da competição pela Palma de Ouro.

Em contrapartida, no Festival de Veneza, Roma levou o Leão de Ouro e, desde então, acumula prêmios em seu caminho para o Oscar. Diante das divisões, o diretor do Festival de Berlim, Dieter Kosslick, pediu “que os festivais internacionais encontrem uma posição comum sobre como lidar com os filmes das plataformas no futuro”. Para Coixet, “o futuro está na coexistência de plataformas e salas de cinema, o precedente é Roma”. Ela afirmou ter começado a trabalhar em Elisa y Marcela há uma década. “Ninguém estava interessado em financiar” um filme com um tema que “soava exótico e em preto e branco”, contou. Até a Netflix chegar. “Eles não viram nenhum problema e, no primeiro encontro, aceitaram que o filme fosse exibido nos cinemas na Espanha”, disse ela.

Coixet admitiu, ao mesmo tempo, que é de “outra geração” e que prefere assistir a um filme no cinema. “Como diretora, gasta-se tanto tempo editando” todos os detalhes, que acabam se perdendo nas telas pequenas, lamentou. Mas “tenho que fazer filmes ou então morro”.

PREMIAÇÃO


Os vencedores do 69º Festival de Berlim vão ser anunciados neste sábado (16). Apesar de não contar com títulos brasileiros na competição pelo Urso de Ouro, o evento selecionou 13 produções e coproduções com a assinatura do Brasil para suas outras seções. Embora não participe da disputa por troféus, Marighella, que marca a estreia do ator Wagner Moura na direção de longas-metragens, foi exibido ao lado dos títulos da competição oficial e aplaudido em sua sessão dedicada à imprensa.

Outro filme bem recebido foi Divino amor, de Gabriel Mascaro, estrelado por Dira Paes. A produção integra a Mostra Panorama, a segunda mais importante do festival, que também traz outros destaques brasileiros, como os documentários Estou me guardando para quando o carnaval chegar, de Marcelo Gomes (que competiu na mostra alemã com Joaquim, há dois anos); a ficção Greta, de Armando Praça, com Marco Nanini; Breve historia del planeta verde, do argentino Santiago Loza (coprodução Argentina, Brasil, Alemanha e Espanha), e La arrancada, do amazonense Aldemar Matias, filme produzido por Brasil, França e Cuba.

Minas Gerais também esteve presente com Querência, longa de Helvécio Marins Jr., rodado no interior do estado e que compete na mostra Fórum ao lado de Chão, de Camila Freitas, O ensaio, de Tomar Guimarães, e A rosa azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro. Há apenas um curta brasileiro na competição internacional: Rise foi rodado com personagens de uma comunidade que frequenta os subterrâneos de uma das novas linhas do metrô, em Toronto, no Canadá. Os autores são a fotógrafa e cineasta Bárbara Wagner e seu companheiro alemão, Benjamin de Burca. Já na mostra Geração o documentário Espero tua (re)volta, de Eliza Capai, reflete sobre a recente história brasileira a partir das lutas estudantis. (Com agências)

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