'Excelentíssimos' registra bastidores antes e durante o impeachment de Dilma Rousseff

Filme do carioca Douglas Duarte ajuda a compreender por que Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial

por Pedro Galvão 25/11/2018 09:45
Vitrine Filmes/divulgação
(foto: Vitrine Filmes/divulgação)
Em 2016, quando o documentarista carioca Douglas Duarte e sua equipe foram para Brasília, a ideia era filmar o turbulento Congresso Nacional, que fervilhava em meio à crise política, apenas em sua atividade cotidiana. Com o avançar do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o diretor se viu diante de um roteiro histórico. O resultado é Excelentíssimos, longa-metragem em cartaz em Belo Horizonte.

Em duas horas e meia, o documentário exibe a cronologia da crise – das eleições de 2014 à saída do poder da primeira mulher eleita para a presidência da República, no fim de agosto de 2016. “A gente sabia que o processo de impeachment ia ocorrer. Aliás, ele está presente em todas as presidências, desde 1988. A gente só não sabia é que chegaria a ponto de derrubar a Dilma”, revela Duarte.

Embora a montagem do filme tenha ocorrido em abril deste ano – portanto, antes do início das campanha à Presidência da República –, o diretor destaca que ali estão as origens do bolsonarismo. “Filmamos o parto do nosso atual paspalho chefe”, afirma.

BASTIDORES  Além de imagens vistas várias vezes na TV nos últimos anos – como a emblemática e tumultuada votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, discursos de Dilma, Lula, Eduardo Cunha, Michel Temer e Aécio Neves –, o filme traz cenas exclusivas que revelam detalhes da atividade parlamentar.

Vitrine Filmes/divulgação
Documentário de Douglas Duarte acompanha momentos emblemáticos da história do Brasil contemporâneo (foto: Vitrine Filmes/divulgação)


“Não quis mostrar uma guerra de slogans. Queria mostrar onde as coisas estavam acontecendo. Acho que essa batalha não é vencida ou perdida com slogans. Por isso a insistência com o Silvio Costa – deputado federal pernambucano do PT do B, hoje Avante, que integrava a liderança do governo na Câmara. Ele diz conhecer 450 deputados pelo nome, sorrisos e lágrimas”, afirma o cineasta. “Foi assim que o impeachment foi definido, e não dizendo ‘não vai ter golpe’, nem que a Dilma era corrupta. O Carlos Marun (MDB-RS) deixa isso muito claro. O filme até tem essas dimensões, as manifestações do MST, dos indígenas, das mulheres e outras dimensões do simbólico. Mas o foco é outro”, afirma Douglas Duarte.

O diretor diz que nenhum filme tem que ser neutro, mas descarta ter “escolhido um lado” na abordagem de Excelentíssimos. De acordo com ele, há diferença entre o registro do documentário e aqueles comumente vistos na imprensa. “Para a maioria dos repórteres, muita coisa que registramos não tem valor jornalístico. Se a gente registra o Silvio Costa agarrando parlamentares pelo braço e conversando, de modo muito tátil, isso não tem valor para a imprensa, pois ela vê isso todos os dias. Mas, para nós, isso é cinema”, exemplifica.

DETALHES  
O documentário valoriza justamente detalhes comportamentais de políticos, muitas vezes em tom cômico. Diferentemente de O processo, outro filme sobre o impeachment dirigido por Maria Augusta Ramos, Excelentíssimos não detalha o desenrolar jurídico dos acontecimentos. O foco é o recorte mais amplo dos fatos, apesar da proximidade quase íntima com alguns personagens.

Duarte entende que Excelentíssimos é um instrumento para a compreensão da história recente do Brasil. “Quando a gente montou o filme, não tinha como saber que Bolsonaro ia ganhar. Tentamos escolher o que achávamos importante. Bolsonaro já tinha um culto importante em torno dele, com pretensões presidenciais. Nosso material mostra isso e deveria estar ali de qualquer forma. Nosso filme traz a gênese do que ocorreu em 2018. As pesquisas mostram isso também. Ele era ninguém antes do impeachment, mas deixou de ser um deputado nanico e bizarro para acabar eleito presidente”, conclui Douglas Duarte.

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