'Millenium: a garota na teia de aranha' traz nova versão da anti-heroína

Dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez, o enredo segue o quarto livro, ignorando os outros volumes da saga

por Débora Anunciação 08/11/2018 08:20

SONY PICTURES/DIVULGAÇÃO
(foto: SONY PICTURES/DIVULGAÇÃO )

Cabelos curtos pintados de preto, piercings e a tatuagem de dragão nas costas são essenciais para a construção da detetive/hacker Lisbeth Salander, personagem que apareceu pela primeira vez na saga literária Millenium, do sueco Stieg Larsson – Os homens que não amavam as mulheres; A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar. Morto Larsson, o jornalista sueco David Lagercrantz tomou as rédeas do enredo e escreveu os romances A garota na teia de aranha e O homem que perseguia a sua sombra.

A primeira versão cinematográfica da saga, dirigida por Niels Arden Oplev e lançada em 2009, teve a atriz Noomi Rapace no papel de Lisbeth Salander e Michael Nyqvist como o jornalista Mikael Blomkvist. Millenium: a garota na teia de aranha, que chega nesta quinta-feira (8) aos cinemas, traz nova versão da anti-heroína, papel de Claire Foy. Dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez, o enredo segue o quarto livro, ignorando os outros volumes da saga.

Ainda criança, Lisbeth foge do pai abusivo. A hacker é contratada pelo cientista Frans Balder (Stephen Merchant) para recuperar um programa Firefall, desenvolvido para o governo dos EUA. O software permite acesso ao arsenal bélico de potências mundiais. Ao compreender o perigo que envolve o projeto, Balder contrata Lisbeth para roubar o arquivo e deletá-lo. Após a missão, ela se torna alvo de um grupo mafioso, os “aranhas”.

Lisbeth Salander é o destaque do filme, perspicaz e destemida. Foy segura as pontas, mas não alivia a falta de consistência do roteiro. Um Blomkvist mais jovem e menos carismático é vivido por Sverrir Gudnason. O jornalista se torna coadjuvante, sua participação é insípida.

A trama agrada, mas as falhas sobressaem. Ao apostar na ação exacerbada, perde a sutileza do suspense psicológico de uma trama criminal bem construída. Planos e movimentos de câmera diferenciados estruturam a direção inventiva de Alvarez. Com explosões, perseguições e confrontos físicos, a produção bebe na fonte de clássicos do gênero.

Lisbeth chega a se confundir com a versão feminina de MacGyver. Ela se distancia de Blomkvist, tornando-se uma espécie de vigilante feminina. Com informações obtidas por meio de sua expertise tecnológica, chantageia homens que agridem mulheres. Já nos primeiros minutos, invade uma casa, pendura o marido agressor e transfere a fortuna dele para a conta da esposa.

A luta pelos direitos das mulheres é característica da “nova” protagonista. Em entrevista para a revista Collider, o diretor descreveu sua Lisbeth como “Batman feminista”. Nestes tempos de movimentos antiassédio como o #MeToo, Alvarez revelou preocupação de não sexualizar a personagem.

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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