Após 'O mecanismo', José Padilha quer fazer filme sobre Belo Monte

'É uma mistura de corrupção com um profundo descaso ambiental e antropológico', disse o cineasta responsável por filmes como 'Tropa de elite' de 'Robocop'

por Diário de Pernambuco 11/04/2018 10:46
Netflix e Globo/Reprodução
Casos de corrupção são temas constantes nas obras do cineasta (foto: Netflix e Globo/Reprodução )
Depois de lançar a polêmica série O mecanismo pela Netflix, sobre a Operação Lava-Jato, o diretor José Padilha revelou que gostaria de contar a história da usina de Belo Monte. A declaração foi feita na última segunda-feira (9) em uma entrevista para o talk show Conversa com Bial, da Rede Globo. "Eu me interesso por Belo Monte porque é uma mistura de corrupção com um profundo descaso ambiental e antropológico. É um crime que tem muitas dimensões. Eu me interesso e estou estudando para fazer talvez um filme", disse o cineasta.

Na entrevista, ele afirmou que é difícil fazer cinema no Brasil e alfinetou quem critica os cineastas por usar recursos públicos – provenientes da Lei do Audiovisual ou da Lei Rouanet para seus filmes. "Tem essa ideia no Brasil de que o cineasta 'mama nas tetas do governo'. É um pedaço dessa cegueira ideológica que a gente tem no Brasil. Os jornalistas de direita adoram falar mal dos cineastas que são formadores de opinião, normalmente de esquerda. Então eles vão lá e falam 'você está recebendo dinheiro de Lei Rounaet, Lei do Audiovisual, e isso é uma moleza'. Não é uma moleza".

"É difícil fazer cinema, é apertadíssimo o orçamento. Ninguém ganha dinheiro e, para terminar, o incentivo no Brasil é muito menor que nos outros países. É menor do que o incentivo nos Estados Unidos", completou. Para fortalecer seu argumento, Padilha falou sobre o orçamento de Robocop, filme norte-americano dirigido por ele em 2014. "Robocop tinha um orçamento de US$ 120 milhões, e US$ 35 milhões eram de incentivo. A direita brasileira não sabe o que está falando, é só pra espezinhar".

Usina Hidrelétrica Belo Monte
Com projeto para ser instalada na região conhecida como Volta Grande do Rio Xingu, no Pará, a Usina de Belo Monte deve ser a terceira maior do mundo em capacidade instalada, atrás apenas das usinas de Três Gargantas, na China, e da binacional Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Entre os grupos contrários à instalação de Belo Monte estão ambientalistas, membros da Igreja Católica, representantes de povos indígenas e ribeirinhos e analistas independentes. Além disso, o Ministério Público Federal ajuizou uma série de ações contra a construção da usina, apontando supostas irregularidades.

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