Comédia 'Os parças' destaca os nordestinos 'invisíveis' nas metrópoles

O diretor Halder Gomes, responsável por duas das comédias mais originais e divertidas do cinema nacional, troca o Ceará por São Paulo em filme que estreia hoje, em BH

por Breno Pessoa 30/11/2017 08:00
Jarrod Bryant/divulgação
(foto: Jarrod Bryant/divulgação)

Responsável por duas das comédias mais originais e divertidas do cinema nacional dos últimos anos, o cearense Halder Gomes, de 50 anos, embarca novamente no gênero em Os parças, que estreia hoje nas salas de BH. Ao contrário de Cine Holliúdy (2012) e O shaolin do sertão (2017), a nova produção “se mudou” da paisagem do Ceará, familiar ao cineasta, para São Paulo. Mas as raízes nordestinas não foram deixadas de lado.

O elenco de protagonistas já deixa claro: as origens estão mantidas, ao menos no campo do humor. À exceção do paulistano Bruno de Luca, os “parças” são Tom Cavalcante, Tirullipa e Whindersson Nunes, todos nordestinos. E Halder não pretende deixar de lado a comicidade regional. “A minha verdade está no Ceará”, reforça.

Apesar do cenário diferente e da ambientação contemporânea, o novo longa está ligado aos anteriores do diretor. “Muitos elementos dialogam com os outros filmes, a começar pela ousadia. Tem momentos ousados e imprevisíveis”, comenta.

Em Os parças, quatro desconhecidos são obrigados a trabalhar juntos em uma empresa de casamentos contratada para produzir a cerimônia de Cíntia (Paloma Bernardi), filha de Vacário (Taumaturgo Ferreira), rico e violento contrabandista que atua na famosa Rua 25 de Março, em São Paulo. Mário (Oscar Magrini), o dono do negócio, foge com o dinheiro, deixando uma pequena quantia para Toinho (Tom Cavalcante), Ray Van (Whindersson Nunes), Pilôra (Tirullipa) e Romeu (Bruno de Luca) organizarem a festa. Intimidado por Vacário, o quarteto recorre a trambiques de toda ordem para realizar o evento.

RESPIRO


“É uma transição que tem a ver comigo. Sou um cara do interior, mas sou muito cosmopolita, viajo muito, adoro cidade grande”, diz Halder. O roteiro é assinado por Claudio Torres Gonzaga. De acordo com o diretor, Os parças representa “um respiro” no campo estético, pois seus trabalhos anteriores se ambientaram em outras épocas: anos 1990 (As mães de Chico Xavier), anos 1980 (Cine Holliúdy 2 e O shaolin do sertão) e anos 1970 (Cine Holliúdy).

“Antes de voltar a trabalhar em filmes de execução mais complexa, queria fazer algo urbano, que me deixasse com liberdade, aquela leveza estética”, ressalta, referindo-se ao uso de fotografia mais realista em Os parças e à despreocupação com efeitos especiais.

Outro atrativo, conta, foi a possibilidade de incluir personagens cearenses em outro ambiente. “Somos nós, nordestinos, encabeçando o projeto. Não queria fazer um filme urbano, como outros rodados no Rio ou em São Paulo. Essas comédias sempre são protagonizadas por paulistas e cariocas, mas, quando você chega nessas cidades, só tem nordestino. Essas pessoas ficam invisíveis diante dos cenários dessas produções. Nós invertemos essa lógica”, conclui Halder Gomes.

Entrevista

Whindersson Nunes - youtuber e ator

‘‘Sou um doidinho”

O piauiense Whindersson Nunes é um dos fenômenos brasileiros da internet. O canal comandado por ele conquistou cerca de 25 milhões de inscritos, superando o Porta dos Fundos (13,5 milhões), que reúne Gregório Duvivier, Fábio Porchat e João Vicente de Castro. Para ele, o fato de ter milhares de seguidores não significa estouro de bilheteria.  
“O que influencia, mesmo, é o boca a boca”, garante

Depois de Os parças, você pretende fazer mais filmes?


Com certeza. No próximo ano, queria fazer pelo menos mais uns três filmes. Já tinha a vontade. Quando surgiu o projeto, já aceitei.

Vários youtubers como você passaram a fazer cinema. O que você acha desse movimento?

Não que não me considere youtuber, mas estou trabalhando fora da internet também. Já consegui entender as duas linguagens. É diferente. O tanto de seguidores que tenho não vai influenciar na bilheteria. Com certeza ajuda, mas o que influencia, mesmo, é o boca a boca, as pessoas gostarem do filme. Os parças tá bom, então espero que renda.

Você, Tom Cavalcante, Tirullipa e Bruno de Lucca têm maneiras diferentes de fazer humor. Como foi a interação do quarteto?


Temos humores que se encaixam. A gente ficava sempre fazendo escada, jogando a bola para o outro. E aprendendo sempre. Meu maior aprendizado foi ver o Tom Cavalcante atuando e perceber que a piada, às vezes, está nos detalhes.

Vocês improvisaram muito?


Do script não ficou quase nada. Toda hora a gente inventava uma cena nova e ia encaixando. Ou a cena estava escrita, mas a gente trocava a pessoa que faria a piada, porque ela cabia melhor para outro artista.

Você já se sente ator?


Depois do filme, talvez possa dizer que sim. Na verdade, tudo o que a gente faz é atuação. O show é o texto, a gente está interpretando. O que difere é o grau de atuação da pessoa. Mentir é atuar. Tudo é atuar: fingir que está feliz, ser falso com alguém. Tudo é atuação.

Como você se define? Influenciador digital? Comediante?

Um doidinho. Sou um doidinho.

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