Novíssima câmera GoPro promete uma revolução na linguagem cinematográfica

Leveza e qualidade de definição são recursos presentes no equipamento

por Vitória Maciel 25/02/2014 10:36

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Girafa Filmes/Divulgação
Ator do documentário 'São Silvestre' corre com a câmera atada ao corpo (foto: Girafa Filmes/Divulgação)
O novo aliado da dramaticidade cinematográfica é do tamanho de uma caixa de remédio e não depende de um fotógrafo profissional. Mesmo com tão poucos requisitos, as câmeras compactas de vídeo podem ser as responsáveis por uma pequena revolução em linguagem cinematográfica. A mais conhecida entre os modelos é a novíssima GoPro. Mas fabricantes antigas como a Sony andam investindo em modelos leves e pequenos com qualidade de imagem em alta definição. O resultado de câmeras tão pequenas impressiona pela grande qualidade, em arquivos feitos com mais de 1.000 linhas de definição.


Popularmente usadas em gravações de esportes, os pequenos equipamentos podem ser acoplados em diferentes acessórios do vestuário de esportistas como capacetes, coletes ou meias e tênis.


Recentemente, foi divulgado um novo vídeo de Felix Baumgartners, o norte-americano que saltou da estratosfera para um mergulho livre até o solo da Terra. O evento, noticiado no mundo todo e transmitido abundantemente pelas televisões, ainda não havia sido apresentado pelo ponto de vista do saltador e foi possível graças à leveza do conjunto câmera mais cápsula protetora da GoPro. Juntas, elas pesam apenas 136 gramas.


A panorâmica do planeta que Felix viu foi divulgada em edição revelada somente agora com imagens captadas por cerca de 200 pequenas câmeras atadas ao próprio corpo. Em uma tentativa menos impressionista, a cineasta paulistana Lina Chamie encontrou a possibilidade de concluir o documentário São Silvestre, todo realizado durante a maior corrida de rua do Brasil, que ocorre em São Paulo em 31 de dezembro todos os anos.“Há alguns anos, fiz um curta sobre a São Silvestre como um estudo para um possível longa-metragem. Os corredores não profissionais cruzavam a linha de chegada como campeões. Eles se consideram deuses mesmo. Porém, nas entrevistas que fizemos após a corrida, percebemos que as palavras não davam conta da emoção de completar um percurso tão longo”, relembra a cineasta.


No documentário, atualmente em cartaz no Cine Brasília, a equipe de Lina operou 17 câmeras espalhadas pelo percurso de 15km. Algumas foram posicionadas no alto de edifícios das ruas da capital paulista. Mas a dimensão humana e o registro das expressões de um corredor foram alcançados pelo selfie filmado pelo ator Fernando Alves Pinto, que correu a prova completa com uma câmera Sony atada ao próprio corpo.

Linha tênue

Além de demonstrar fôlego de atleta, Alves encarnou um papel em que de fato está enfrentando as situações de seu personagem, derrubando as barreiras de separação entre intérprete e personagem. “Tentei filmar a geografia do rosto dele por 15km. Por mais que a gente trabalhasse para deixar o equipamento leve, tudo chegava a pesar quase 5kg. Concordo que ele não está somente atuando. Ele correu, se preparou seis meses para concluir a prova. Nesse caso, a linha é tão tênue entre correr e interpretar que eu não teria uma resposta sobre que tipo de interpretação foi aquela”, resume a diretora.


O ator não foi o único corredor/cinegrafista. Os produtores de São Silvestre instalaram outras câmeras compactas em corredores membros da equipe. Uma delas, a GoPro, foi presa à canela de um dos competidores, enquanto outra câmera igualmente pequena foi posicionada de modo a registrar o trajeto já percorrido. Ou seja, a visão do que se passava nas costas do maratonista. “Queria apresentar o trajeto, a viagem. É interessante mostrar o sentido da corrida. Não sei se usaria essas câmeras de novo. Cada filme pede um equipamento próprio, com suas texturas e maneiras de filmar. Cada história que se conta em documentário ou ficção tem as suas necessidades”, resume a diretora.

 

Fishingfury.com/Reprodução da Internet
(foto: Fishingfury.com/Reprodução da Internet)
"Queria apresentar o trajeto, a viagem. É interessante mostrar o sentido da corrida.
Não sei se usaria essas câmeras de novo"

Lina Chamie, diretora do documentário São Silvestre

 

» O equipamento

 

GoPro: pesa apenas 136 gramas 

 

» Máquinas divinas


GoPro
O fabricante do modelo mais popular está dando mostras de que entendeu a possibilidade de explorar o filão cinematográfico. Aquele que era considerado o maior defeito da câmera foi resolvido há pouco tempo, com a possibilidade de se acoplar um conjunto de lentes desenvolvido especialmente para o encaixe com a GoPro. Os modelos variam entre US$ 200 e US$ 400.

Sony Action Cam
O modelo da fabricante promete estabilizar mesmo as imagens mais difíceis. O ator Fernando Alves Pinto usou um modelo parecido, acoplado a seu abdômen para gravar a si mesmo correndo durante o percurso da São Silvestre.

Contour+2
O design aerodinâmico dessa câmera oferece o menor atrito contra o ar. Portanto, permite velocidade aos movimentos do cinegrafista. O custo do modelo gira em torno dos US$ 400.



VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE CINEMA