Alemão apresenta história de família disfuncional na disputa pelo Urso de Ouro da Berlinale

'Jack', de Edward Berger, foi a atração desta sexta-feira no Festival de Berlim

por AFP 07/02/2014 19:00

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Irmãos lutam para preservar família unida no drama alemão 'Jack', exibido em Berlim (foto: Divulgação)
'Jack', do diretor alemão Edward Berger, apresentado nesta sexta-feira, 7, na competição pelo Urso de Ouro do Festival de Berlim, explora, através de um menino de 10 anos e seu irmão mais novo, o despreparo de muitos jovens alemães para formar e criar uma família.

Os horários de trabalho confusos de Sanna (Luise Heyer), a mãe, fazem com que ela não tenha muito tempo para seus filhos, que são obrigados a cuidar um do outro. Eles acabam se perdendo da mãe e são obrigados a sobreviver sozinhos pelas ruas de Berlim.

Segundo Berger, ele quis mostrar a maturidade do pequeno Jack em relação à atitude descuidada de sua mãe. "Não queríamos cair no clichê de uma mãe que se droga e abandona os filhos. Ela é normal, tem profissão, vive em um bairro normal, não em um bairro pobre... O que quisemos mostrar é sua incompetência social, sua incapacidade de chefiar uma família", explicou Berger.

Perguntado por um jornalista se havia lido um livro muito polêmico no país - "A Alemanha maltrata suas crianças?" -, o diretor afirmou que esse é um tema muito presente na atualidade alemã. "Queríamos mostrar a incompetência social dessa jovem mãe, algo que é muito comum. Existem muitas crianças abandonadas. É parte da realidade. Isso pode ocorrer em qualquer cidade", explicou.

A roteirista do filme, Nelle Mueller-Stofen, destacou ainda que, "apesar de amar os filhos, a mãe é muito jovem, e não assume suas responsabilidades. Não queríamos estigmatizar a mãe", concluiu.

Forest Whitaker e a aula de atuação
Em "Two men in town", o outro filme exibido em competição, o diretor francês de origem argelina Rachid Bouchareb ofereceu ao ator americano Forest Whitaker a oportunidade de dar uma aula de atuação ao interpretar um ex-presidiário que luta para reconstruir sua vida, mas é perseguido por um policial que não o perdoa por seu passado.

O filme é uma adaptação do clássico do cinema francês "Deux hommes dans la ville" (1973), de José Giovanni, no qual Alain Delon fazia o ex-presidiário.

Whitaker, ganhador em 2006 do Oscar de Melhor Ator por "O último rei da Escócia", é forte candidato ao Urso de Prata de melhor ator pelo papel do ex-presidiário William Garret, que deixa a cadeia depois de 18 anos de pena por ter matado um policial, amigo do xerife interpretado por Harvey Keitel.

Na prisão, Garret se converteu ao Islã e decidiu refazer sua vida, ajudado por uma policial vivida por Brenda Blethyn.

"Em meu filme não resta muito do filme de José Giovanni, apenas os três personagens. Transportei a história para a fronteira entre Estados Unidos e México, em meio ao drama da imigração, com a construção do muro, algo que mostra a rigidez dos americanos", declarou Bouchareb.

Whitaker, que recentemente foi visto em "O mordomo da Casa Branca", explicou que Garret quer apenas encontrar a paz, mas é hostilizado pelo colega do homem que ele matou.

"Sua dignidade é pisoteada e isso o faz cair novamente na violência", afirma o ator.

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