Em 'O menino e o mundo' tanto a trama quanto os traços despertam sentimentos

Animação do paulista Alê Abreu estreia nesta sexta-feira nos cinemas de BH

por Walter Sebastião 17/01/2014 06:00

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Alê Abreu/Divulgação
(foto: Alê Abreu/Divulgação)
O menino e mundo, de Alê Abreu, é literalmente um desenho animado. As pausas, com a tela em branco, só aguçam a sensação de estar diante de uma folha (ou tela) em branco. E sobre ela é apresentado um conto: um menino, sofrendo com a falta do pai, deixa sua aldeia e descobre um mundo fantástico dominado por máquinas-bichos e seres estranhos. Singularidade do filme é o drama gráfico. Isto é: os muitos sentimentos que desperta não estão apenas no “conteúdo” mas se materializam em traços, grafismos, texturas, cores ou ausência delas, seja dos personagens ou dos cenários. E assim o espectador mergulha no que talvez seja o mais ousado filme de animação já feito no Brasil.

Confira os horários das sessões

O filme não tem história certinha, com princípio, meio e fim (ainda que eles existam). É produção experimental, explorando os recursos expressivos específicos da animação. É obra sensorial, construída com sons e imagens, rarefação da narrativa e máxima plasticidade. Com visualidade que está mais para Miró, Paul Klee, Kandinsky, Steinberg (ou os mineiros Henfil, Cláudio Martins, Mário Vale, Angela Lago, entre outros) do que para a visualidade tradicional do surrealismo tão comum na animação. E assim instaura o mundo da contação de histórias, que balança entre o real e o fantástico, a poesia e a crítica social, o devaneio e a observação minuciosa, a narração e os vazios dela.

Aspectos que só evidenciam projeto arrojado do diretor: materializar a visão de um garoto que vê, sem “conceituar”, sem entender inteiramente o que tem diante dos olhos. Divertido é, ainda, como O menino e o mundo fere classificações etárias. É diversão para crianças: uma aventura pelo mundo da cidade, da ausência dos pais, dos mistérios de certas figuras e atitudes do cotidiano. Mas também é para adultos, com memórias da infância, comentário sobre urbanização acelerada, recordação sobre choques diante da transformação do mundo. Motivo comum posto para crianças e adultos é a questão do afeto. Que, para o diretor, deve ser cultivado e até é resposta para os dramas do mundo.

SAIBA MAIS


O CINEASTA


O paulista Alê Abreu tem 42 anos, é desenhista, ilustrador, cineasta e artista plástico. Seu primeiro longa foi Garoto cósmico (já em DVD). O interesse pela animação começou aos 13 anos, em curso no Museu da Imagem e do Som (MIS), em 1984, quando fez o microcurta Memória de elefante. Formado em comunicação social, realizou os curtas Sírius (1993) e Espantalho (1998). É de 2007 o curta Passo, exibido nos mais importantes festivais de animação do mundo – no mesmo ano ele foi o homenageado do AnimaMundi, com retrospectiva de seus trabalhos. Publicou em 2010 o livro Mas será que nasceria a macieira? (Editora FTD), em parceria com Priscilla Kellen. O menino e o mundo obteve menção especial do júri no Ottawa International Animation Festival e menção honrosa no Festival do Rio. Levou os prêmios juventude, da Mostra de Cinema de São Paulo, e de melhor animação no Festival de Havana, em Cuba.

Assista ao trailer do filme:


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