Longa brasileiro transpõe a história do contraventor e bicheiro Giovanni Improtta da TV para a telona

Misto de crítica social e comédia, obra não se define

por Carolina Braga 17/05/2013 08:20

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Daniel Behr/Divulgação
Na frente e atrás das câmeras, o ator e crítico de cinema José Wilker dirige seu primeiro filme (foto: Daniel Behr/Divulgação)
Homem de conhecida referência cinematográfica, José Wilker estreia carreira como diretor de cinema com uma comédia com nítidas pretensões populares. Apesar de o humor ser “vendido” como carro-chefe, para o ator, a essência do longa, que estreia hoje em 250 salas de todo o país, não vai por aí. “Queria fazer um filme que mostrasse a nova geografia social, física e sexual do Rio de Janeiro e, por tabela, do Brasil. Achei que o Giovanni fosse um bom espelho para isso”, resume.

Personagem criado por Aguinaldo Silva na década de 1970, Improtta caiu nas graças do público na novela 'Senhora do destino' (2005). Foi quando o ator adquiriu os direitos para levar o contraventor e bicheiro para a telona. Com roteiro assinado pela filha de Wilker, Mariana Vielmont, o longa mostra os esforços do protagonista em ser aceito na alta sociedade carioca. Obviamente, o caminho escolhido não é o mais lícito. Até crime entra na jogada.

“O filme faz crítica social que não é sisuda, carrancuda ou pagadora de regras. Não quero dar lição para ninguém. Só quero que as pessoas percebam o que a gente faz. Estamos virando uma sociedade do excesso, temos coisas demais, que não precisamos. O poder de compra cresceu e passamos a adquirir bens porque, de repente, estabeleceu-se que é preciso ter, o ser vem depois”, critica José Wilker.

Giovanni Improtta continua falando errado, com valores invertidos, mas diferentemente da época da novela, no cinema o sujeito parece mais sério. Mesmo consciente de fazer uma comédia, José Wilker conta que procurou se distanciar do besteirol. “Não gosto do escracho, da coisa meio destemperada. Prefiro certa sutileza, certa ironia. Acho que o espectador é inteligente o suficiente para sacar”, acredita.

Tudo é exagerado em 'Giovanni Improtta'. Para compor a direção de arte, Wilker diz ter andado meio Rio de Janeiro. “Fui a certas áreas onde vivem os novos-ricos e vi coisas inacreditáveis”, conta. Do figurino à decoração da casa, passando pela postura dos mordomos, as críticas estão embutidas nos detalhes que muitas vezes passam despercebidos do grande público. Por exemplo, em todas as tomadas dentro da residência de Improtta há um empregado uniformizado aguando plantas. “O sujeito acha que ter um mordomo é sinal de status, mas o cara não tem função. Ele rega planta de plástico”, explica.

A tentativa constante de disfarçar o humor que o personagem tem em sua essência confere certo ar de incoerência a 'Giovanni Improtta'. É que o filme não se assume como uma coisa ou outra. Assim como não pretende ser comédia escrachada, também não é crítica social explícita. No meio do caminho fica devendo tanto na crítica, por vezes demasiadamente mascarada, como no humor, frequentemente tolo. Paradoxalmente, sem graça.

No papel-título, Wilker acrescenta pouco à composição de Giovanni Improtta. No filme, ele não tem a adoração exagerada pela mulher como na TV (a atual esposa, Marilene, é interpretada por Andrea Beltrão) e assim é como se perdesse um pouco da “ingenuidade” que gerava o riso. O bicheiro está mais maduro, mais ambicioso e menos gracioso. André Mattos como o delegado Paulinho é o melhor do elenco. Ao fazer o clichê do policial corrompido e aspirante a sambista, consegue arrancar risadas. Completam o grupo Jô Soares, Hugo Carvana, Milton Gonçalves, Othon Bastos e Gregorio Duduvier.

Assista ao trailer do filme:

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